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Nova Central em reunião com Diretor Geral da OIT

Nova Central em reunião com Diretor Geral da OIT

O Presidente da NCST/PR e Diretor de Relações Internacionais da NCST, Denilson Pestana da Costa, esteve nesta segunda-feira (17/04) em Brasília/DF, onde participou de reunião com  Diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo que vem pela primeira vez ao Brasil para promover a Coalizão Global pela Justiça Social.

O diretor-geral da OIT entregou ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a carta convite para a Cúpula Mundial do Trabalho: Justiça Social para Todos que ocorrerá em Genebra (Suíça) nos dias 15-16 de junho de 2023 e discutir o papel do Brasil na Coalizão Global pela Justiça Social.

Estão previstas também reuniões com os Ministros do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, com a Secretária Geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, com líderes sindicais e representantes de organizações de empregadores, e com membros do poder Judiciário e do Ministério Público do Trabalho para debater o lançamento da Coalizão Global pela Justiça Social, a promoção do trabalho decente, proteção social, economia de plataformas e combate ao trabalho escravo e trabalho infantil.

A Coalizão será discutida durante a Conferência Internacional de Trabalho em junho de 2023 e atuará como uma plataforma para elevar o debate político sobre justiça social e para enfrentar os desafios que atualmente afetam o mundo do trabalho. Ela também buscará contribuir para a redução e prevenção das desigualdades e para garantir que a justiça social seja priorizada na elaboração de políticas e atividades nacionais e mundiais, na cooperação para o desenvolvimento e nos acordos financeiros, comerciais e de investimento.

De nacionalidade togolesa, Gilbert F. Houngbo  assumiu a direção geral da OIT em outubro de 2022 e é o primeiro africano a ocupar esta posição. A sua vinda ao país marca também o início da celebração dos 70 anos de presença da OIT no Brasil.

Com informações: OIT Brasil

Abril Verde: palestra vai abordar “Democracia e meio ambiente do trabalho”

Abril Verde: palestra vai abordar “Democracia e meio ambiente do trabalho”

Promovido pelo Programa Trabalho Seguro e Enamat, o evento será no dia 25 de abril, às 15h.

 O Programa Trabalho Seguro da Justiça do Trabalho e a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat) promovem, no dia 25/4, às 15h, a palestra “Democracia e meio ambiente do trabalho”, com o professor francês Michel Miné, do Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM). O evento será presencial, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, com transmissão ao vivo no canal da Enamat no YouTube.

As inscrições podem ser feitas até 23/4. Para a modalidade presencial, as vagas são limitadas.

Sobre o palestrante

Michel Miné é professor do Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM), sediado em Paris (França), e titular da cátedra de Direito do Trabalho e Direitos Humanos desde 2017. Ele é responsável nacional pelo ensino do Direito do Trabalho e doutor em Direito Privado e Direito do Trabalho, e suas pesquisas e publicações versam, notadamente, sobre saúde e segurança no trabalho.

Livro

Na ocasião, haverá o lançamento da obra “Normas Regulamentadoras (NRs) relativas à Segurança e Medicina do Trabalho: Percursos para a Efetividade do Trabalho Decente”. A publicação integra a coletânea “Coleção Estudos Enamat”, que tem como título “Direitos Humanos Sociais e Relações de Trabalho”.

(Nathália Valente/GS/AJ//CF)

TST

https://www.tst.jus.br/web/guest/-/abril-verde-palestra-vai-abordar-democracia-e-meio-ambiente-do-trabalho-

Abril Verde: palestra vai abordar “Democracia e meio ambiente do trabalho”

Alta de casos de trabalhos análogos a escravidão aumenta pressão sobre o governo

Entidades cobram medidas mais duras contra empresas criminosas, inclusive desapropriação, reforço da fiscalização e fortalecimento de direitos trabalhistas

Victor Correia

Os casos recentes de trabalho análogo à escravidão aumentaram a pressão sobre o governo para que fortaleça o combate a esse tipo de crime. Entidades que representam trabalhadores defendem o endurecimento das punições para empresas envolvidas, incluindo a perda das propriedades. Elas apontam para o desmonte da estrutura de fiscalização, que conta com um número muito baixo de auditores fiscais do trabalho em atuação.

Após a divulgação de vários casos de exploração de trabalhadores em diversas regiões do país, o governo começou a anunciar medidas. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, adiantou ao Correio, em 4 de março, que a “lista suja” de empresas condenadas por trabalho análogo à escravidão seria retomada. O documento foi publicado no dia seguinte, com 132 novos nomes. Ao todo, são 289 empresas e pessoas físicas flagradas explorando trabalhadores em condições degradantes.

