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JUSTIÇA SOCIAL

Salário mínimo foi colocado em camisa de força

Salário mínimo foi colocado em camisa de força

REAJUSTE POR DECRETO
Por Camila Ribeiro de Mendonça
O salário mínimo será fixado por decreto da Presidência da República até 2015 e não há nenhuma ilegalidade no fato, como entendeu a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Mas para o ministro Marco Aurélio, voto vencido no dia do julgamento, “na lei que foi editada para viger até 2015 –, colocou-se o salário mínimo numa camisa de força”.
 
Marco Aurélio entendeu que há conflito com o teor do inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal (salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender as suas necessidade vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim).
Segundo ele, “a projeção no tempo alcança, Presidente – quanto ao que denominei como “camisa de força”, em que colocado o salário mínimo, quando somente poderá ser norteado pela inflação e pelo PIB –, o crescimento real do PIB, o ano de 2015. O artigo 4º da lei prevê que, em 2015, o todo poderoso Poder Executivo constituirá grupo interministerial, sob coordenação do Ministério do Trabalho e Emprego, encarregado de definir e implementar sistemática de monitoramento e avaliação da política de valorização do salário mínimo”.
Para o ministro, a Lei 12.382/2011 faz com que “persista a patologia política que é a inapetência normativa do Congresso – de um poder contido na Constituição Federal, de fixar periodicamente, mediante lei – considerados fatores que não poderíamos colocar em um rol exaustivo –, o salário mínimo objetivando as finalidades previstas pedagogicamente no inciso IV do artigo 7º”.
Desse modo, segundo Marco Aurélio, passa a haver, quanto ao salário mínimo, “automaticidade incompatível com a mobilidade encerrada no inciso IV, já que os parâmetros de reajuste, durante esses próximos quatro anos, estarão a reinar, não se podendo cogitar de outros aspectos que direcionem à modificação desse quantitativo vital à sobrevivência do trabalhador e a um bem-estar mínimo – diria minimorum – da família”.
A ministra relatora do caso, Carmen Lúcia, rebateu o argumento de que, para que o Executivo tivesse a faculdade de divulgar o valor do mínimo, haveria necessidade de uma lei delegada. Cármen Lúcia explicou que a Lei 12.382 é uma lei ordinária, que pode ser revogada ou modificada já no ano seguinte à sua edição, não engessando o poder do Congresso de deliberar sobre o assunto. “A lei emana do Congresso Nacional que a pode revogar quando assim entender conveniente e oportuno, sem qualquer interferência do Poder Executivo”, explicou.
Ainda segundo a relatora, se não fosse designado ao Poder Executivo divulgar os valores do salário mínimo, teríamos insegurança jurídica, pois qualquer outro órgão ou a imprensa poderia divulgá-lo, aplicando a fórmula determinada pelo Congresso, porém com risco para a credibilidade, pois não seria uma divulgação oficial.
ADI 4568
Clique aqui para ler a íntegra do voto.

Camila Ribeiro de Mendonça

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Salário mínimo foi colocado em camisa de força

Economistas defendem desvalorização do real para aumentar competitividade

Encontro, que reúne petistas, aborda crise do capitalismo e desenvolvimento
 
RIO e SÃO GONÇALO DO AMARANTE (RN) – Só tem um jeito de tirar a economia brasileira do corner imposto pelo trinômio câmbio sobrevalorizado, inflação além do teto da meta e juros altos. O governo precisa ter coragem e intervir, desvalorizando o real para garantir competitividade internacional aos industrializados brasileiros. A proposta é do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, que, ao lado da economista Maria da Conceição Tavares e do ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, participou, nesta segunda-feira, do seminário “A crise do capitalismo e o desenvolvimento no Brasil”.
 
O encontro foi a versão petista da reunião realizada pelos tucanos no início do mês para discutir crise global e reuniu líderes de PT, PCdoB, PDT e PSB.
 
