Ampliação do assistencialismo é unanimidade entre candidatos

A manutenção dos programas assistenciais do governo do Paraná se transformou em uma espécie de tabu nesta campanha eleitoral. De olho no voto do eleitorado mais pobre, os principais candidatos ao Palácio Iguaçu – Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) – nem sequer cogitam modificá-los, muito menos extingui-los. Pelo contrário, a promessa é mantê-los. E até mesmo ampliar programas como as tarifas sociais de luz e água e a distribuição gratuita de leite para crianças carentes.

Mexer nesse tipo de assistência social traria impopularidade aos candidatos. No Paraná, 968,3 mil famílias têm renda mensal de no máximo meio salário mínimo (R$ 255) por pessoa, de acordo com o Cadastro Único para Programas Sociais mantido pelo governo federal. Destas, 480,8 mil receberam o Bolsa Família em junho.

Beto Richa compromete-se em preservar e ampliar os programas sociais voltados à população mais carente, entre eles o tarifa social da Sanepar, o Luz Fraterna e o Leite das Crianças. Também propõe um controle mais eficaz das ações.

Osmar Dias, que tem o apoio da atual administração estadual, não especifica no seu plano as ações que pretende manter. Mas, recentemente, já se comprometeu a ampliar o Leite das Crianças e a manter as tarifas sociais de água e luz. “Os bons programas sociais devem ser mantidos e ampliados”, diz o plano de governo de Osmar.

O pedetista pretende ainda criar novas ações sociais e propõe, por exemplo, uma bolsa-auxílio para jovens, facilidades de acesso a crédito para mulheres, redução no preço dos alimentos por meio de redes de abastecimento.

Chamariz de voto?

A unanimidade política em torno da manutenção e ampliação de programas sociais levanta a discussão se o assistencialismo é um chamariz de votos. Para especialistas, embora possa haver um fundo eleitoral nesse tipo de proposta, elas são em si benéficas em um país desigual como o Brasil.

A cientista social Samira Kauchakje, professora do curso de Sociologia e do Mestrado em Gestão Urbana da PUCPR, observa que, para distinguir os programas sérios dos eleitoreiros, é preciso observar a trajetória do candidato em relação a esses assuntos, bem como a do partido dele. “Caso tenham tido comportamento favorável [a questões sociais ao longo do tempo], é possível que estejam atentos a este impacto positivo. Mas não podemos esquecer que faz parte do jogo político estar atento ao que angaria votos.”

Samira opina ainda que os programas de transferência de renda são um direito da população nas sociedades com grave desigualdade e que eles têm demonstrado eficácia no plano nacional. Segundo o estudo Atlas do Bolso dos Brasileiros, da Fundação Getulio Vargas, 17% da queda de desigualdades no país se deve ao Bolsa Família, por exemplo.

O especialista em política social Carlos Roberto Winckler, técnico da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul e professor da Universidade de Caxias do Sul, afirma que houve diminuição na pobreza absoluta no país. Segundo ele, os programas assistenciais não são eleitoreiros porque dependem dos conselhos municipais e independem de partidos políticos. “A presença do Estado neste sentido é muito importante porque isso retroalimenta a economia.” Na opinião dele, o candidato que não se ater a isso corre “risco enorme” de ser visto como impopular.

Constitucionalizados

No Paraná, os candidatos ao governo encontrariam dificuldades, se eleitos, se quisessem extinguir ações sociais. Os programas Luz Fraterna e a tarifa social da água, por exemplo, foram “constitucionalizados” em fevereiro – ou seja, foram incluídos na Constituição do Paraná, em votação na Assembleia Legis­­lativa. Com isso, terão de obrigatoriamente ser cumpridos pelos futuros governos – a não ser que a Constituição volte a ser modificada.

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