por master | 28/06/10 | Ultimas Notícias
*Por Plínio de Arruda Sampaio
A classe operária brasileira é jovem. Tem menos de cem anos. Mas como a luta de classes é internacional, pôde aproveitar a experiência do operariado europeu e norte-americano, partindo assim de um patamar elevado.
Em pouco tempo, conquistou a jornada de oito horas, o salário mínimo, a liberdade sindical, as férias e vários outros direitos, incorporados pela Constituinte Federal de 1988 em seu texto.
Pode-se dizer que dos anos trinta aos anos oitenta do século passado, o avanço da classe operária seguiu pari passu o desenvolvimento da indústria, da urbanização e do sentimento de nacionalidade.
Esta marcha ascensional foi interrompida na década de 1990. De lá pra cá, a classe operária só perdeu direitos, amargou diversas derrotas. Entre elas, a mais dura: a traição do partido cujo nascimento liderou, o PT, e que polarizou durante uma década a luta de classes no Brasil. O neoliberalismo avançou no terreno dos ataques a todas as conquistas acumuladas.
Numa conjuntura muito adversa, sua liderança sindical também fraquejou. A CUT deixou de ser um sindicato para transformar-se em uma ONG a serviço do governo.
Os que não aceitaram o recuo, infelizmente, não conseguiram unidade. Conlutas, Intersindical e outros setores do movimento sindical que buscavam fundar uma nova central sindical em um congresso realizado em junho passado não lograram sucesso na empreitada. Não conseguirão com tratativas de cúpula. O que une é a vitória, o que divide: a derrota.
Para conseguir a unidade, é preciso apresentar à massa trabalhadora uma bandeira de luta que possa trazer-lhe uma grande vitória – uma bandeira pela qual valha a pena arriscar-se e até morrer, como o fizeram os “communards” de 1848 e 1871 na França, os sindicalistas de Chicago e tantos movimentos operários ao longo dos últimos duzentos anos.
No contexto econômico criado pela contra-revolução neoliberal, essa bandeira de luta é a redução da jornada de trabalho, sem redução salarial.
Reduzir a jornada de trabalho para ampliar o número de empregos, mas, sobretudo, para liberar o operário do jugo do apito da fábrica e dar a ele o direito de viver para si e não somente para o lucro do patrão. Não se trata mais de melhorar ou de perder menos. Trata-se de avançar, com coragem.
Por Plínio Soares de Arruda Sampaio, 79, promotor público aposentado, é mestre em desenvolvimento econômico internacional pela Universidade de Cornell (EUA). Ex-deputado federal por três mandatos, foi relator do projeto de reforma agrária do governo João Goulart na Câmara dos Deputados, em 1963, e constituinte entre 1986 e 1988. Fundador do PT, hoje é dirigente nacional do PSOL, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), diretor do jornal eletrônico ‘Correio da Cidadania’ e pré-candidato à Presidência da República.
