por master | 12/01/12 | Ultimas Notícias
Atualização do IPCA, principal índice de preços do país, incorpora novos hábitos do brasileiro e passa a valer neste mês
Educação perde importância no cálculo e deve fazer inflação ficar mais baixa neste início de ano
MARIANA CARNEIRO
DE SÃO PAULO
A inflação teria sido menor em 2011 se o novo cálculo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) já estivesse sendo aplicado.
A atualização do principal índice de preços do país, usado como referência pelo governo para definir a meta de inflação, começa a valer a partir deste mês.
Simulação feita por economistas ouvidos pela Folha indicam que a inflação, em vez de ter fechado o ano em 6,5%, poderia ter ficado entre 6% e 6,1% se a nova estrutura tivesse sido aplicada.
Em outras palavras, se o cálculo da inflação já incorporasse os novos hábitos de consumo do brasileiro, o custo de vida teria subido menos no ano passado.
“A demora em incorporar as mudanças no consumo fez com que estivéssemos carregando uma inflação mais alta, que não aconteceu”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.
O IBGE divulgou ontem a estrutura definitiva do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que vai vigorar a partir deste ano. Ela utiliza informações de pesquisa feita entre 2008 e 2009. Até então, a inflação usava como parâmetro estudo feito em 2002 e 2003.
Para economistas, a perda de peso da educação no novo cálculo da inflação é determinante para o recuo estimado em 2011.
A educação tinha peso de 7,21% na inflação até o ano passado e passou a responder por 4,37% no cálculo atual. Segundo o IBGE, isso ocorre porque, em média, as famílias estão gastando uma parte menor do seu orçamento com essa despesa.
Em 2011, esse serviço subiu 8% e foi um dos que mais contribuíram para a alta dos preços. Com menos peso, aumentos de preço nesse grupo terão menos importância para o cálculo do custo de vida.
EDUCAÇÃO PERDE
A perda de importância da educação provocou ainda previsões de inflação mais moderada neste ano, sobretudo no primeiro trimestre, quando ocorrem reajustes de mensalidades escolares.
Segundo o economista Fábio Ramos, da Quest Investimentos, os serviços, que estavam superestimados no cálculo da inflação até dezembro, encolheram sua participação no índice. Um exemplo é a refeição fora de casa, que perdeu peso e também deve contribuir para uma inflação mais moderada.
Grande parte dos economistas avalia que a atualização do IPCA resultará numa inflação mais baixa em 2012, o que ajuda o o trabalho do Banco Central. Para Ramos, entretanto, a alteração do cálculo não pode ser interpretada como proposital.
“Essa atualização ocorre sempre, em todos os países. Estão discutindo isso agora porque a inflação está no teto da meta [estipulada pelo governo, de 4,5% com tolerância de até 6,5%].”
por master | 12/01/12 | Ultimas Notícias
Atualização do IPCA, principal índice de preços do país, incorpora novos hábitos do brasileiro e passa a valer neste mês
Educação perde importância no cálculo e deve fazer inflação ficar mais baixa neste início de ano
MARIANA CARNEIRO
DE SÃO PAULO
A inflação teria sido menor em 2011 se o novo cálculo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) já estivesse sendo aplicado.
A atualização do principal índice de preços do país, usado como referência pelo governo para definir a meta de inflação, começa a valer a partir deste mês.
Simulação feita por economistas ouvidos pela Folha indicam que a inflação, em vez de ter fechado o ano em 6,5%, poderia ter ficado entre 6% e 6,1% se a nova estrutura tivesse sido aplicada.
Em outras palavras, se o cálculo da inflação já incorporasse os novos hábitos de consumo do brasileiro, o custo de vida teria subido menos no ano passado.
“A demora em incorporar as mudanças no consumo fez com que estivéssemos carregando uma inflação mais alta, que não aconteceu”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.
O IBGE divulgou ontem a estrutura definitiva do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que vai vigorar a partir deste ano. Ela utiliza informações de pesquisa feita entre 2008 e 2009. Até então, a inflação usava como parâmetro estudo feito em 2002 e 2003.
Para economistas, a perda de peso da educação no novo cálculo da inflação é determinante para o recuo estimado em 2011.
A educação tinha peso de 7,21% na inflação até o ano passado e passou a responder por 4,37% no cálculo atual. Segundo o IBGE, isso ocorre porque, em média, as famílias estão gastando uma parte menor do seu orçamento com essa despesa.
Em 2011, esse serviço subiu 8% e foi um dos que mais contribuíram para a alta dos preços. Com menos peso, aumentos de preço nesse grupo terão menos importância para o cálculo do custo de vida.
EDUCAÇÃO PERDE
A perda de importância da educação provocou ainda previsões de inflação mais moderada neste ano, sobretudo no primeiro trimestre, quando ocorrem reajustes de mensalidades escolares.
Segundo o economista Fábio Ramos, da Quest Investimentos, os serviços, que estavam superestimados no cálculo da inflação até dezembro, encolheram sua participação no índice. Um exemplo é a refeição fora de casa, que perdeu peso e também deve contribuir para uma inflação mais moderada.
