A atividade econômica brasileira perdeu força em junho. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,6% em relação a maio, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (17/8).
O resultado foi puxado principalmente pela queda da indústria e dos serviços. A atividade industrial recuou 1,4% no mês, enquanto o setor de serviços caiu 0,5%. A agropecuária, por outro lado, avançou 1%. Os impostos sobre produtos tiveram retração de 1%.
Excluindo a agropecuária, o IBC-Br apresentou queda de 0,9% em junho, indicando uma retração mais disseminada entre os demais setores da economia.
Apesar do recuo no mês, a atividade econômica ainda apresentou crescimento no segundo trimestre. O IBC-Br avançou 0,2% no trimestre encerrado em junho, na comparação com os três meses anteriores.
Na comparação com junho de 2025, o indicador cresceu 2,4%. No acumulado do ano, a alta chegou a 1,5%, enquanto, em 12 meses, o avanço também foi de 1,5%.
O IBC-Br é calculado mensalmente pelo Banco Central e funciona como um termômetro da atividade econômica. O indicador, no entanto, não substitui o PIB oficial, calculado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que utiliza uma metodologia diferente.
Finalizado o impasse em torno da tramitação, no Senado, da PEC que acaba com a escala 6×1, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo se reuniram para definir uma agenda preparatória do Dia Nacional de Mobilização pelo Fim da Escala 6×1, em 30 de agosto. O objetivo é construir uma grande jornada nacional de luta pela aprovação da proposta, uma das mais importantes para a classe trabalhadora brasileira.
A ideia é demonstrar força social e apoio popular à pauta, de maneira a pressionar os senadores a votar favoravelmente. A data escolhida antecede a semana de esforço concentrado do Congresso Nacional, entre 31 de agosto e 4 de setembro.
A PEC é uma das matérias prioritárias previstas para serem votadas nesse período e vem sendo defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela base governista ao longo do seu terceiro mandato.
Após conversas entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que destravaram o andamento do texto e de outras pautas importantes, a PEC foi encaminhada à Comissão e Constituição e Justiça da Casa. A expectativa de líderes do Senado é de que o texto possa ser votado entre o primeiro e o segundo turno das eleições.
Mobilizações pelo Brasil
Na semana da votação no Senado, as frentes defendem intensificar a pressão sobre os senadores; organizar ação simbólica no Senado, com blitz e outras iniciativas de mobilização e visibilidade e articular a presença das organizações, trabalhadores, artistas e personalidades em Brasília.
Para o 30 de agosto, Dia Nacional de Mobilização pelo Fim da Escala 6×1, a proposta é que sejam construídos atos de rua e mobilizações em todo o país, com a ampla participação das centrais sindicais, frentes, movimentos populares, juventudes, entidades nacionais, artistas e influenciadores.
Conforme comunicado das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, para viabilizar o ato, de agora até o dia 20 é o período de preparação e mobilização. Entre as ações definidas estão ampliar o diálogo e o debate interno nas organizações sobre a importância do dia 30 e a perspectiva concreta de conquista do fim da escala 6×1.
Nesse sentido, as frentes defendem a necessidade de trabalhar a aprovação como “uma vitória capaz de fortalecer e dar legitimidade à mobilização social e à agenda dos trabalhadores”.
Como forma de espalhar a mobilização para todos os pontos do país, as frentes reforçam que a decisão sobre o dia 30 deve chegar aos estados, com orientação para a construção das agendas locais.
Além disso, propõe o diálogo com artistas, personalidades e influenciadores para que se somem à convocação, com atenção especial a São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Da mesma forma, salienta a importância desse diálogo com candidaturas e lideranças políticas.
No dia 20 de agosto, será realizada uma plenária nacional, às 18 horas, com o foco no balanço das ações e fortalecimento da unidade das organizações em torno da reta final da luta pelo fim da escala 6×1.