Outras medidas estão em elaboração. Um grupo de trabalho formado por integrantes de vários ministérios será anunciado nos próximos dias para tratar do tema. O Executivo também trabalha na formulação do 3º Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, já que a última versão foi criada em 2008, 15 anos atrás. O objetivo, agora, é implementar mais medidas de caráter preventivo.

Entidades que representam trabalhadores têm se reunido com integrantes do governo e cobrado ações mais fortes, além de propor medidas que ataquem a causa do problema. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (Contar), Gabriel Bezerra, relata que o governo tem sido “muito sensível” às demandas apresentadas pela entidade, e destaca a importância do retorno do Ministério do Trabalho à estrutura da Esplanada.

“Temos um ministério que abre o diálogo. Temos levado diversas pautas para o governo. Defendemos, por exemplo, a recriação da Política Nacional dos Assalariados Rurais, visando o enfrentamento dos problemas do campo, como a informalidade, a educação, a saúde, e a previdência”, explica Gabriel. “Nosso papel, como movimento sindical, é cobrar do governo”, acrescenta.

O campo é o setor em que há mais casos de trabalho degradante, embora eles não se restrinjam à área rural. Segundo levantamento do Observatório Digital do Trabalho Escravo, iniciativa que inclui o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os setores que lideram os resgates são: criação de bovinos (29%); cultivo de cana-de-açúcar (14%); e produção florestal em florestas nativas (7%).

“Os casos de trabalho escravo não são em cadeias pobres. Eles ocorrem em cadeias muito ricas. Os números cresceram nos últimos seis anos. É a perversidade do agro, que tem uma ganância cada vez mais forte e acaba escravizando”, afirma Gabriel. “Falamos de agro 4.0, desenvolvido, mas isso é só no desenvolvimento da produção, não para os trabalhadores. Temos salários péssimos, dificuldade de formar vínculo empregatício, não temos políticas públicas”, completa.

Segundo Gabriel, a precarização das relações de trabalho é uma das principais causas do aumento de casos de trabalho análogo à escravidão, especialmente após a reforma trabalhista do governo de Michel Temer (MDB), em 2017.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal, Rodrigo Rodrigues, faz a mesma avaliação. “Temos subtração de direitos, que está muito latente no Brasil em várias formas de contratação que não garantem absolutamente nenhum direito aos trabalhadores”, afirma. “O regime de trabalho que se assemelha à escravidão é muito absurdo, mas é fruto de uma cultura herdada do colonialismo brasileiro, que não se superou na lógica de trabalho no Brasil. Muitas vezes, empregadores ainda entendem que os trabalhadores são quase como escravos”, enfatiza.

Para Rodrigo, os casos no campo têm mais visibilidade por conta do imaginário envolvendo a escravidão, que relaciona o crime com as fazendas e senzalas. Porém, as cidades também reúnem grandes números de trabalhadores nessa situação, como na indústria têxtil, com casos de imposição de jornadas de trabalho extensas e a criação de dívidas por conta do trabalho.

“Queremos a revisão da legislação trabalhista. A fragilização dos direitos favorece quem quer cometer esse tipo de absurdo. É preciso dar mais garantias aos trabalhadores e fortalecer os sindicatos”, diz o presidente da CUT-DF. A visão é ecoada pelo presidente da Contar, que destaca que as entidades atuam na fiscalização, denúncia de casos, na cobrança do poder público e no apoio aos trabalhadores.

Punições mais duras

Outra demanda é o fortalecimento da estrutura de fiscalização. Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), o número atual de 1.959 auditores — servidores responsáveis pelo resgate de trabalhadores — é insuficiente para as operações, já que existem 1.600 cargos vagos. O último concurso público foi realizado em 2013.

Segundo o vice-presidente do sindicato, Carlos Fernando da Silva Filho, o contingente de fiscais passa pelo pior momento dos últimos 30 anos. Para demonstrar o sucateamento, ele citou o caso da gerência de Garanhuns, em Pernambuco, cidade onde nasceu o presidente Lula. Apenas um auditor está lotado no órgão, que abarca 160 municípios pernambucanos. Na quinta-feira, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, sinalizou que abrirá novos concursos para auditores, mas não especificou a área.

“Eu diria que ainda estamos longe de erradicar o trabalho escravo no Brasil. Por questões econômicas, desigualdades, oscilações de governo e pela situação econômica. Além disso, temos essas fragilidades institucionais, especialmente no âmbito da fiscalização do trabalho”, diz Carlos da Silva Filho.

