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Vale tudo na greve dos servidores da Cultura

Vale tudo na greve dos servidores da Cultura

Grupo vestiu pijamas e organizou um ato inusitado para chamar atenção do ministério

“Greve de servidor da cultura é igual a de surfista: ninguém percebe”. A frase da presidente da Associação de Servidores da Funarte, Paula Nogueira, explica a manifestação realizada ontem por servidores federais do setor, em frente ao Palácio do Catete. Vestidos de pijamas, eles leram uma carta-testamento, uma paródia da carta deixada por Getúlio Vargas, que se suicidou de pijama, há 57 anos, no mesmo palácio. A categoria cruzou os braços na última segunda-feira.

– A paralisação não foi suficiente para pressionar o governo federal a atender nosso pleitos. Fazer greve é horrível, insuportável, respinga na população… Mas não há outro jeito, estamos em condição de penúria – justificou Paula Nogueira.

Vale tudo na greve dos servidores da Cultura

Dilma diz que crise financeira poderá durar mais tempo do que o esperado

A presidente Dilma Rousseff disse hoje (24) que a crise mundial pode “durar mais tempo do que se espera”, mas que não acredita que produzirá “catástrofes”, como a que ocorreu em 2008, como a quebra de bancos de investimentos. 

“A crise vai ser isso que estamos vendo: um dia está pior, outro dia está melhor”, disse Dilma, após a cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado. 

“É uma crise profunda do sistema financeiro dos países desenvolvidos, é uma crise de confiança, ela pode durar mais tempo do que se espera. O Brasil deu vários passos. Hoje, nós demos mais um passo, contar com a imensa força de 190 milhões para investir, consumir, trabalhar e empreender”. 

O governo aguarda a aprovação do Congresso Nacional para criar um ministério para as micros e pequenas empresas. Enquanto isso, o programa será gerido pelas pastas do Trabalho e do Desenvolvimento Social. 

A presidenta Dilma disse ainda que pretende reavaliar, ao final de 2013, as metas estabelecidas pelo programa, para baixar a taxa de juros e aumentar a faixa dos beneficiados. 

O programa lançado hoje pela presidenta fornecerá crédito com juros de 8% ao ano para microempreendedores individuais e microempresas com faturamento anual até R$ 120 mil. Até o final de 2013, o governo pretende atender a 3,4 milhões de clientes.

Agência Brasil

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Servidores da saúde entram em greve em Porto Alegre

Os servidores da saúde pública em Porto Alegre estão em greve para pressionar a prefeitura a regulamentar a carga de trabalho de 30 horas semanais sem redução de salários. O protesto, que não inclui os médicos, atinge cerca de 60% dos 3,5 mil funcionários do setor e parou 42 dos 65 postos de saúde da cidade, disse o diretor do Sindicato dos Municipários (Simpa), João Ezequiel da Silva. Já o secretário municipal de Coordenação Política e Governança Local, Cezar Busatto, afirmou que a adesão é mais “limitada”. O estopim da greve foi a decisão da prefeitura de adotar o ponto eletrônico a partir deste mês, providência que obrigará os servidores da saúde a trabalhar 40 horas por semana nos postos designados.

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Denunciados no STF renunciam a comissão

Denunciados ao STF, João Paulo e Eduardo Cunha não vão mais comandar reforma da Justiça

Sob intensa pressão, PT e PMDB desistiram ontem da indicação dos deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para, respectivamente, presidente e relator da comissão que cuidará da reforma do Código de Processo Civil. João Paulo é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão do PT e Eduardo Cunha também responde a inquérito na Corte.

Com grande apetite por cargos e constante pressão para viabilizar seus interesses no governo e na Câmara, Eduardo Cunha foi obrigado a abrir mão da indicação. Acossado por uma ala do PMDB revoltada com sua defesa intransigente do nome de Cunha para assumir a relatoria da comissão, e ameaçado até mesmo de perder a costura de acordo para disputar a presidência da Câmara ano que vem, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, pela primeira vez enquadrou Cunha.