Mais da metade dos trabalhadores brasileiros (53%) chega ao fim do mês sem dinheiro suficiente para pagar todas as despesas, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta terça-feira (18). O percentual é semelhante ao registrado em 2025, quando 54% dos entrevistados disseram estar nessa mesma situação.
Entre os trabalhadores ouvidos, 47% afirmam recorrer a algum recurso ou alternativa adicional para conseguir fechar as contas. Outros 6% terminam o mês sem dinheiro suficiente e sem recorrer a uma solução extra.
A pesquisa ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas e privadas, incluindo trabalhadores com carteira assinada e pessoas que atuam como PJ (pessoa jurídica). As entrevistas foram realizadas pela internet entre os dias 12 e 30 de junho. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.
Motivos
A alimentação foi citada por 78% dos entrevistados que não conseguem chegar ao fim do mês com dinheiro suficiente, seguida pelas contas de consumo, como água, luz e gás, mencionadas por 72%. Também aparecem entre os gastos financiamentos de imóveis ou veículos (44%), roupas, utilidades e outros itens de consumo (43%), empréstimos (33%) e estudos (22%). Cada entrevistado podia indicar até três tipos de gasto.
A pesquisa também perguntou aos trabalhadores que passaram ou ainda passam por problemas financeiros nos últimos cinco anos sobre as consequências do endividamento e o o que a situação causa no dia a dia.
Na vida pessoal, irritabilidade e insônia foram citadas por 44% dos entrevistados. Foram mencionados ainda alterações de peso, depressão, dores físicas e isolamento social.
No ambiente de trabalho, 51% relataram estresse e 46%, exaustão extrema ou esgotamento físico. Outros 35% disseram ter percebido diminuição da atenção e 33%, queda de produtividade.
O estudante universitário Pietro Nascimento, 24, diz estar vivendo esta realidade. Ele decidiu sair da casa da família há pouco mais de um ano para morar sozinho em São Paulo (SP) em busca de mais independência e de um endereço mais próximo do trabalho.
No entanto, percebe que nenhum dinheiro sobra no fim do mês. “Só o aluguel consome quase metade da minha renda. Cerca de R$ 2.000 de um salário de R$ 4.500”, conta.
Embora pretenda comprar um imóvel no futuro, Nascimento afirma que ainda não conseguiu dar passos concretos nessa direção. “Continuo pesquisando imóveis mais baratos e formas de financiamento.”
Para especialistas da Serasa, a educação financeira é uma das formas de contornar a situação.
“Os dados mostram que a dificuldade de equilibrar o orçamento não é uma situação pontual. Quando esse cenário não se altera de um ano para o outro, vemos uma pressão persistente sobre a saúde financeira”, diz Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian.
“Essa falta de margem pode levar à busca por alternativas para complementar a renda ou financiar despesas do dia a dia.”
Estudos indicam que jornadas longas de trabalho, como a escala 6×1, tendem a aumentar os índices de adoecimento mental; enquanto jornadas menores podem melhorar o bem-estar sem reduzir a produtividade, desde que acompanhadas de reorganização produtiva eficiente. Mas especialistas alertam: mesmo com planejamento, há risco de intensificação do ritmo de trabalho.
A escala 6×1, que prevê seis dias consecutivos de trabalho e um de descanso, totalizando geralmente 44 horas semanais, predomina nos setores de comércio, serviços e agronegócio no Brasil. Uma mobilização nacional contra o regime ganhou força no fim de 2023, e em 2025 a PEC 8/2025 propôs extingui-lo.
O debate ocorre em meio ao crescimento do adoecimento ocupacional. Em 2025, o Brasil registrou mais de 800 mil comunicações de acidentes de trabalho — o maior número desde 2016 —, sendo 2,8% do total acumulado referentes a doenças decorrentes das condições laborais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. No mesmo ano, mais de 500 mil afastamentos foram concedidos por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social. E entre 2014 e 2024, as notificações de burnout aumentaram 96,4%, segundo estudo de 2025 da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT).