Grande parte dos economistas avalia que a atualização do IPCA resultará numa inflação mais baixa em 2012, o que ajuda o o trabalho do Banco Central. Para Ramos, entretanto, a alteração do cálculo não pode ser interpretada como proposital.
“Essa atualização ocorre sempre, em todos os países. Estão discutindo isso agora porque a inflação está no teto da meta [estipulada pelo governo, de 4,5% com tolerância de até 6,5%].”
por master | 12/01/12 | Ultimas Notícias
Há pouco tempo, as empresas buscavam contratar profissionais jovens, cheios de energia e flexibilidade para trabalhar. Agora, em consequência da crise internacional e do crescente papel do Brasil no cenário mundial, parece ter chegado a vez da experiência. E, para cargos de mais responsabilidade, nada melhor do que a vivência dos aposentados. Eles têm ocupado cada vez mais espaço no mercado de trabalho.
Uma pesquisa da Hays, especializada em recrutamento para média e alta gerência, revelou que 20% das empresas já contratam profissionais aposentados. O levantamento foi feito com cem companhias de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas. A pesquisa apurou que 50% das contratações de aposentados ocorrem por necessidade de mão de obra especializada para projetos específicos.
O engenheiro químico Jairo Faria, de 58 anos, morador de São Bernardo do Campo, no ABC, é um exemplo de aposentado que voltou a brilhar no trabalho. Com o declínio da profissão, em 1997, ele deixou de trabalhar na sua especialidade, virou autônomo, lidou com vendas e foi funcionário público. Em 2007, Faria decidiu se aposentar, mas agora está de volta à ativa, como engenheiro químico. “Eu resgatei meus colegas do passado, e obtive uma nova oportunidade. Hoje, sinto-me bem.”
Faria diz que antes achava que um profissional parava com 50 anos. “Agora, eu sei que dá para ir até os 70, com tranquilidade. Não há restrição. Basta ter conhecimento, atualizar-se sempre e saber lidar com as pessoas”, ensina.
Cargos técnicos/ A pesquisa mostrou que 72% das empresas que contrataram aposentados estavam interessadas na experiência deles em cargos técnicos, mas não é só: 33% os trouxeram para a diretoria; 28% para gerência; 17% para conselhos; e 6% para a presidência.
O setor de serviços, com 25%, é o mais interessado em aposentados, seguido pelo de bens de consumo, com 10%, o de telecomunicações, com 8%, e o farmacêutico, com 7%.
André Magro, gerente de experiência em RH, afirma que muitas empresas, com crescimento acelerado, não dispõem de tempo para formar dentro de casa profissionais para a nova realidade e optam por contratar aposentados experientes.
“Nós percebemos, nos últimos tempos, uma realidade de concorrência forte, prazos menores e pressão por resultados”, afirma Magro, para justificar a opção de trazer de volta profissionais com experiência para o mercado. Ele acrescenta:
“A contratação de aposentados pode ser o início de uma tendência, vai virar um procedimento normal em três anos.”
Em 2030, 16,2 milhões terão mais de 65 anos
A força de trabalho do Brasil em 2030 terá 16,2 milhões de pessoas com mais de 65 anos, o equivalente a 19,7% da população. É o que diz pesquisa da Hays e da Oxford Economics. O país será o quarto no ranking daqueles com maior número de idosos, atrás apenas da China, da Índia e dos Estados Unidos. O mundo terá um bilhão de pessoas a mais no mercado de trabalho em 2030, mas esse contingente estará nos países em desenvolvimento.
O estudo propõe medidas para equilibrar o mercado global. Além de manter as fronteiras abertas para o movimento da mão de obra e estabelecer um código internacional que facilite a migração, os pesquisadores querem as pessoas com mais tempo no mercado em atividade.
O estudo parte do pressuposto de que as economias desenvolvidas vão ser mais dependentes da contribuição dos trabalhadores velhos. “Muitos países, como o Reino Unido, já aprovaram legislações antidiscriminação para permitir que pessoas mais experientes permaneçam empregadas e produtivas”, afirma o texto.
Segundo Magro, empresas menores, menos burocratizadas, interessam-se mais por aposentados. Eles podem não ser contratados, mas vão prestar consultorias. Devem procurar empresas de recrutamento e ser ativos nas redes sociais da internet para obter a recolocação.
por master | 12/01/12 | Ultimas Notícias
Há pouco tempo, as empresas buscavam contratar profissionais jovens, cheios de energia e flexibilidade para trabalhar. Agora, em consequência da crise internacional e do crescente papel do Brasil no cenário mundial, parece ter chegado a vez da experiência. E, para cargos de mais responsabilidade, nada melhor do que a vivência dos aposentados. Eles têm ocupado cada vez mais espaço no mercado de trabalho.