– Não posso comprar mais uma briga com a sociedade por sua causa. Você precisa ter humildade e reconhecer que a situação ficou insustentável – teria desabafado Henrique Alves, em conversa dura com Eduardo Cunha.

Mas não foi fácil convencer o deputado fluminense. No meio da tarde, quando Cunha e Henrique Alves foram ao encontro do vice-presidente Michel Temer, a situação foi descrita por um peemedebista como “muito tensa”:

– O Eduardo Cunha ameaçou romper com o governo e assinar a CPI da Corrupção. Agora que ele foi obrigado a desistir, vamos ver qual será sua reação. Mas ele é pragmático. Deve mergulhar agora para mais adiante retornar.

Eduardo Cunha: saída “à revelia”

Após repercussão negativa da indicação de João Paulo Cunha para a presidência da comissão, o PT decidiu agir logo cedo e anunciou a saída do parlamentar. No PMDB, foi preciso a intervenção de Michel Temer para que a saída de Eduardo Cunha se concretizasse. Irritado, Cunha afirmou que sai “à sua revelia”, mas negou que a situação tenha comprometido a estreita relação dele com o líder Henrique Alves.

Durante o dia de ontem, logo depois que a desistência de João Paulo Cunha foi confirmada, Henrique Alves avisou a Cunha que sua permanência na relatoria estava insustentável. Os dois peemedebistas travaram ríspidos diálogos porque o parlamentar da bancada do Rio insistia em não abrir mão da indicação, como fizera João Paulo. O líder do PMDB, segundo relatos, ponderou que Cunha deveria ter “humildade” pois o partido estava se desgastando com aquela situação e que a desistência do petista faria piorar o problema.

A solução foi fechada no Planalto, numa conversa entre Temer, Henrique Alves e Eduardo Cunha. Segundo interlocutores do PMDB, a conversa foi dura, com Eduardo Cunha ameaçando assinar e levar também deputados fiéis a ele a apoiarem a CPI da Corrupção. Entre os argumentos para justificar sua substituição estava o fato de que o próprio PT tinha retirado João Paulo. A avaliação é que o PMDB iria sofrer maior desgaste se mantivesse o nome de Cunha.

Pelo acerto feito entre PMDB e PT, a presidência será ocupada pelo deputado Fábio Trad (PMDB-MS) e a relatoria, pelo petista Sérgio Barradas Carneiro (BA).

– Diante da insistência para que o PMDB indicasse um advogado, estou indicando Fábio Trad, que é advogado e ex-presidente da OAB-MS. Fiz um apelo ao deputado Eduardo Cunha. O Temer ajudou – disse Henrique Eduardo Alves.

Henrique negou que a saída de Eduardo Cunha tenha ocorrido por pressão da bancada, que reclama que o parlamentar é privilegiado com relatoria importantes, ou pelo fato de ele responder a inquérito. A grande preocupação ontem de Eduardo Cunha era não ter sua situação comparada com a de João Paulo Cunha.

– O que pesou foi o apelo da OAB, do Instituto de Advogados, da sociedade. Todos queriam alguém da área jurídica – disse o líder.

Eduardo Cunha não escondeu sua irritação com o desfecho do caso:

– Eu não cedi. O líder que colocou, ele que tira. Mas quero deixar claro que a minha situação não pode ser comparada com a do deputado João Paulo (Cunha). Não sou réu no Supremo. O Henrique me destituiu, à minha revelia. Mas o líder tem poder, prerrogativa para isso. Não me sinto desmerecido!

Eduardo Cunha reagiu ainda às críticas de parlamentares de que é privilegiado com relatorias importantes.

– Privilegiado? Sou privilegiado com o trabalho – disse.

Dentro do PMDB, a decisão foi “comemorada” por deputados que estavam em plenário.

– Foi uma vitória do nosso grupo, que pediu a substituição e quer melhorar a imagem do partido – disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE)

O PT tinha indicado o deputado Sérgio Barradas Carneiro para ser presidente da comissão, mas descobriu que ele não poderia assumir a função por ser suplente e não titular. No início da tarde – numa demonstração da confusão política instalada -, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) anunciou o adiamento da instalação da comissão.