por master | 28/06/10 | Ultimas Notícias
Enquanto o candidato tucano ao Planalto patina em definições estratégicas da campanha, a ex-ministra de Lula vê quase tudo o que planejou para a corrida eleitoral se confirmar var gld = false; var items; var iic = 0; $(‘#abas > li > a’).each(function(i, item){ $(item).click(function(e){ $(‘#abas > li’).each(function(i, item){ $(item).removeClass(‘selecionado’) }); var its = [‘abanoticia’, ‘abavideo’, ‘abafoto’, ‘abainfografico’, ‘items_noticia’]; for (i=0;i<its.length; i++){$(‘#’ + its[i]).hide()} $(this.parentNode).addClass(‘selecionado’); var tl = $(this).attr(‘title’); reloadAnalitics(); switch (tl) { case ‘Notícia’: $(‘#abanoticia’).show(); $(‘#items_noticia’).show(); break; case ‘Vídeo’: $(‘#abavideo’).show(); break; case ‘Foto’: $(‘#abafoto’).show(); if (!gld) { if($.browser.msie && /6.0/.test(navigator.userAgent)) { tt = setTimeout(“workaroundIE6();”, 500); } else { $(‘#thumbs > a > b > img’).each(function(i, item){ $(item).attr(‘src’, $(item).attr(‘srci’)); }) var igg = $(‘#viewimg > img’).eq(0); igg.attr(‘src’, igg.attr(‘srci’)); } gld = true; } break; case ‘Gráfico’: $(‘#abainfografico’).show(); $(“#grfbox”).click(); break; } }) }); $(“#grfbox”).fancybox({‘hideOnContentClick’:true, ‘imageScale’:false, ‘centerOnScroll’:false, ‘overlayShow’:true, ‘frameWidth’:720, ‘frameHeight’:480, ‘callbackOnClose’:function(){ $(‘#abas > li:first > a’).click(); }}); function workaroundIE6() // i luv this browser { var igg = $(‘#viewimg > img’).eq(0); igg.attr(‘src’, igg.attr(‘srci’)); if (!items) items = $(‘#thumbs > a > b > img’); var item = items.eq(iic) item.attr(‘src’, item.attr(‘srci’)); if (tt) clearTimeout(tt); if (! (iic++ >= items.lenght) ) tt = setTimeout(“workaroundIE6();”, 250); }
Igor Silveira
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, era o nome ideal para sucedê-lo no Palácio do Planalto, nem mesmo os mais otimistas militantes do Partido dos Trabalhadores imaginavam que a candidata petista estaria tão bem nas pesquisas a pouco menos de quatro meses das eleições presidenciais. O levantamento realizado pelo CNI/Ibope, divulgado na última quarta-feira, pegou de surpresa os coordenadores da campanha da ex-ministra. Eles não esperavam, nesse momento, um desempenho tão bom da presidenciável. A vantagem de cinco pontos percentuais sobre o tucano José Serra é uma clara demonstração de que o planejamento da campanha de Dilma vai de vento em popa, enquanto a do ex-governador de São Paulo esbarra em sucessivos problemas.
Os tucanos viram a campanha de José Serra desandar quando o mineiro Aécio Neves rechaçou a possibilidade de ser vice na chapa. O ex-governador de Minas Gerais era o nome considerado ideal porque, segundo acreditavam integrantes do PSDB, seria decisivo para a vitória no estado, o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 14 milhões de eleitores. Com a resposta negativa de Aécio, a demora na indicação de outro nome irritou partidos aliados e membros da própria legenda.
A situação ficou ainda mais complicada com o anúncio, na sexta-feira, de que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) era o escolhido por Serra. O DEM, presidido pelo deputado federal fluminense Rodrigo Maia, ameaça romper a aliança se não puder indicar o nome para a chapa. Maia diz que a legenda só aceitaria uma chapa “puro sangue” se o nome do vice fosse o de Aécio Neves. Para tentar resolver a crise na campanha tucana, uma reunião será realizada amanhã entre os integrantes do PSDB, DEM, PPS e PDT. Os tucanos voltarão a defender o nome de Álvaro Dias.
Para o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA), um dos principais aliados de José Serra no Congresso, esses impasses são naturais e a campanha tucana corre dentro do planejado. “É legítimo o DEM querer reivindicar um nome para a vaga, mas tenho certeza de que o interesse público nacional e o desejo de vitória levarão a uma solução positiva. Nós temos uma estratégia definida. Queremos forçar, de forma absoluta, a comparação entre Serra e Dilma. Temos um candidato preparado e que tem condições de enfrentar qualquer debate, com posições claras sobre as questões nacionais. Quanto à Dilma, nem o PT sabe direito o que ela é”, afirma Magalhães.
Crescimento
Se do lado do PSDB, todos tentam dar a impressão de que a campanha de Serra vai bem, do lado petista, os coordenadores vibram com a fluência dos planos para levar Dilma Rousseff à Presidência da República. No entendimento dos dirigentes do PT, a candidata de Lula terá um crescimento ainda maior com a entrada oficial do presidente na campanha, que deve ocorrer logo após a Copa do Mundo, a partir de 12 de julho.