Para Ricardo Luiz Coltro Antunes, professor de sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, a natureza do adoecimento mudou com o trabalho. Se na era industrial os danos atingiam principalmente o corpo em função do ritmo das máquinas, hoje a pressão por metas e o controle digital tornam o sofrimento mais interiorizado.
Mas a escala 6×1 não explica sozinha o adoecimento, observa Giovanni Antonio Pinto Alves, professor do doutorado em ciências sociais da Unicamp e coautor do livro Precarização do trabalho e saúde mental. A escala funciona como um agravante dentro de uma estrutura que reúne ritmos intensos, salários baixos, gestão por metas e enfraquecimento sindical.
Número de comunicações de acidente de trabalho (CAT) registradas em documento oficial enviado e validado na Previdência Social entre os anos de 2012 e 2025, segundo dados do site do Ministério da Previdência Social (Crédito: Vanessa Ayres Pereira)
Como a escala afeta a saúde
O principal mecanismo de adoecimento é a redução do tempo de recuperação. Alves chama isso de “erosão das fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida”. Com apenas um dia de folga, muitos trabalhadores usam o dia livre para tarefas domésticas e descanso físico básico, sem tempo para lazer, convivência, cultura e outras atividades importantes para a saúde mental. O problema se agrava com a necessidade de longos deslocamentos urbanos. Um estudo brasileiro de 2026 na revista Recima documenta esse desequilíbrio e associa a menor frequência de lazer a piores indicadores de saúde mental.
Mulheres podem ser mais afetadas, já que o emprego remunerado se soma ao trabalho doméstico não pago. No estudo da RBMT, mulheres de 35 a 49 anos concentraram 75,6% das notificações de burnout. Os especialistas também apontam trabalhadores mais velhos como grupo vulnerável.
O que acontece com a produtividade
Uma pesquisa publicada em 2025 na Nature Human Behaviour acompanhou 2.896 funcionários de 141 organizações em seis países de língua inglesa, que testaram por seis meses a redução da escala 5×2 para 4×3. Os resultados mostraram melhora nos índices de burnout, satisfação e saúde física e mental, mediadas por menos fadiga, problemas de sono e dificuldade no trabalho.
Segundo Wen Fan, socióloga do Boston College e autora do estudo, 90% das organizações mantiveram a escala após o teste, sem sinais claros de queda de receita, rotatividade ou satisfação dos clientes. Ela ressalta, porém, que é difícil definir produtividade, já que indicadores variam conforme o setor (hospitais e fábricas diferem de escritórios, por exemplo).
O estudo envolveu a escala 4×3, foi conduzida em países desenvolvidos e concentrou-se em empresas de serviços e trabalhadores assalariados, o que limita a generalização das conclusões. Ainda assim, outras pesquisas também associam descanso à eficiência.
Um estudo australiano de 2025 na revista Buildings mostrou que reduzir de seis para cinco dias manteve ou elevou a produtividade percebida na construção civil, com melhor planejamento e menos retrabalho. Já uma pesquisa brasileira de 2024 na revista Aracê indicou que escalas de seis dias ou mais podem prejudicar a produtividade a médio prazo, por fadiga e recuperação ineficiente.
Reorganizar, não apenas comprimir
Antes do teste, as empresas estudadas por Fan passaram por dois meses de preparação. Para a pesquisadora, “a reorganização é elemento-chave” para melhorar o bem-estar sem comprometer produtividade ou receita.
Nessa fase, gestores e empregados revisaram processos, conversaram com organizações que já haviam adotado o modelo e incentivaram as equipes a identificar fluxos de trabalho ineficientes. Para manter o atendimento aos clientes, algumas empresas adotaram equipes em duplas e horários escalonados. Ferramentas de inteligência artificial, segundo Fan, também podem ajudar nesse processo.
Antunes lembra que, apesar da resistência a jornadas mais curtas, as empresas historicamente reagiram à redução investindo em tecnologia e reorganizando o trabalho para preservar a produtividade. “Isso acontece desde os séculos XVIII e XIX quando os ingleses se opunham à redução de jornadas de 18 a 20 horas por dia”, conta o pesquisador.