A punição prevista em lei para quem comete o crime também não é vista como suficiente para dissuadir as empresas que lucram com a exploração dos trabalhadores. Os auditores fiscais defendem a expropriação de terras e de propriedades urbanas onde forem constatados casos de trabalho escravo. A medida tramita no Senado Federal, e foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos, por unanimidade, na última quarta-feira.

Carlos destaca que a “lista suja” foi um avanço para a dissuasão econômica do crime, mas é preciso ter punições mais severas. Empresas com o nome no documento têm dificuldades de fechar acordos internacionais, por exemplo, já que o mercado cobra produção responsável. A oferta de crédito para essas empresas também é restrita.

“A perda da propriedade, sim, sinaliza algo que pode mudar o rumo disso, apontando para a erradicação (do trabalho escravo). A gente acredita nisso, e é claro que não é essa medida sozinha, mas combinada com o fortalecimento de toda a estrutura e das autoridades que atuam no combate ao trabalho escravo, além de garantia de orçamento”, finaliza o auditor.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/04/5087680-alta-de-casos-de-trabalhos-analogos-a-escravidao-aumenta-pressao-sobre-o-governo.html

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Salário X Benefícios: o que mais motiva os trabalhadores na hora de escolher emprego?

Pesquisa ouviu 500 trabalhadores com carteira assinada

Por Valor Investe — Rio

O sonho da carteira assinada ainda move uma parcela importante de profissionais. Mas a relativa estabilidade da CLT não responde sozinha pelas motivação de ingressar em uma determinada empresa. Pelo segundo ano, um levantamento apontou que no momento de escolha por um empregador, 53% das pessoas priorizam benefícios que atendam necessidades em diferentes áreas da vida pessoal do que o salário propriamente dito.

A oferta de plano de saúde (62%), seguido por vale-alimentação (54%) e participação nos lucros da empresa (28%) estão entre os três benefícios mais importantes para os candidatos. Mas os tradicionais benefícios não imperam sozinhos.

Entre 500 trabalhadores CLT, 74% disseram que ter acesso a auxílios para educação, entretenimento, bem-estar, e home office, por exemplo, é o mais importante, depois somente do salário. Uma vontade maior de permanecer no emprego quando essas possibilidades são ofertadas é citada por 8 a cada 10 entrevistados.

 

De acordo com a pesquisa liderada pela Flash, empresa de benefícios flexíveis, o home-office aparece entre os três mais importantes para 14% dos respondentes. Por outro lado, as vagas nesse modelo de trabalho diminuíram ainda mais nesse início de 2023, como o Valor Investe já mostrou.

 

“A rotina dos trabalhadores mudou nos últimos anos e não se adaptar a isso, pode colocar limitadores na relação das companhias”, destaca Ricardo Salem, CEO da Flash. “Quando falamos sobre saúde, alimentação, mobilidade e suporte a dependentes – como filhos – os benefícios ganham outra importância, entretanto, quando vemos aqueles com potencial de crescimento, destacamos os que surgiram na pandemia, como o home-office e o auxílio home-office”, complementa.

Conforme o mapeamento, que também ouviu cerca de 100 empresas, houve crescimento na oferta de Auxílio Educação, que saltou de 15% para 32% de representatividade em relação a 2022, Vale Cultura que chegou a 13%, crescimento de 10% e Auxílio Academia, que elevou em 10% a representatividade, alcançando 20%.

Valor Investe

https://valorinveste.globo.com/objetivo/empreenda-se/noticia/2023/04/15/salario-x-beneficios-o-que-mais-motiva-os-trabalhadores-na-hora-de-escolher-emprego.ghtml

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Aumento da desigualdade: 10% mais ricos ganham 31 vezes o salário dos mais pobres nas regiões metropolitanas, diz estudo

Diferença aumentou em 2022 apesar da recuperação da remuneração média pós-pandemia. Maior avanço na renda ocorreu justamente entre os que recebem mais, enquanto ganhos dos mais pobres estacionaram.

Por André Catto, g1

 

Mesmo com o avanço da remuneração média em 2022, a desigualdade de renda aumentou nas regiões metropolitanas do Brasil. É o que mostra a 12ª edição do boletim Desigualdade nas Metrópoles, antecipado com exclusividade ao g1.

 

De acordo com o estudo, que considera a realidade de três grupos de renda – 40% mais pobres, 50% intermediários e 10% mais ricos –, os mais ricos encerraram 2022 ganhando 31 vezes o salário dos mais pobres nas regiões metropolitanas do país. As médias são:

 

  • 40% mais pobres: R$ 253,95 per capita;
  • 50% intermediários: R$ 1.530,96 per capita;
  • 10% mais ricos: R$ 7.933,66 per capita;
  • geral: R$ 1.644 per capita.