Ao justificar a desistência da vaga, João Paulo alegou estar com acúmulo de serviço, mas admitiu que não estava disposto a criar confusão, diante da resistência à escolha dele para a presidência, e de Eduardo Cunha para a relatoria.

– Estou com muita coisa acumulada e será um trabalho intenso (o da comissão especial). Também já entra com a embocadura meio errada… esse negócio da presidência e relatoria. Eu não quero entrar num desserviço – disse João Paulo Cunha.

Vale tudo na greve dos servidores da Cultura

Aumento de acidentes com motos preocupa a OMS

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O aumento do número de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas no Brasil preocupa não só os órgãos de trânsito do país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está convencida de que os motociclistas são os principais responsáveis pelos acidentes. “Consideramos que 70% das causas [de acidente] são devidos a fatores humanos. E, agora, temos o problema das motocicletas: com o aumento da frota de motocicletas aumentou muito o número de acidentes devido a má condução do veículo”, disse Mercedes Maldonado, representante da OMS no Brasil.

O tema foi discutido na tarde de hoje (24) no Fórum Paulista de Prevenção de Acidentes de Trânsito e Transportes, promovido pelo Conselho Estadual para Diminuição de Acidentes de Trânsito e Transportes (Cedatt)

Mercedes Maldonado apresentou números para mostrar que as principais causas de acidente de trânsito no Brasil são excesso de velocidade (26%), infraestrutura rodoviária (20%) e motocicletas (16%).

Segundo o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense, as maiores vítimas de acidentes de trânsito no Brasil ainda são os pedestres, mas os motociclistas já ocupam a segunda posição. “Metade das pessoas que morrem anualmente é pedestre. Em segundo lugar, e crescendo enormemente, estão os motociclistas. Há também uma questão que envolve o excesso de velocidade com ou sem alcool e a da má habilitação”, disse ele.

Já o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Mauro Ribeiro, alerta: “temos lugares no país onde 50% dos óbitos são de motociclistas”.

Um dos problemas apontados por especialistas é o uso do chamado “corredor”, o espaço estreito entre uma faixa e outra da via. Brasiliense explicou que, ao usar o corredor para ultrapassar os carros, o motociclista deixa de ser visto por, pelo menos, um dos três espelhos retrovisores que o motorista de automóvel tem à disposição, “aumentando enormemente a possibilidade dele se acidentar”.

Segundo José Guedes Pereira, presidente do Sindicato das Auto Moto Escolas e Centro de Formação de Condutores no Estado de São Paulo, o elevado número de acidentes envolvendo motocicletas deve-se, principalmente, ao veto do artigo 56 do fato de o Código Nacional de Trânsito. O artigo proibia expressamente a circulação de motocicletas nos corredores.

“Isso fez com que o motociclista mudasse o comportamento. Como temos as motos circulando muito entre os veículos, criamos uma situação de mobilidade diferente, de massa diferente e de velocidade diferente. Isso expõe uma situação de risco muito grande. Já estamos chegando a acidentes de moto com moto”, disse Ribeiro, que defende a proibição do tráfego de motos nos corredores.

Outro problema apontado no encontro é a má formação dos motociclistas. Segundo Wilson Kenji Yasuda, coordenador da Comissão de Segurança Viária da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), uma pesquisa recente feita com acidentados no trânsito revelou que 70% dos motociclistas envolvidos em acidentes não tinham carteira de habilitação.

Para reforçar a informação dada pelo representante da Abraciclo, o presidente do sindicato das motoescolas apresentou um dado preocupante: “Mais de 90% das pessoas que procuram uma autoescola para obter a carteira de moto já são motoqueiros, ou seja, aprenderam de alguma forma, não sabemos como”, disse José Guedes Pereira.

Apesar da gravidade do problema, as políticas públicas que poderiam ajudar a reduzir os índices de acidentes envolvendo motocicletas esbarram na falta de informações confiáveis. Mauro Ribeiro, da Abramet, reclamou que não há dados anuais sobre acidentes de trânsito no país e os poucos números disponíveis não refletem a realidade do país, pois ignoram características particulares de cada região, de cada estado ou município, e nem levam em consideração o que causa os acidentes.