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Criação de empregos formais soma 83,3 mil em janeiro, quase metade do mesmo mês do ano passado

Criação de empregos formais soma 83,3 mil em janeiro, quase metade do mesmo mês do ano passado

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho. Foi o pior resultado para meses de janeiro no ‘novo Caged’, adotado desde 2020.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

A economia brasileira gerou 83,3 mil empregos com carteira assinada em janeiro deste ano, informou nesta quinta-feira (9) o Ministério do Trabalho e Emprego.

O resultado representa piora em relação a janeiro do ano passado, quando foram criados 167,3 mil empregos formais. A queda, nesta comparação, foi de 50,2%.

 

Deste modo, a criação de empregos com carteira assinada foi quase a metade da que foi registrada no mesmo mês de 2022.

Ao todo, segundo o governo federal, em janeiro deste ano foram registradas:

 

  • 1,87 milhão de contratações;
  • 1,79 milhão de demissões.

 

Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinhoos juros elevados, determinados pelo Banco Central para controlar a inflação, além da alta no endividamento da população e do custo da cesta básica, dificultaram a geração de empregos formais em janeiro deste ano.

 

“Em janeiro, apesar de todos esses ‘senões’, temos um saldo positivo nos empregos formais”, declarou.

 

Ele lembrou que o Ministério da Fazenda tem trabalhado em um plano para reduzir o endividamento da população, chamado de “Desenrola”, cujo anúncio é aguardado para as próximas semanas.

Anos anteriores

 

Em janeiro de 2020 e de 2021, respectivamente, foram abertas 112 mil vagas e 254,2 mil empregos formais.

 

A comparação dos números com anos anteriores a 2020, segundo analistas, não é mais adequada porque o governo mudou a metodologia.

 

Deste modo, esse foi o pior resultado para meses de janeiro do “novo Caged”, que considera as alterações metodológicas.

 

  • Ao final de janeiro de 2023, ainda conforme os dados oficiais, o Brasil tinha saldo de 42,52 milhões de empregos com carteira assinada.
  • O resultado representa aumento na comparação com dezembro do ano passado (42,44 milhões) e com janeiro de 2022 (40,57 milhões).

Setores

 

Os números do Caged de janeiro de 2023 mostram que foram criados empregos formais em quatro dos cinco setores da economia.

Regiões do país

 

Os dados também revelam que foram abertas vagas em três das cinco regiões do país no mês passado.

Salário médio de admissão

 

O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.012,78 em janeiro deste ano, o que representa aumento real (descontada a inflação) em relação a dezembro do ano passado (R$ 1.923,97).

 

Na comparação com janeiro de 2022, porém, houve queda no salário médio de admissão. Naquele mês, o valor foi de R$ 2.021,49.

Caged x Pnad

 

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com carteira assinada, isto é, não incluem os informais.

 

Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad).

 

Os números do Caged são coletados das empresas e abarcam o setor privado com carteira assinada, enquanto que os dados da Pnad são obtidos por meio de pesquisa domiciliar e abrangem também o setor informal da economia.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim do mês mostram que o mercado de trabalho brasileiro superou, ao final de 2022, o patamar pré-pandemia. A taxa média de desemprego no ano foi de 9,3%, o menor patamar desde 2015.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/03/09/brasil-cria-832-mil-empregos-formais-em-janeiro.ghtml

Criação de empregos formais soma 83,3 mil em janeiro, quase metade do mesmo mês do ano passado

Empresa que usa trabalho análogo ao escravo não deve receber recurso público

Presidenta do BNDES é favorável a excluir essas empresas da concessão de empréstimos públicos.

por Priscila Lobregatte

O estarrecedor caso de 207 homens resgatados de trabalho análogo ao escravo na Serra Gaúcha, envolvendo vinícolas bem sucedidas e tidas como modernas, trouxe ao debate nacional a necessidade de se implementar mecanismos que coíbam esse tipo de exploração aviltante e também penalizem, nas mais diversas frentes do setor público, as empresas envolvidas.