O boletim é produzido em parceria por pesquisadores do Observatório das Metrópoles, do Laboratório PUCRS-Data Social e da Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE.

 

No índice de rendimentos, são considerados os ganhos por meio do trabalho. Não são levados em conta, portanto, recursos recebidos em benefícios como o Auxílio Brasil – adotado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL) e substituído pelo novo Bolsa Família em 2023, após Lula (PT) assumir a Presidência da República.

 

Diferença salarial

 

A média geral de renda – considerando todos os grupos – chegou a R$ 1.644 em 2022, uma alta de 12,29% em relação a 2021, quando encerrou o ano em R$ 1.464.

O valor representa o retorno dos salários aos níveis pré-pandemia de Covid-19, ficando abaixo apenas dos R$ 1.666 registrados em 2019 – maior registro da série histórica.

 

A renda está em ritmo de alta desde o primeiro trimestre de 2022, após quedas expressivas entre 2020 e 2021, no pico da pandemia. O avanço, no entanto, é perceptível entre os mais ricos, enquanto os rendimentos dos mais pobres caminharam praticamente de lado no período.

 

Os aumentos médios na remuneração no último trimestre de 2022 em comparação com a mesma janela de 2021 foram de:

 

  • entre os 40% mais pobres: R$ 226,98 para R$ 253,95 – uma alta de 11,88%;
  • entre os 50% intermediários: R$ 1.363,81 para R$ 1.530,96 – uma alta de 12,25%;
  • entre os 10% mais ricos: R$ 6.913,40 para R$ 7.933,66 – uma alta de 14,75%.

“Os dados consolidados de 2022 confirmam uma tendência que temos acompanhado ao longo do último ano: a partir de 2022, há um crescimento grande da desigualdade, fruto da pandemia”, diz André Salata, coordenador do estudo e do PUCRS-Data Social.

Vale lembrar que o poder de compra de todas as parcelas da população foi corroído pelo aumento da inflação, que fechou 2022 com um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 5,79% – atingindo com mais força justamente a população mais pobre.

Recuperação mais difícil

 

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Ribeiro, também coordenador do estudo, destaca que o grupo dos mais pobres é justamente o mais desprotegido no mercado de trabalho – por estar inserido, em geral, na informalidade –, o que dificulta a recuperação salarial dessa parcela da população.

 

“Mesmo que tenha ocorrido o aumento de renda, essas pessoas não têm garantias necessárias no mercado de trabalho. É um grupo bastante vulnerável. Inclusive, durante a pandemia, foi o que mais sofreu de forma imediata com essa fragilidade”, explica.

 

A curva observada na variação da renda dessa população mostra que, desde o fim de 2021, o avanço ocorre a passos lentos. Apesar de retomar nível próximo ao de meados de 2019, os rendimentos mensais seguem bastante defasados em relação ao pico registrado entre 2013 e 2014, quando chegou a R$ 325,76.

 

“Após a pandemia, foi o primeiro grupo a voltar ao mercado de trabalho, o que possibilitou o aumento de renda. Mas tem sido um crescimento cada vez menor. Então, a capacidade de elevar os ganhos não tem sido tão grande quanto dos outros grupos”, continua Marcelo Ribeiro.

 

Para o professor André Salata, da PUC-RS, os dados consolidados de 2022 indicam que o processo de recuperação salarial desse grupo está perdendo tração, chegando ao pico.

 

“A renda dos mais pobres se recupera daquele baque da pandemia, mas volta a um patamar muito baixo. Mesmo antes da Covid-19, já estava em um nível muito ruim. Então, estamos voltando àquele mesmo nível, e parece que a gente está atingindo um teto”, alerta.

Como mudar esse cenário?

 

Os pesquisadores sugerem que o poder público adote ações que, segundo eles, podem ajudar na retomada da renda dessa população pelo menos ao nível registrado entre 2013 e 2014 – uma meta que, para os professores, é factível. Entre as medidas a serem aplicadas, eles apontam:

  • Ampliação de investimentos públicos para criação de vagas de emprego – especialmente em áreas que demandem mão de obra menos qualificada, como obras de infraestrutura e construção civil.
  • Retomada da política de aumento real (ou seja, acima da inflação) do salário mínimo.

“Retomar essas medidas é fundamental para que a gente possa não só aumentar a renda dos mais pobres, mas também reduzir essa desigualdade”, diz Salata, da PUC-RS.