Não há, porém, fórmula única para reorganização, resume Fan, e ela tende a ser mais difícil em setores como saúde, construção e manufatura, onde a intensidade já é alta.
O risco da intensificação
Ganhos de eficiência não devem ser confundidos com a compressão da carga de trabalho em menos dias. Alves alerta que empresas brasileiras podem tentar compensar a redução da jornada com metas maiores e controle mais intenso sobre quem permanece na equipe.
No estudo de Fan, em casos raros, gestores trataram a redução da escala com ceticismo, mantendo a expectativa de disponibilidade “24×7” (24 horas por dia, sete dias por semana) pelos trabalhadores, o que, segundo ela, pode prejudicar os benefícios do teste.
Do lado dos trabalhadores, alguns continuaram atuando uma ou duas horas no dia de folga, sinal de que ainda estavam se adaptando. Em poucos casos, eles intensificaram o próprio ritmo de trabalho, o que Fan associa, paradoxalmente, a uma tentativa de “retribuir” o benefício recebido.
Para Antunes, porém, esse comportamento pode refletir cobranças por desempenho que persistem após a redução da escala, já que metas crescentes são interiorizadas pelo trabalhador e reforçadas pelos colegas, de modo que a pressão vem não só da chefia, mas da equipe e da cultura de metas. Por isso, reduzir a jornada para promover a saúde também exige revisar metas, dimensionar equipes, acompanhar horas extras e garantir que o dia de descanso seja, de fato, livre.
Antunes resume: “O adoecimento tem a ver com o tempo, mas não só com ele.” E completa “Diminuir o tempo é sempre um ganho para a classe trabalhadora, mas depois ela vai ter uma segunda luta: o empresário vai querer intensificar a jornada, e ela terá que falar: “não, se antes eu produzia 10, eu não vou produzir mais”.
Vanessa Ayres Pereira é bolsista de Jornalismo Científico da Fapesp vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE). Cursa especialização em jornalismo científico no Labjor-Unicamp.
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a inclusão de um produtor rural de Uruçuí (PI) no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas às de escravo, conhecido como ‘Lista Suja do Trabalho Escravo’. Para o colegiado, a comprovação de condições degradantes de trabalho basta para justificar a medida, e a posterior correção das irregularidades não afasta a validade da inscrição.
Fiscalização encontrou trabalhadores em condições degradantes
A auditoria fiscal do trabalho encontrou sete trabalhadores rurais que atuavam na catação manual e na queima de raízes, atividade preparatória para o plantio, na Fazenda São Silvestre. Entre as irregularidades constatadas estavam a ausência de registro formal, a falta de fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), alojamento em barraco de lona sem paredes adequadas e inexistência de instalações sanitárias.
O proprietário da fazenda foi multado e, com a autuação, seu nome foi incluído na “lista suja”, banco de dados mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A inclusão tem consequências na concessão de empréstimos e incentivos fiscais e pode gerar rompimento de contratos na cadeia de suprimentos, além de comprometer a imagem da empresa no mercado.
Produtor buscou excluir nome do cadastro
O empregador ajuizou ação contra a União alegando que a medida foi desproporcional. Segundo ele, não houve trabalho escravo, mas apenas irregularidades trabalhistas, uma vez que os trabalhadores não tiveram a liberdade restringida nem sofreram nenhuma forma de coação. Segundo ele, havia estrutura adequada na sede da fazenda, à qual os trabalhadores tinham livre acesso, e que as irregularidades apontadas pela fiscalização haviam sido posteriormente corrigidas.
TRT reconheceu condições análogas à escravidão
O juízo de primeiro grau acolheu o pedido e determinou a exclusão do nome do empregador do cadastro. Contudo, o Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região reformou a sentença.