Sabe-se que embora o problema seja antigo — fruto da herança escravista e da profunda desigualdade brasileira —, nos últimos anos, sob Michel Temer (MDB) e, sobretudo, no governo de Jair Bolsonaro (PL), a reforma trabalhista, a precarização das relações de trabalho, a crise social e econômica, o desmonte das políticas e estruturas públicas contribuíram diretamente para piorá-lo.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sinalizado que vai enfrentar essa situação com medidas que podem ir desde o fortalecimento das estruturas de fiscalização até a proibição de financiamento a empresas envolvidas via bancos públicos como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Desde fevereiro de 2008, diz o site do banco, “os contratos de financiamento do BNDES incluem a chamada Cláusula Social, que explicita o combate à discriminação de raça ou de gênero, ao trabalho infantil e ao trabalho escravo no Brasil. O respeito a cláusulas sociais já era condição prévia para a contratação de financiamento no Banco. Mas, a partir de então, o veto a práticas de discriminação passou a integrar, de forma explícita, os contratos do BNDES”.

Tal cláusula deverá embasar os próximos passos do banco em relação às vinícolas gaúchas e outras empresas que desrespeitem esses princípios. Segundo noticiado pelo Brasil de Fato, as vinícolas Aurora, Salton e Garibaldi têm ao menos 18 empréstimos ativos junto ao banco, que somam R$ 66,2 milhões. “Ao todo, essas mesmas empresas obtiveram 147 empréstimos com recursos do BNDES, no valor total de R$ 148 milhões. Desse total, 129 empréstimos, totalizando R$ 82 milhões, já foram liquidados”, diz a reportagem.

Ao UOL, Tereza Campello, ex-ministra e atual diretora do BNDES, ressaltou que o caso da Serra Gaúcha “é uma vergonha, uma tragédia”, mas justamente por seu impacto poderá levar a mudanças mais radicais para coibir a prática. “Isso é o atraso, é o país do século 19, esse país tem que ser superado com rigor do ponto de vista trabalhista, do ponto de vista de voltar a ter uma justiça do trabalho valorizada, ter fiscalização do trabalho; o MTE foi completamente desorganizado, deixou de existir, as equipes de fiscalização foram desorganizadas e passaram a ser paulatinamente desautorizadas (no governo passado)”.

Em mais de uma ocasião, Tereza se colocou contra a concessão de empréstimos para empresas com esse tipo de prática e salientou que “o trabalho escravo ‘moderno’ tem que ser combatido e não é com crédito que se combate”.

Também explicou que a situação de empréstimos e financiamentos nesse episódio específico está sendo analisada para a tomada de medidas, que dependem também dos desdobramentos do caso no âmbito jurídico e legal. “Trabalho escravo é inaceitável, então, é preciso criar mecanismos suficientes para não só punir como também evitar que qualquer dinheiro público ou do banco se envolva nesse tipo de operação”.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/03/09/empresa-que-usa-trabalho-analogo-ao-escravo-nao-deve-receber-recurso-publico/

Criação de empregos formais soma 83,3 mil em janeiro, quase metade do mesmo mês do ano passado

Congresso pode ter duas novas federações partidárias

“Vamos caminhar para uma diminuição partidária, talvez para sete ou oito partidos – dois de esquerda, dois de direita e uns três de centro”, diz o presidente da Câmara, Arthur Lira

por André Cintra

As três federações partidárias formadas pouco antes das eleições gerais de 2022 podem ganhar a companhia de outras duas. Hoje, já estão em plena atividade a Federação Brasil da Esperança (FE Brasil, que inclui PT, PCdoB e PV), a Federação PSDB-Cidadania e a Federação PSOL-Rede.

Mas diversas siglas estão em negociação em busca de um novo arranjo institucional para atuar no Congresso Nacional, bem como se preparar para o pleito municipal de 2024. Três partidos da base de apoio ao governo Lula – o PSB, o PDT e o Solidariedade – podem se federar em breve. Juntas, as legendas somam 34 deputados federais e sete senadores.

Nesta quinta-feira (9), o PSB aprovou o início formal das tratativas sobre a federação. “A (direção) executiva decidiu nos dar poderes para iniciar essa conversa”, afirmou a jornalistas o presidente do PSB, Carlos Siqueira. “A proposta é que seja feita para as duas próximas eleições. Espero que seja desde logo.”

No Centrão, pode haver uma federação entre o União Brasil e o PP. Segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), até mesmo uma fusão entre as siglas está em análise. “Se houver federação entre Progressistas e União Brasil, é uma etapa para a fusão. É um noivado, um namoro”, comparou.