Bresser defendeu um câmbio “flutuante administrado” entre R$ 2,30 e R$ 2,40, bem acima do atual R$ 1,90. Só assim, disse, seria possível elevar a taxa de investimento anual no país para 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, a taxa é de 17%.
 
— Vivemos o momento ideal para mexer no câmbio — disse, admitindo, porém, que isso pressionaria a inflação para cima e os salários para baixo. — Mas é uma situação rapidamente recuperável, já que a economia vai crescer impulsionada pela maior taxa de crescimento.
Para garantir o sucesso da proposta, Bresser concorda com Lessa que é preciso taxar os importados.
 
— Com a taxação, teríamos um preço interno e outro externo. Caso contrário, vamos deixar a indústria nacional desprotegida — defende Lessa.
 
Ainda que apoie a mudança no câmbio, Conceição Tavares acha que não é suficiente.
 
— Mas não pode ser feito à galega, senão acaba com os salários — disse a economista, defendendo medidas protecionistas contra a invasão de produtos chineses.
 
— Pode-se fazer por tarifas, subsídios. — afirmou. — É que eles (os chineses) mentem, dizem que vão fazer e não fazem.
Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o papel do Estado não deve apenas ser resumido no controle das taxas de câmbio e de juros: é preciso regulação em várias áreas.
 
— Questões como a proteção do consumidor, como o aumento dos oligopólios, o papel do Estado na oferta de serviços universais, além de questões como regulação das tarifas bancárias e do preço da energia; qualquer projeto do governo deve ir além e pensar nas outras esferas — afirmou o secretário-executivo.
Barbosa também afirmou que o Brasil tem muitos desafios, como a questão tributária e como atender a uma nova classe média, que demanda serviços. Segundo ele, a situação internacional é difícil, mas o Brasil tem boas condições, já que tem recursos para desenvolver seus investimentos e há expectativas de crescimento da classe C.
 
Dilma: país tem recursos se ‘crédito secar lá fora’
 
Em São Gonçalo do Amarante (RN), a presidente Dilma Rousseff também garantiu ontem que o Brasil tem recursos suficientes para financiar a iniciativa privada “quando o crédito secar lá fora”. Ela fez o comentário na solenidade de assinatura da primeira concessão de um aeroporto à iniciativa privada. Serão exigidos R$ 650 milhões, dos quais 20% sairão do Consórcio Inframérica e os outros 80%, do BNDES.
 
— A gente vê as notícias que acontecem no resto do mundo. Enquanto geramos empregos e estamos lutando para garanti-los, o que acontece em países que antes eram objeto de desejo do Brasil? O aumento desenfreado do desemprego, e o que é mais grave, entre os mais jovens — disse. — Estamos em um outro momento. Esse país diante de toda essa crise, tem condições de continuar crescendo.
Salário mínimo foi colocado em camisa de força

Economistas defendem desvalorização do real para aumentar competitividade

Encontro, que reúne petistas, aborda crise do capitalismo e desenvolvimento
 
RIO e SÃO GONÇALO DO AMARANTE (RN) – Só tem um jeito de tirar a economia brasileira do corner imposto pelo trinômio câmbio sobrevalorizado, inflação além do teto da meta e juros altos. O governo precisa ter coragem e intervir, desvalorizando o real para garantir competitividade internacional aos industrializados brasileiros. A proposta é do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, que, ao lado da economista Maria da Conceição Tavares e do ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, participou, nesta segunda-feira, do seminário “A crise do capitalismo e o desenvolvimento no Brasil”.
 
O encontro foi a versão petista da reunião realizada pelos tucanos no início do mês para discutir crise global e reuniu líderes de PT, PCdoB, PDT e PSB.
 
Bresser defendeu um câmbio “flutuante administrado” entre R$ 2,30 e R$ 2,40, bem acima do atual R$ 1,90. Só assim, disse, seria possível elevar a taxa de investimento anual no país para 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, a taxa é de 17%.
 