O professor Marcelo Ribeiro, da UFRJ, lembra que, apesar de os dados do estudo se tratarem exclusivamente de rendimentos garantidos por meio do trabalho, as políticas de transferência de renda também trazem efeitos significativos nesse cenário.

Ele explica que esses benefícios incentivam o consumo – o que, em termos simples, é capaz de dinamizar a economia e gerar empregos, melhorando a capacidade de distribuição de renda e, consequentemente, a situação dessa parcela da população.

 

Desigualdades regionais

 

O estudo também mostra as discrepâncias macrorregionais brasileiras, com as regiões Norte e Nordeste concentrando os menores níveis de renda média domiciliar per capita do país. Os salários das regiões ficam abaixo da média nacional.

s patamares mais baixos foram registrados nas regiões metropolitanas de:

 

  1. Maceió (AL): R$ 963
  2. Recife (PE): R$ 979
  3. Fortaleza (CE): R$ 1.001
  4. Manaus (AM): R$ 1.023
  5. São Luís (MA): R$ 1.033

 

Na outra ponta, com maiores níveis de rendimento médio, ficaram as regiões metropolitanas de:

 

  1. Distrito Federal: R$ 2.438
  2. Florianópolis (SC): R$ 2.168
  3. São Paulo (SP): R$ 2.052
  4. Curitiba (PR): R$ 1.813
  5. Porto Alegre (RS): R$ 1.788

 

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/04/13/aumento-da-desigualdade-10percent-mais-ricos-ganham-31-vezes-o-salario-dos-mais-pobres-nas-regioes-metropolitanas-diz-estudo.ghtml

Abril Verde: palestra vai abordar “Democracia e meio ambiente do trabalho”

Governo envia diretrizes do orçamento prevendo salário mínimo de R$ 1.389 em 2024

Valor considera correção apenas inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Governo criou grupo de trabalho para propor valorização acima da inflação.

Por Jéssica Sant’Ana e Alexandro Martello, g1 — Brasília

O governo enviou nesta sexta-feira (14) ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) prevendo que o salário mínimo em 2024 será de R$ 1.389.

 

O valor representa uma alta de 6,7% em relação ao piso atual, que é de R$ 1.302.

A partir de maio, o governo prometeu elevar o salário mínimo para R$ 1.320. Nesse caso, o aumento em 2024 será de 5,2%.

Pelo PLDO, a correção do salário mínimo em 2024 será feita pela apenas inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

 

“O salário mínimo estimado para 2024, de R$ 1.389, considera apenas a correção do valor previsto para dezembro de 2023 pelo INPC. Eventuais novas regras de reajuste, que prevejam aumentos reais para o salário mínimo, serão oportunamente incorporadas ao cenário fiscal quando da elaboração da lei orçamentária anual”, diz o Ministério do Planejamento e Orçamento em nota.

De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 60,3 milhões de pessoas no Brasil, das quais 24,8 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 

A LDO também prevê zerar o rombo das contas públicas em 2024. Ou seja, o governo prevê que as despesas serão iguais às receitas, sem considerar o pagamento dos juros da dívida.

Política permanente

 

O governo criou um grupo de trabalho para elaborar uma política permanente de valorização do salário mínimo.

 

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta semana em uma audiência pública na Câmara que a proposta ficará pronta até o fim de maio.

 

Ainda segundo Marinho, o Ministério da Fazenda sugeriu que o salário mínimo passe a ser reajustado considerando o Produto Interno Bruto (PIB) per capita (por pessoa).

 

A decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção é adotar uma fórmula que garanta aumentos reais, atrelada ao desempenho da economia.

Como era

 

O reajuste do salário mínimo apenas pela inflação foi adotado pelo governo Bolsonaro, que acabou com a política de aumentos reais (acima da inflação) que vinha sendo implementada nos últimos anos, proposta pela presidente Dilma Rousseff e aprovada pelo Congresso.

 

A política de reajustes pela inflação e variação do PIB vigorou entre 2011 e 2019, mas nem sempre o salário mínimo subiu acima da inflação.

 

Em 2017 e 2018, por exemplo, foi concedido o reajuste somente com base na inflação porque o PIB dos anos anteriores (2015 e 2016) teve retração. Por isso, para cumprir a fórmula proposta, somente a inflação serviu de base para o aumento.

A LDO

 

O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) encaminhado pelo governo estabelece as bases para a elaboração do orçamento do próximo ano.

 

Já o projeto com o orçamento em si — a Lei Orçamentária Anual (LOA) — é enviado pelo governo ao Congresso até 31 de agosto.