Segundo Lira, com o êxito das federações partidárias, as dezenas de legendas legalizadas no Brasil serão reduzidas. “Vamos caminhar para uma diminuição partidária, talvez para sete ou oito partidos – dois de esquerda, dois de direita e uns três de centro. É o que a gente desenha”, disse Lira.

Nos dois casos, divergências regionais precisam ser sanadas antes de se bater o martelo. A definição sobre a direção nacional das futuras federações também é um ponto ainda em aberto, sobretudo nos debates entre PP e União Brasil, que somam mais de cem deputados federais (sendo 59 do União e 49 do Progressistas). Especula-se que a bancada do Avante, de sete deputados, também tenha interesse em federar.

O resultado eleitoral de 2022 já havia provocado uma reviravolta no quadro partidário brasileiro. Após a disputa, foi anunciada a fusão do PTB com o Patriota (que viraram o Mais Brasil), além da incorporação do Pros ao Solidariedade e do PSC ao Podemos.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/03/09/congresso-pode-ter-duas-novas-federacoes-partidarias/

Criação de empregos formais soma 83,3 mil em janeiro, quase metade do mesmo mês do ano passado

Lira anuncia desenho das comissões, e governo fica sem maioria na CCJ

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou por meio de ato da Mesa Diretora a relação de como ficarão organizadas as comissões durante o exercício de 2023. Apesar de haver acordo entre os líderes para que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) seja presidida pelo PT, o desenho do colegiado deixa o governo com menos da metade das cadeiras.

A CCJ é considerada a mais importante comissão da Casa, competindo apenas com a Comissão Mista do Orçamento. Todos os projetos de lei, bem como todas as propostas de emenda constitucional (PECs) passam por ela, servindo como último filtro antes de um texto ser enviado ao plenário, onde é realizada a votação final. O presidente tem o poder de definir os itens em pauta, mas é a formação do colegiado que dá a palavra final sobre o projeto avançar ou não para sua última etapa.

Na mão de Lira

Em tese, os cargos das comissões são distribuídos na proporção dos blocos. A atual legislatura, porém, começou com um único bloco que reúne todos os partidos, com exceção de dois: o Novo e o Psol. Com isso, os demais se viram obrigados a negociar com Lira para moldar seus espaços em cada colegiado, além de adequar suas bancadas diante de um número de comissões que supera o número de parlamentares em parte dos partidos.

No caso da CCJ, o governo terá 26 cadeiras, que resultam da soma dos deputados vindos da Federação PT-PV-PCdoB, PSB, PDT, MDB, PSD, Avante e Solidariedade. Além dessas duas, a Federação Psol-Rede também soma duas cadeiras, com tendência a apoiar projetos do governo, mesmo não sendo oficialmente alinhados. A oposição, que soma as cadeiras do PL, Federação PSDB-Cidadania e Podemos, terá 17 assentos.

As 23 cadeiras restantes vão para os partidos de linha independente: o União, Republicanos e o PP. Apesar de não ter maioria, o governo conta com vantagem sobre a oposição ao negociar votos dentro da CCJ, obtendo ainda a vantagem do controle da máquina pública. E mesmo sendo minoria em comparação ao total de assentos, o bloco governista dentro da comissão segue como o mais forte, possibilitando a atuação de um futuro presidente petista caso se mantenha o acordo.

Na Comissão de Meio Ambiente, a proporção não difere: os partidos governistas terão um total de sete deputados e um do Psol, contra cinco da oposição e outros cinco independentes. A presidência desta comissão é cobiçada por quatro partidos: PT, PDT, MDB e PP. Apesar do MDB fazer parte do governo, os interesses envolvidos na presidência do colegiado estão atrelados aos da Frente Parlamentar do Agronegócio, conhecida como Bancada Ruralista e de interesses contrários às propostas do governo. Também governista, o PSD conta com quadros ativos da bancada.

Na Comissão de Fiscalização e Controle, cuja principal atividade é servir de contrapeso por meio da fiscalização das atividades do governo, os governistas contam com nove deputados, e mais um do Psol. A oposição já terá seis, mesmo número de parlamentares de partidos independentes na comissão. Esta é pleiteada principalmente pelo PL, maior partido de oposição.