— Vivemos o momento ideal para mexer no câmbio — disse, admitindo, porém, que isso pressionaria a inflação para cima e os salários para baixo. — Mas é uma situação rapidamente recuperável, já que a economia vai crescer impulsionada pela maior taxa de crescimento.
Para garantir o sucesso da proposta, Bresser concorda com Lessa que é preciso taxar os importados.
 
— Com a taxação, teríamos um preço interno e outro externo. Caso contrário, vamos deixar a indústria nacional desprotegida — defende Lessa.
 
Ainda que apoie a mudança no câmbio, Conceição Tavares acha que não é suficiente.
 
— Mas não pode ser feito à galega, senão acaba com os salários — disse a economista, defendendo medidas protecionistas contra a invasão de produtos chineses.
 
— Pode-se fazer por tarifas, subsídios. — afirmou. — É que eles (os chineses) mentem, dizem que vão fazer e não fazem.
Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o papel do Estado não deve apenas ser resumido no controle das taxas de câmbio e de juros: é preciso regulação em várias áreas.
 
— Questões como a proteção do consumidor, como o aumento dos oligopólios, o papel do Estado na oferta de serviços universais, além de questões como regulação das tarifas bancárias e do preço da energia; qualquer projeto do governo deve ir além e pensar nas outras esferas — afirmou o secretário-executivo.
Barbosa também afirmou que o Brasil tem muitos desafios, como a questão tributária e como atender a uma nova classe média, que demanda serviços. Segundo ele, a situação internacional é difícil, mas o Brasil tem boas condições, já que tem recursos para desenvolver seus investimentos e há expectativas de crescimento da classe C.
 
Dilma: país tem recursos se ‘crédito secar lá fora’
 
Em São Gonçalo do Amarante (RN), a presidente Dilma Rousseff também garantiu ontem que o Brasil tem recursos suficientes para financiar a iniciativa privada “quando o crédito secar lá fora”. Ela fez o comentário na solenidade de assinatura da primeira concessão de um aeroporto à iniciativa privada. Serão exigidos R$ 650 milhões, dos quais 20% sairão do Consórcio Inframérica e os outros 80%, do BNDES.
 
— A gente vê as notícias que acontecem no resto do mundo. Enquanto geramos empregos e estamos lutando para garanti-los, o que acontece em países que antes eram objeto de desejo do Brasil? O aumento desenfreado do desemprego, e o que é mais grave, entre os mais jovens — disse. — Estamos em um outro momento. Esse país diante de toda essa crise, tem condições de continuar crescendo.
Salário mínimo foi colocado em camisa de força