Segundo o TRT, os autos de infração têm presunção de legitimidade, e as circunstâncias constatadas pela fiscalização caracterizam trabalho em condição análoga à de escravo, na modalidade de condições degradantes, prevista no artigo 149 do Código Penal. Com esse entendimento, manteve válida a inclusão do empregador no cadastro.
Regularização posterior não afasta inclusão
O ministro Alberto Balazeiro, relator do recurso do produtor ao TST, observou que a posterior correção das irregularidades não impede a inclusão do empregador no cadastro quando os requisitos legais para a inscrição já estavam presentes.
Segundo o relator, o fazendeiro buscava apenas excluir seu nome da lista, sem questionar a validade dos autos de infração. No mesmo sentido, o pagamento voluntário das multas administrativas também evidencia o reconhecimento das irregularidades constatadas pela fiscalização.
Balazeiro ressaltou, ainda, que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a constitucionalidade da Lista Suja do Trabalho Escravo. Segundo o relator, o cadastro é informativo e constitui um importante instrumento de transparência e de combate ao trabalho escravo contemporâneo.
Outro aspecto lembrado pelo relator é que a caracterização do trabalho em condição análoga à escravidão não depende da comprovação de cárcere privado, vigilância armada ou restrição física à liberdade. A submissão do trabalhador a condições degradantes de trabalho é uma hipótese autônoma prevista no Código Penal.
A decisão foi unânime.
(Ricardo Reis/CF. Foto: Agência Brasil)
O TST tem oito Turmas, que julgam principalmente recursos de revista, agravos de instrumento e agravos contra decisões individuais de relatores. Das decisões das Turmas, pode caber recurso à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1). Acompanhe o andamento do processo neste link:
O número de trabalhadores humanitários mortos em 2025 chegou a 350 em todo o mundo, informou nesta terça-feira (18) o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês). Entre as vítimas, 186 pessoas morreram em Gaza e 71 no Sudão. A organização também denuncia o impacto crescente de drones armados em zonas de conflito.
Segundo a agência da ONU, 2025 registrou um novo recorde de violência contra profissionais envolvidos em operações de assistência. Ao todo, 907 trabalhadores humanitários foram mortos, feridos ou sequestrados ao longo do ano.
Embora o total de mortos seja ligeiramente inferior ao registrado em 2024, quando 377 profissionais perderam a vida, a ONU afirma que a tendência continua alarmante. Dados da organização mostram que, desde o início de 2026, outras 82 pessoas foram mortas, 97 ficaram feridas e 39 foram sequestradas em diferentes regiões do mundo.
“Mais de 1.000 trabalhadores humanitários morreram em apenas três anos. Isso é totalmente inaceitável”, declarou o coordenador humanitário da ONU, Tom Fletcher.
Em comunicado, o OCHA alertou que a simples condenação dos ataques não tem sido suficiente para proteger os profissionais que atuam em áreas de crise.
“Os Estados devem respeitar o direito internacional humanitário e usar todos os meios à sua disposição para proteger civis e nossos colegas. E aqueles que violarem as regras devem enfrentar as consequências”, afirmou Fletcher.
Drones ampliam riscos para civis
A ONU também manifestou preocupação com a crescente utilização de drones armados em conflitos. Segundo o OCHA, a disseminação de equipamentos de baixo custo e fácil adaptação amplia o acesso de diferentes grupos a um poder de destruição cada vez maior.
No Sudão, os drones armados foram responsáveis por 80% das mortes de civis registradas nos quatro primeiros meses de 2026, atingindo principalmente mercados e instalações de saúde, de acordo com a organização.
Para Tom Fletcher, esses equipamentos representam uma nova ameaça para a população civil.
“Os drones militares se tornaram a nova face de um velho perigo: o dano deliberado ou imprudente à vida de civis”, afirmou.
Apesar da rápida evolução tecnológica nos campos de batalha, o chefe humanitário da ONU lembrou que as normas internacionais permanecem as mesmas. “A tecnologia pode evoluir, mas as leis da guerra não”, concluiu.