Confira a seguir a relação completa de cada comissão:

AUTORIA

Lucas Neiva

LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.

Criação de empregos formais soma 83,3 mil em janeiro, quase metade do mesmo mês do ano passado

Igualdade salarial e mais 24 ações para mulheres neste 8 de Março

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, conjunto de medidas com foco na população feminina.

Lula cerimonia 8 de marco ricardo stuckert
Presidente da República faz pronunciamento às mulheres no Palácio do Planalto nesta quarta-feira | Foto: Ricardo Stuckert

As ações abrangem mercado de trabalho, assistência social e segurança de vítimas de violência. O lançamento ocorreu às 11h, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Fontes ligadas ao governo federal indicam que um dos atos incluiu a adesão do Brasil à Convenção sobre a Eliminação da Violência e do Assédio no Mundo do Trabalho, da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

A inclusão do país na iniciativa é esperada desde o lançamento dessa, em 2021. Isso não ocorreu antes porque no governo de Jair Bolsonaro (PL) o tema relativo às mulheres foi completamente abandonado.

Tratado internacional

O tratado internacional é o primeiro focado em enfrentar a violência e o assédio que estimula países adotarem leis e políticas públicas específicas de prevenção e punição de casos de agressão no ambiente do trabalho.

Mensagem sobre a adesão deve ser encaminhada ao Congresso pelo presidente para apreciação do texto.

Ao todo, o pacote envolve cerca de 25 ações elaboradas por diversos ministérios, como Saúde e Justiça, além de bancos públicos. A coordenação da iniciativa é da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.

Equidade salarial

Lei que visa garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função deve ser outra ação. A medida é uma das promessas de campanha da ex-candidata à Presidência e atual ministra do Planejamento, Simone Tebet.

“Nada, absolutamente nada justifica a desigualdade de gênero. A medicina não explica. A biologia não explica. A anatomia não explica. Talvez a explicação esteja no receio dos homens de serem superados pelas mulheres. É isso que não faz sentido algum. Primeiro porque as mulheres querem igualdade, não superioridade. Segundo porque quanto mais as mulheres avançam, mais o país avança. E isso é bom para toda a população”, disse o presidente em pronunciamento.

“Quando aceitamos que a mulher ganhe menos que homem na mesma função, estamos perpetuando uma violência histórica contra as mulheres. O projeto tem só uma palavra que faz a diferença, uma única palavra. Essa mágica palavra chama-se ‘obrigatoriedade’ de pagar”, declarou Lula.

“Vai ter muita gente que não querer pagar [salários iguais], mas para isso a Justiça vai ter que funcionar. Para obrigar o empresário que não quer pagar aquilo que a mulher merece por sua capacidade de trabalho”, prosseguiu.

“A igualdade de gênero não virá da noite para o dia, mas precisamos acelerar esse processo. E, se dependesse desse governo, a desigualdade acabaria hoje mesmo por um simples decreto do presidente”, concluiu Lula.

O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, durante cerimônia com a presença da primeira-dama, Janja Lula da Silva, de ministros do governo e representantes de bancos públicos.

O projeto visa elevar o custo da multa aplicada aos empregadores que descumprem a ordem de paridade.

Informações sobre o projeto para igualar salários não foram detalhadas, mas o texto do governo deve mexer na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Por meio das redes sociais, a líder da bancada do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), escreveu que “a maior bancada feminina da história do Brasil está na luta pela aprovação de pautas em defesa da igualdade de direitos.”

Segunda Jandira, foram dados “importantes passos” para isto. “Foram aprovados agora [terça-feira] à noite projeto de lei que garante às mulheres o direito de indicar acompanhante em consultas e exames para os quais haja necessidade de sedação”.

Ela acrescentou, ainda, que, “medida provisória que combate o assédio sexual e violência sexual na administração pública em todos os níveis, e na área educacional do ensino fundamental, com educação continuada dos profissionais” também foi aprovada. “Vamos avançando para ampliar nossa luta e garantir a igualdade de gênero e o fim da violência contra as mulheres”, acrescentou.

Projetos e Reforma Trabalhista

A famigerada “Reforma Trabalhista”, aprovada em 2017, chegou a inserir dispositivo que estabelece multa para empresas que pagarem salários diferentes para homens e mulheres que exerçam a mesma função, mas a punição é considerada pequena, o que acaba estimulando a desigualdade.