Órgão vê redução drástica no PIB mundial

OCDE, que reúne países ricos, alerta que baixo crescimento europeu pode contaminar outras partes do mundo
Estimativa de crescimento de diversos países é cortada em relatório divulgado ontem pela entidade
DE SÃO PAULO
As lideranças mundiais precisam tomar ações decisivas, e com urgência, para evitar que o baixo crescimento europeu empurre a economia global para um cenário ainda pior de recessão.
O alerta partiu ontem da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), órgão que reúne países ricos, ao promover reduções drásticas em suas projeções de crescimento para os integrantes do grupo.
Portugal, Grécia e Itália, que já não inspiravam apostas animadoras para 2012, devem continuar a ver suas economias encolherem no ano que vem.
Mesmo no melhor dos casos, as economias de Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, não devem crescer nem 1%, quando as projeções anteriores apontavam taxas em torno de 2%.
Fora do Velho Continente, os prognósticos estão longe de melhorar. Nos EUA, a OCDE derrubou as projeções de crescimento de 3,1% para apenas 2%, mesma expectativa para a combalida economia japonesa.
“Nós estamos com receio que os líderes políticos falhem em ver a urgência de tomar ações decisivas para enfrentar os riscos reais e crescentes para a economia mundial”, afirmou o economista-chefe da instituição, Pier Carlo Padoan, no relatório publicado ontem.
“Tendo em vista a grande incerteza que as autoridades econômicas confrontam agora, eles deveriam estar preparados para enfrentar o pior.”
Esse tom é uma mudança drástica em relação ao texto de maio, quando a instituição, além de enxergar uma economia global em processo de saída do quadro recessivo, ainda recomendava políticas monetárias mais austeras, temendo que a escalada dos preços (com ênfase no petróleo) prejudicasse a recuperação mundial.
Agora, o órgão inverteu o conselho dado aos bancos centrais e governos: é preciso políticas monetárias mais relaxadas (leia-se juros mais baixos) e mais suporte da política ao crescimento, outra maneira de pedir menos impostos.
OPOSIÇÃO ALEMÃ
Por enquanto, a OCDE ainda avalia que as autoridades europeias serão hábeis para evitar o pior, isto é, a combinação de calotes financeiros, contração do crédito, quebradeiras de bancos e apertos fiscais excessivos (o cenário mais negativo possível).
Para tanto, Padoan fez eco a muitos outros economistas e autoridades europeias e pediu ação intensiva do Banco Central Europeu, algo que, por enquanto, encontra franca oposição da Alemanha.
Salário mínimo foi colocado em camisa de força

Órgão vê redução drástica no PIB mundial

OCDE, que reúne países ricos, alerta que baixo crescimento europeu pode contaminar outras partes do mundo
Estimativa de crescimento de diversos países é cortada em relatório divulgado ontem pela entidade
DE SÃO PAULO
As lideranças mundiais precisam tomar ações decisivas, e com urgência, para evitar que o baixo crescimento europeu empurre a economia global para um cenário ainda pior de recessão.
O alerta partiu ontem da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), órgão que reúne países ricos, ao promover reduções drásticas em suas projeções de crescimento para os integrantes do grupo.
Portugal, Grécia e Itália, que já não inspiravam apostas animadoras para 2012, devem continuar a ver suas economias encolherem no ano que vem.
Mesmo no melhor dos casos, as economias de Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, não devem crescer nem 1%, quando as projeções anteriores apontavam taxas em torno de 2%.
Fora do Velho Continente, os prognósticos estão longe de melhorar. Nos EUA, a OCDE derrubou as projeções de crescimento de 3,1% para apenas 2%, mesma expectativa para a combalida economia japonesa.
“Nós estamos com receio que os líderes políticos falhem em ver a urgência de tomar ações decisivas para enfrentar os riscos reais e crescentes para a economia mundial”, afirmou o economista-chefe da instituição, Pier Carlo Padoan, no relatório publicado ontem.
“Tendo em vista a grande incerteza que as autoridades econômicas confrontam agora, eles deveriam estar preparados para enfrentar o pior.”
Esse tom é uma mudança drástica em relação ao texto de maio, quando a instituição, além de enxergar uma economia global em processo de saída do quadro recessivo, ainda recomendava políticas monetárias mais austeras, temendo que a escalada dos preços (com ênfase no petróleo) prejudicasse a recuperação mundial.
Agora, o órgão inverteu o conselho dado aos bancos centrais e governos: é preciso políticas monetárias mais relaxadas (leia-se juros mais baixos) e mais suporte da política ao crescimento, outra maneira de pedir menos impostos.
OPOSIÇÃO ALEMÃ
Por enquanto, a OCDE ainda avalia que as autoridades europeias serão hábeis para evitar o pior, isto é, a combinação de calotes financeiros, contração do crédito, quebradeiras de bancos e apertos fiscais excessivos (o cenário mais negativo possível).
Para tanto, Padoan fez eco a muitos outros economistas e autoridades europeias e pediu ação intensiva do Banco Central Europeu, algo que, por enquanto, encontra franca oposição da Alemanha.