A ex-ministra-chefe da Casa Civil conseguiu aproveitar bem a imagem de Lula enquanto ela ainda estava no governo. Quando Lula começar, de fato, a pedir votos para Dilma, a candidatura dela deve decolar de vez. Pelo menos, é o que acredita a liderança petista.
O presidente da legenda, José Eduardo Dutra, garante que ainda não há uma data definida para a entrada do presidente da República na campanha. Ele também não revela se a primeira aparição de Dilma e Lula será em um evento público ou em um encontro fechado para militantes do PT. No entanto, tem certeza de que o sucesso será imediato. “O peso de Lula para a campanha de Dilma é o de quem tem 84% de aprovação do governo”, ressalta.
Dutra acredita que a conciliação entre a agenda presidencial e a de campanha não será um problema para Lula. O presidente, de acordo com o líder petista, deve comparecer a eventos com Dilma somente aos fins de semana. Porém, não descarta aparições de Lula em compromissos durante a semana quando houver coincidências de cidades e horários.
“Estamos no caminho certo. Quando as alianças nos estados se consolidarem, vamos analisar o mapa político brasileiro e traçar as nossas prioridades. O presidente subirá nos palanques junto com a ministra Dilma. No entanto, a participação de Lula em eventos para ajudar candidatos a governos estaduais é uma decisão que não passa por nós, da campanha. Essa é uma decisão única e exclusiva do presidente”, concluiu Dutra.
Retratos opostos
Conquistas de Dilma
Ainda que com alguns problemas estaduais, o PT manteve a aliança com o PMDB e fortaleceu a relação entre as legendas com a indicação do peemedebista Michel Temer para vice na chapa de Dilma Rousseff. O PT chegou a intervir em Minas Gerais e no Maranhão para garantir o sucesso da parceria
As alianças formais entre o PT, PMDB, PDT e outros partidos garantem um bom tempo de televisão para a propaganda do plano de governo de Dilma. O presidente do PP, senador Francisco Dornelles, que chegou a ser cogitado como vice na chapa de Serra, anunciou apoio informal ao PT
Aécio Neves, uma das principais estrelas do PSDB, não aceitou ser vice de Serra. O neto de Tancredo Neves vai concorrer a uma cadeira no Senado
Os coordenadores da campanha de Dilma não queriam que ela ultrapassasse Serra nas pesquisas antes da convenção do PSDB. Eles temiam que o ex-governador de São Paulo recuasse e desse lugar a Aécio Neves, adversário considerado mais forte pelos petistas. De fato, Dilma só ultrapassou Serra nas últimas sondagens, depois da opção formal por Serra
Dilma conseguiu aproveitar o máximo que podia da imagem do presidente Lula enquanto ela ainda era ministra-chefe da Casa Civil
Derrapagens de Serra
O PSDB não conseguiu aumentar o leque de alianças como havia planejado. Além do antigo aliado DEM, o PTB foi a única aquisição de peso para a coligação tucana
Mesmo com todos os apelos da cúpula do partido, Aécio Neves negou o convite para ser vice na chapa tucana. Aécio era considerado fundamental para que Serra vencesse em Minas Gerais. Nas últimas eleições presidenciais, o candidato que ganhou no estado mineiro, segundo maior colégio eleitoral nacional, levou a faixa de Presidente da República
Quando José Serra apareceu disparado na liderança das pesquisas de intenção de voto, ano passado, os caciques do PSDB tinham a certeza de que Dilma Rousseff não conseguiria tirar a vantagem. Estavam enganados. Além de ser ultrapassado pela petista antes da entrada oficial do presidente Lula na campanha, Serra ainda viu seu rendimento ser desidratado até no eleitorado feminino, onde tinha grande frente
A indecisão na escolha do vice na chapa tucana criou enorme mal-estar entre todos os partidos da aliança. Com os rumores de que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) seria o escolhido para a vaga, o DEM ameaça romper com o partido de José Serra
Faz falta para o PSDB um palanque mais consistente no Rio de Janeiro. Lá, ao apoiar Fernando Gabeira como candidato ao governo estadual, os tucanos precisam dividir espaço com o PV, de Marina Silva
por master | 28/06/10 | Ultimas Notícias
Negociação para acabar com a crise começou ontem em almoço no Rio, no qual ficou acertado que presidenciável precisa sinalizar ainda hoje que vai enquadrar correligionários que resistem a abrir mão de suas candidaturas para democratas nos Estados
Eugênia Lopes – O Estado de S.Paulo

Panos quentes. ‘A primeira coisa é sentar e fazer uma avaliação. Não pode ter esse cabo de força’, diz Guerra
A crise deflagrada entre o PSDB e o DEM, que ameaçou romper a romper a aliança com o presidenciável tucano José Serra, deve chegar ao fim nas próximas horas, com o recuo dos democratas e a consolidação da chapa puro-sangue da oposição na disputa pelo Planalto.