Em 2021, na gestão de Jair Bolsonaro, o Palácio do Planalto chegou a devolver ao Congresso Nacional projeto de lei, que estava pronto para sanção, e aumentava a multa no valor correspondente a 5 vezes a diferença salarial paga pelo empregador.

O projeto, desde então, ficou parado na Câmara dos Deputados.

Outro texto em análise na Câmara é o PL (Projeto de Lei) 111/23, apresentado neste ano, que torna obrigatória a equiparação salarial entre homens e mulheres que desempenham funções ou ocupam cargos idênticos. O texto é da deputada Sâmia Bomfim (PSol-SP).

Em 2019, pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que as mulheres ganham menos do que os homens em todas as ocupações analisadas. Mesmo com queda na desigualdade salarial entre 2012 e 2018, as trabalhadoras ganham, em média, 20,5% menos que os homens no País.

Redução de juros e pobreza menstrual

A série de atos também deve reduzir a taxa de juros para a oferta de crédito a empreendedoras.

E ainda avanços na regulamentação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que prevê distribuição de absorventes para estudantes em vulnerabilidade econômica e pessoas em situação de rua, também está no conjunto de medidas anunciadas.

Casa da Mulher Brasileira

As medidas ainda devem incluir a construção de 40 novas unidades da Casa da Mulher Brasileira em municípios de menor população.

O objetivo da estratégia é levar políticas públicas às mulheres que residem em cidades afastadas dos grandes centros urbanos.

Programa de Prevenção e Combate ao Assédio Sexual

A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (7), a MP (Medida Provisória) 1.140/22, na forma do PLV (Projeto de Lei de Conversão) 2/23. O texto, agora, vai a exame do Senado Federal

A MP em questão, institui o Programa de Prevenção e Combate ao Assédio Sexual no âmbito dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e distrital, que foi chancelada, com parecer de plenário, da relatora, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

Entre as medidas anunciadas estão:

Equiparação salarial – Lula vai enviar para análise de deputados e senadores projeto de lei para promover a igualdade salarial entre homens e mulheres que exerçam a mesma função, ponto já previsto na legislação atual.

Dignidade menstrual – governo anunciou decreto com o compromisso de distribuição gratuita de absorventes no SUS (Sistema Único de Saúde).

Segurança – investimento de R$ 372 milhões na implantação de 40 unidades da Casa da Mulher Brasileira, com recursos do FNSP (Fundo Nacional de Segurança Pública). O governo vai recriar o programa Mulher Viver sem Violência, que prevê a doação de 270 viaturas para a Patrulha Maria da Penha, nos 26 Estados e no Distrito Federal.

Cota para mulheres vítimas de violência – governo anunciou decreto que regulamenta a cota de 8% da mão de obra para mulheres vítimas de violência em contratações públicas na administração federal direta, autarquias e fundações.

Dia Marielle Franco – governo anunciou o Dia Nacional Marielle Franco, lembrado a cada 14 de março, data em que a vereadora Marielle Franco (PSol-RJ) e o motorista Anderson Gomes foram assassinados. A ação visa conscientizar contra a violência política de gênero e de raça.

Trabalho sem violência e assédio – governo vai ratificar a Convenção 190 da OIT, primeiro tratado internacional a reconhecer o direito de todas as pessoas a um mundo de trabalho livre de violência e assédio, incluindo violência de gênero. Entre outras medidas, a Convenção 190 amplia conceitos de assédio sexual e moral no trabalho.

Assédio no serviço público – governo anunciou a criação de política de enfrentamento ao assédio sexual e moral e discriminação na Administração Pública federal.

Equidade no SUS – governo criou o Programa Nacional de Equidade de Gênero, Raça e Valorização das Trabalhadoras no SUS. A portaria foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta quarta-feira.

Construção de creches – governo anunciou a retomada das obras de 1.189 creches que estavam paralisadas.

Formação – governo informou a abertura de vagas em cursos e programas de educação profissional e tecnológica para 20 mil mulheres em situação de vulnerabilidade nos próximos 2 anos.