Uma pesquisa da Hays, especializada em recrutamento para média e alta gerência, revelou que 20% das empresas já contratam profissionais aposentados. O levantamento foi feito com cem companhias de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas. A pesquisa apurou que 50% das contratações de aposentados ocorrem por necessidade de mão de obra especializada para projetos específicos.
O engenheiro químico Jairo Faria, de 58 anos, morador de São Bernardo do Campo, no ABC, é um exemplo de aposentado que voltou a brilhar no trabalho. Com o declínio da profissão, em 1997, ele deixou de trabalhar na sua especialidade, virou autônomo, lidou com vendas e foi funcionário público. Em 2007, Faria decidiu se aposentar, mas agora está de volta à ativa, como engenheiro químico. “Eu resgatei meus colegas do passado, e obtive uma nova oportunidade. Hoje, sinto-me bem.”
Faria diz que antes achava que um profissional parava com 50 anos. “Agora, eu sei que dá para ir até os 70, com tranquilidade. Não há restrição. Basta ter conhecimento, atualizar-se sempre e saber lidar com as pessoas”, ensina.
Cargos técnicos/ A pesquisa mostrou que 72% das empresas que contrataram aposentados estavam interessadas na experiência deles em cargos técnicos, mas não é só: 33% os trouxeram para a diretoria; 28% para gerência; 17% para conselhos; e 6% para a presidência.
O setor de serviços, com 25%, é o mais interessado em aposentados, seguido pelo de bens de consumo, com 10%, o de telecomunicações, com 8%, e o farmacêutico, com 7%.
André Magro, gerente de experiência em RH, afirma que muitas empresas, com crescimento acelerado, não dispõem de tempo para formar dentro de casa profissionais para a nova realidade e optam por contratar aposentados experientes.
“Nós percebemos, nos últimos tempos, uma realidade de concorrência forte, prazos menores e pressão por resultados”, afirma Magro, para justificar a opção de trazer de volta profissionais com experiência para o mercado. Ele acrescenta:
“A contratação de aposentados pode ser o início de uma tendência, vai virar um procedimento normal em três anos.”
Em 2030, 16,2 milhões terão mais de 65 anos
A força de trabalho do Brasil em 2030 terá 16,2 milhões de pessoas com mais de 65 anos, o equivalente a 19,7% da população. É o que diz pesquisa da Hays e da Oxford Economics. O país será o quarto no ranking daqueles com maior número de idosos, atrás apenas da China, da Índia e dos Estados Unidos. O mundo terá um bilhão de pessoas a mais no mercado de trabalho em 2030, mas esse contingente estará nos países em desenvolvimento.
O estudo propõe medidas para equilibrar o mercado global. Além de manter as fronteiras abertas para o movimento da mão de obra e estabelecer um código internacional que facilite a migração, os pesquisadores querem as pessoas com mais tempo no mercado em atividade.
O estudo parte do pressuposto de que as economias desenvolvidas vão ser mais dependentes da contribuição dos trabalhadores velhos. “Muitos países, como o Reino Unido, já aprovaram legislações antidiscriminação para permitir que pessoas mais experientes permaneçam empregadas e produtivas”, afirma o texto.
Segundo Magro, empresas menores, menos burocratizadas, interessam-se mais por aposentados. Eles podem não ser contratados, mas vão prestar consultorias. Devem procurar empresas de recrutamento e ser ativos nas redes sociais da internet para obter a recolocação.
por master | 12/01/12 | Ultimas Notícias
Um grupo de 18 alunos que trabalham como carroceiros e carrinheiros na zona Sul da Capital começou na segunda-feira um curso para aprender a reciclar resíduos da construção civil.
A iniciativa da ONG Solidariedade, supervisionada por professores do curso de Engenharia Civil da Ufrgs, alia responsabilidade ambiental a novas oportunidades de geração de renda. O curso também vai ensinar os alunos a identificar os depósitos clandestinos para a realização da reciclagem destes materiais.
Depois de atuar durante 12 anos como papeleiro, Antonio Carboneiro,64, dedica-se atualmente ao trabalho com crianças portadoras de necessidades especiais. Ele viu no curso uma alternativa de renda. “Porto Alegre tem 8 mil carroceiros e carrinheiros. Com a lei que determina a saída das ruas é fundamental a oferta de novas oportunidades de trabalho para a geração de renda. Esse povo todo não pode ficar simplesmente desempregado”, afirmou. “Quero ser um multiplicador desse trabalho depois de formado para mostrar a outros papeleiros uma forma de trabalho que também é ambientalmente correta”, ressaltou.
O coordenador da ONG Solidariedade, Sergio Amaral, destacou que mais seis turmas devem ser abertas durante o ano. “Queremos gerar além de uma nova oportunidade de renda, qualidade de vida. A Organização Internacional do Trabalho classificou a atividade dos catadores como um trabalho não decente, exposto a condições extremas de clima.” Os alunos que concluírem o curso serão posteriormente cadastrados pela Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local. “Durante o ano, vamos realizar um levantamento do perfil destas famílias para adequá-las em outros projetos de geração de renda”, disse o secretário-adjunto, Marcos Botelho.