Depois de ensaiar por três dias uma rebelião contra a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para ocupar o cargo de vice-presidente na chapa do tucano, os líderes do DEM pretendem se reunir ainda hoje com Serra para tentar encerrar o impasse na aliança entre os dois partidos.
“Vamos conversar para que a gente possa avançar de forma unida na campanha do Serra. Nós queremos a vitória do Serra”, afirmou ontem o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). “O partido está 100% unido, esperando que o PSDB entenda que precisa dialogar, conversar.” Na véspera, Maia deu duras declarações admitindo apenas a hipótese de o vice de Serra sair dos quadros do DEM.
Almoço. As negociações para acabar com crise começaram ontem à tarde, no Rio, em um almoço oferecido por Rodrigo Maia a nove integrantes da cúpula do DEM. Numa reunião de cerca de cinco horas, o partido discutiu as saídas para desfazer o mal-estar com os tucanos. Ficou acertado que Serra precisa sinalizar ainda hoje que vai enquadrar os tucanos que resistem a abrir mão de suas candidaturas para o DEM nos Estados. O maior imbróglio é no Pará e em Sergipe.
Na reunião, o partido se dividiu em dois grupos. Um deles, mais radical, defendeu o fechamento de questão em torno da tese de que o vice de Serra tinha de ser do DEM. Faziam parte desse grupo os deputados José Carlos Aleluia (BA), um dos cotados do partido para ser o vice do tucano, e Ronaldo Caiado (GO), além do ex-prefeito Cesar Maia.
Prevaleceu, no entanto, a tese da ala mais moderada e numerosa: a necessidade de um encontro com o presidenciável para tratar das alianças nos Estados e mostrar que o DEM tem sérias dificuldades em aceitar o nome de Álvaro Dias. No almoço, os líderes do partido avaliaram que foi péssima a repercussão interna com a escolha de Dias para vice.
Preocupado, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), telefonou duas vezes, durante o almoço, para Rodrigo Maia. Deixou claro que, se for necessário, o PSDB vai enquadrar os dissidentes, a exemplo do que foi feito pelo PT da presidenciável Dilma Rousseff.
“O DEM está firme na indicação do vice. É a condição dele para votar no Serra. E o PSDB indicou o Álvaro Dias. A primeira coisa é sentar e fazer uma avaliação. Não pode ter esse cabo de força”, argumentou Guerra.
“Esperamos que o DEM, como parceiro importante do projeto de vitória da candidatura Serra, compreenda que essa escolha é extremamente benéfica não só no Paraná, mas também no resto do Brasil”, emendou o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA), um dos articuladores da campanha de Serra.
Kassab. O encontro previsto para hoje com Serra deverá ser com o presidente do Conselho Político do DEM e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-presidente partido Jorge Bornhausen, além de Rodrigo Maia. Os democratas definiram ontem que a convenção do DEM só será realizada nesta quarta-feira caso os dois partidos cheguem a um acordo.
por master | 28/06/10 | Ultimas Notícias
Horas depois de ser indicado pela cúpula tucana para ser o vice na chapa presidencial de José Serra, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) já rateou. Prevendo resistências do DEM a seu nome, Dias declarou nesta sexta-feira (25), em Cuiabá (MT), que não aceitará o posto caso as turbulências permaneçam.