Bolsa Atleta – Lula assinou decreto que determina a licença-maternidade para integrantes do programa. A medida garante o recebimento regular das parcelas do programa para atletas de alto desempenho até que a beneficiária possa iniciar ou retomar a atividade esportiva.

Financiamento do cinema – governo anunciou o lançamento do edital Ruth de Souza de Audiovisual, que vai dar suporte a projetos inéditos de cineastas brasileiras para realização do primeiro longa-metragem. São R$ 10 milhões em investimentos.

Premiação para escritoras – segundo o governo, R$ 2 milhões serão destinados no Prêmio Carolina Maria de Jesus para livros inéditos escritos por mulheres.

Ciência e pesquisa – governo anunciou a Política Nacional de Inclusão, Permanência e Ascensão de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação. A previsão é de que o CNPq disponibilize R$ 100 milhões para financiar projetos de mulheres nas ciências exatas, engenharia e computação.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/91274-igualdade-salarial-e-mais-24-acoes-para-mulheres-neste-8-de-marco

Criação de empregos formais soma 83,3 mil em janeiro, quase metade do mesmo mês do ano passado

Atos simbólicos do terceiro governo do presidente Lula

O presidente Lula, cuja eleição representa compromisso com a democracia, a ciência e com a justiça social, tudo ao contrário do antecessor, tem se comportado como verdadeiro estadista, que combina responsabilidade e senso de oportunidade. 5 episódios, decorrentes de ações políticas e até de fenômenos naturais, ilustram bem isto.
Antônio Augusto de Queiroz*
posse historica governo lula
O primeiro episódio decorreu de a recusa de o ex-presidente transmitir a faixa presidencial. Essa atitude nada civilizada de Bolsonaro, deu ao presidente eleito a oportunidade de reiterar para o Brasil e o mundo compromisso com a diversidade e com os excluídos socialmente, convidando 8 pessoas do povo para subir a rampa do Palácio do Planalto conduzindo a faixa presidencial, culminando com a entrega simbólica por mulher negra e catadora de material reciclável.
Aquilo que seria desprestígio do presidente eleito — a fuga ao exterior do ex-presidente para não transmissão da faixa presidencial — se transformou num grande evento, com repercussão internacional, permitindo ao presidente Lula ser acompanhado na subida da rampa por criança pobre, mulher negra, cacique indígena, trabalhador metalúrgico, professor, cozinheira, artesão e pessoa com necessidades especiais e ativista na luta anticapacitista.
O segundo episódio, ocorrido 8 dias após a posse, decorreu dos atos de barbárie da extrema direita bolsonarista que, inconformada com a eleição e posse do presidente Lula, tentou dar golpe de Estado ocupando e destruindo os Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. Em reação a esses atos terroristas, o presidente Lula tomou 3 decisões políticas muito acertadas.
A primeira foi decretar intervenção na área de segurança do Distrito Federal e designar como interventor não apenas um civil, mas jornalista, expondo a incompetência e traição de parcela dos militares que claramente conspiravam contra o novo governo. O interventor, sem provocar nenhuma morte, rapidamente contornou a situação, desocupando os palácios e pedindo a prisão de todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para aquele ato de barbárie. Como decorrência disto, o Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento, por 90 dias, do governador, e a prisão do ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.
A segunda foi a visita do presidente da República, ainda no dia 8 de janeiro, aos escombros decorrentes do vandalismo nas instalações do Palácio do Planalto e no Supremo Tribunal Federal, quando se fez acompanhar por ministro e parlamentares na vistoria ao Planalto e também pelo presidente do STF e ministro na visita à Corte. Aquele gesto fez ver ao Brasil e ao mundo o tamanho da destruição.
A terceira foi a convocação de todos os governadores, no dia seguinte à invasão e com o Palácio ainda avariado pelo vandalismo e em reforma, para reunião que simbolizasse o repúdio de todas as forças políticas, inclusive da oposição, àqueles atos de vandalismo, barbárie e, porque não dizer, de terrorismo. Todos foram unânimes em condenar os atos atentatórios ao patrimônio público.
A legitimidade e aceitação dessas medidas, criaram as condições para o presidente da República afastar o comandante do exército, que foi negligente na proteção dos palácios, no desmonte dos acampamentos em frente aos quarteis do exército, além de se recusar a punir militares que, por ação ou omissão, contribuíram para as invasões.
O terceiro episódio foi a visita do presidente Lula à Terra Indígena Yanomami, em Roraima, quando encontrou quadro de completo abandono dos indígenas daquela comunidade, a maioria doente e desnutrido em razão da negligência do governo anterior, que não apenas desativou as políticas públicas de proteção aos povos originários, como também permitiu e até incentivou o garimpo ilegal na região. As imagens da visita rodaram o mundo.
Nessa visita, em que o presidente se fez acompanhar pelas ministras dos Povos Indígenas (Sonia Guajajara), da Saúde (Nísia Trindade) e dos ministros do Desenvolvimento Social (Wellington Dias) e dos Direitos Humanos (Silvio Almeida) tomou série de medidas e providências que foram anunciadas, entre essas o envio imediato de alimentação e profissionais de saúde para a área, assim como a expulsão de todos os garimpeiros da região.
O quarto episódio foi a visita do presidente, em pleno Carnaval, ao Litoral  Norte de São Paulo (cidades de Ubatuba e São Sebastião), atingida por temporal e deslizamento de terra, para prestar solidariedade ao povo da reunião, aos desabrigados e aos parentes dos mortos daquela tragédia ambiental, bem como se colocar à disposição do governo estadual e municipal, ambos de partidos de oposição ao governo federal, para somar esforços no enfrentamento da situação emergencial.
Na oportunidade, acompanhado de vários ministros, o presidente anunciou medidas, como a construção de casas populares e a disponibilização de recursos para ajudar na reconstrução das cidades atingidas. O gesto do presidente, próprios dos estadistas, sensibilizou a população da região e também aos governantes estadual e municipal.
O quinto episódios, foi o anúncio e/ou atos concretos de reabertura dos espaços de participação, diálogos e escuta da sociedade para a formulação e aplicação de políticas públicas, extintos pelo governo Bolsonaro. 2 secretarias, com status de ministério, vinculadas ao Palácio do Planalto, vão coordenar esses espaços de concertação e busca de consenso sobre políticas públicas de interesse do povo e do País: a Secretaria-Geral e a Secretaria de Relações Institucionais.
Para dar efetividade ao diálogo social foi instituído, por meio de Decreto 11.407, de 31 de janeiro de 2023, o Sistema de Participação Social no âmbito da Administração Pública federal direta, que tem por finalidade estruturar, coordenar e articular as relações do governo federal com os diferentes segmentos da sociedade civil na aplicação de políticas pública.
Como integrante do sistema e sob a coordenação da Secretaria-Geral da Presidência foi criado o Conselho de Participação Social da Presidência da República, destinado à ouvir a sociedade civil e para assessorar o presidente da República no diálogo e na interlocução com as organizações da sociedade civil e com a representação de movimentos sindical e populares com vista à execução de políticas pública, como órgão central do Sistema de Participação Social, e criadas as assessorias de Participação Social e Diversidade em todos os ministérios e nas unidades administrativas responsáveis pela participação social, como órgãos setoriais.
Com a finalidade de “promover articulação da sociedade civil para a consecução de modelo de desenvolvimento configurador de novo e amplo contrato social”, sob a coordenação da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), vai ser recriado o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável — o Conselhão —, cuja missão é reunir os diversos segmentos sociais para propor ideias e sugestões que contribuam com o Poder Executivo, o Poder Legislativo e os entes subnacionais na formulação de políticas públicas.
Até aqui o presidente teve virtú, no sentido de construir estratégia eficaz capaz de sobreviver às dificuldades impostas pela imprevisibilidade da história, e muita fortuna, no sentido de sorte individual. Está consumindo essa sorte numa velocidade alta. Na próxima coluna, abordaremos os desafios de reconstrução do Estado brasileiro e as primeiras medidas do governo para atender a demandas represadas nos dois governos anteriores.
(*) Jornalista, analista e consultor político, mestre em Políticas Públicas e Governo pela FGV. Ex-diretor de Documentação do Diap, é autor do livro “Por dentro do governo: como funciona a máquina pública” e sócio-diretor das empresas “Consillium Soluções Institucionais e Governamentais” e “Diálogo Institucional Assessoria e Análise de Políticas Públicas”. Publicado originalmente na revista eletrônica Teoria&Debate
DIAP