Segundo o tucano, caso os “demos” se mantenha irredutível quanto à indicação do seu nome, ele cederá para preservar a aliança. “Se o DEM tiver que sair, saio eu”, reforçou. “É normal que o DEM aspire à posição. É legítimo, mas sempre vai prevalecer a vontade da maioria. Até onde eu sei há um aval positivo dos nossos aliados. O DEM é um partido da base e imprescindível ao nosso projeto”.
Em meio à crise aberta com o DEM – que não aceita a chapa puro-sangue tucana –, o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), divulgou uma nota oficial extremamente sintética para explicar a escolha do partido. “O PSDB sugeriu hoje o nome do senador Alvaro Dias como candidato à vice presidente na chapa de José Serra. Alvaro é um senador de grande coerência e capacidade. Ele ajuda a dignificar o Parlamento brasileiro. Sua indicação está sendo apreciada por líderes e presidentes dos partidos coligados”, diz a nota.
O fator Paraná
Ainda na sexta, poucas horas depois da indicação de Alvaro Dias, o presidente do DEM, Rodrigo Maia, disse que o seu partido não aceitará nenhuma indicação do PSDB para a vaga de vice. Segundo Maia, a única opção que o DEM aceita no PSDB é o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves. Fora ele, o nome deve sair do DEM.
Maia aconselhou o PSDB a resolver o problema da aliança no Paraná, que seria contornado com a indicação de Dias para a vice de Serra, indicando o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), para disputar o Senado e dando a vaga de candidato ao governo do Paraná para Osmar Dias (PDT).
“Eles podem resolver o problema do Paraná entre eles. Não controlaram o Beto e agora querem usar a aliança nacional para resolver? O problema do Serra está no Sudeste e no Nordeste. Saíram duas pesquisas. Será que eles não entenderam isso?”, perguntou Maia. “Se eles querem abrir mão, que abram no Paraná com o braço deles, e não com o meu.”
A indicação de Dias para vice de Serra faria, em tese, com que Osmar Dias (PDT), seu irmão, desistisse da disputa ao governo e saísse ao Senado na chapa de Richa. Dessa forma, ficaria inviabilizado o palanque da petista Dilma Rousseff no Paraná, que hoje teria Osmar Dias como candidato ao governo.
Fim da coligação
Pelo Twitter, o vice-presidente democrata, deputado Ronaldo Caiado (GO), disse que defenderá o cancelamento da aliança entre PSDB e DEM. “Com um aliado desse, o Democratas não precisa de inimigo”, disse. Caiado classificou a escolha de Dias – “senador sem voto e odiado pelos professores” – como “golpe” e disse que o DEM soube da notícia apenas pelo Twitter. “Tudo que os adversários queriam era isso, essa atitude inconsequente de tirar a vice do Democratas.”
A cúpula do PSDB bem que tentou, ao longo do dia, minimizar a revolta do aliado DEM e com a forma pela qual a notícia veio à tona – via Twitter do presidente do PTB, Roberto Jefferson. Mas o dano causado foi muito além do que o comando da campanha poderia supor.
À noite, o entorno de Serra já discutia seriamente a possibilidade de rever a escolha. Em meio à chuva de declarações iradas dos “demos”, chamou a atenção o silêncio do deputado José Carlos Aleluia – justamente o nome do partido mais bem colocado na lista de possíveis vices de Serra. Já o presidente do PPS, Roberto Freire, ironizou: “Só o PSDB, com seu tino de marketing, para indicar vice em dia jogo do Brasil”.
por master | 28/06/10 | Ultimas Notícias
Indefinição de Osmar se reflete nas convenções de PT e PMDB, que adiam formalização de coligação com o PDT. Lideranças acham que anúncio de vice de Serra é factoide
PMDB e PT decidiram ontem adiar mais uma vez a definição sobre uma eventual aliança com o PDT do senador Osmar Dias na eleição para o governo estadual. Lideranças dos partidos acreditam que a indicação do senador Alvaro Dias (PSDB) para vice na chapa do tucano José Serra à Presidência não passa de um factoide.
A indicação de Alvaro, irmão de Osmar, pode fazer com que o pedetista desista de concorrer ao Palácio Iguaçu. Isso é cogitado porque Osmar, ao se aliar ao PT e PMDB, estaria dando palanque à candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, contra seu próprio irmão.
Considerando que o anúncio de Alvaro como vice de Serra é um factoide, delegados petistas e peemedebistas, em vez de aproveitar as convenções estaduais partidárias realizadas neste domingo para anunciar as candidaturas e composições, aprovaram apenas uma carta branca dando aos diretórios estaduais dos dois partidos plenos poderes para resolver, até a data limite de quarta-feira, prevista pela Lei Eleitoral, quais devem ser os candidatos e as coligações. O PDT já havia dado carta branca à executiva estadual em sua convenção, realizada no início do mês.
O anúncio de que a decisão final seria mais uma vez adiada veio depois de uma sequência de quatro reuniões – em que cada indicativo de acordo era sucedido de uma nova reviravolta. Em 24 horas, da manhã de sábado à manhã de domingo, aconteceram sinalizações de consenso que não se confirmaram. O senador Osmar Dias (PDT) chegou a dizer que seria candidato ao governo, com o apoio do PMDB e do PT. Depois, o governador Orlando Pessuti (PMDB) declarou que seria candidato em uma chapa pura. Uma coletiva de imprensa para anunciar a decisão foi aventada, mas não realizada.
O primeiro encontro ocorreu na manhã de sábado e se estendeu até a tarde. Depois de uma pausa para o almoço, as tratativas recomeçaram e foram interrompidas no início da noite. Logo após retomadas, persistiram sem solução até a madrugada de domingo.
Já na manhã de ontem, com as convenções já abertas, uma nova conversa foi marcada, às pressas, tendo por “molho” duas reportagens que embolaram ainda mais as negociações. Osmar teria citado as declarações dadas pelo irmão que aparecem em repotagem da Gazeta do Povo de domingo: “Vai pesar para o Osmar o fato de que é a primeira oportunidade que o Paraná tem no âmbito nacional de ocupar um lugar de destaque. Ele certamente terá constrangimento em impedir que isso ocorra”, disse Alvaro. Já a revista Veja, que circulou no fim de semana, trouxe uma reportagem em que Pessuti é acusado de ser funcionário fantasma da Assembleia Legislativa do Paraná.
Para peemedebistas ouvidos pela reportagem na convenção, a indicação de Alvaro não parece fazer sentido. “Primeiro, tinha de ser alguém do Nordeste, para reforçar a candidatura de Serra onde ele tem menor intenção de voto. Se não fosse possível, pela ordem, deveria ser uma mulher ou alguém do Democratas”, especula o deputado federal Osmar Serraglio.
O deputado estadual Caíto Quintana foi ainda mais enfático na avaliação do que chamou de factoide. “Eu acho que o que está emperrando é um blefe de que o senador Alvaro será vice do Serra. Isso não nos constrange de forma nenhuma mas cria uma dificuldade para o PDT, já que o Osmar é irmão do Alvaro. Por isso, a gente quer dar um tempo, já que estão brincando com isso, que confirmem o Alvaro então, o que acho que não vai acontecer”, declarou.
Quando chegou à convenção do PMDB, por volta de meio-dia, Pessuti disse que a tendência naquele momento era de que o senador Osmar Dias não seria candidato ao governo por conta do constrangimento pessoal causado pela eventual candidatura do irmão a vice na chapa de José Serra. “Está dependendo de nós conversarmos um pouco mais”, respondeu, quando foi questionado sobre o que poderia definir a questão. “Nós demos ao senador Osmar Dias esse prazo de mais dois ou três dias”, completou Pessuti.