por master | 08/03/22 | Ultimas Notícias
Desgaste profissional relacionado ao estresse psicológico, ansiedade e esgotamento mental foi relato por 80% dos técnicos de enfermagem, agentes de saúde da família, maqueiros, condutores de ambulância, pessoal da limpeza, da cozinha, da manutenção e sepultadores a pesquisadores da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).
De acordo com a pesquisa “Os trabalhadores invisíveis da Saúde: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil”, a pandemia do novo coronavírus aprofundou as desigualdades, a exploração e o preconceito que recaem sobre o contingente formado por mais de 2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, de nível técnico e auxiliar, que exercem atividades de apoio na assistência, no cuidado e no enfrentamento à Covid-19.
Os resultados do estudo inédito foram apresentados em uma live na noite de quinta (23/02) às duas maiores confederações representativas dos trabalhadores da saúde pública e privada, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS-CUT) e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS).
Confira dados da pesquisa
Foram ouvidos 21.480 trabalhadores e trabalhadoras das redes de saúde pública, privada e filantrópica, de 2.395 municípios de todas as regiões do país. Do total:
- 72,5% dos técnicos e auxiliares da saúde são mulheres;
- 59% são pretos ou pardos;
- 32,9% deles têm até 35 anos;
- 50,3% têm até 50 anos;
- 70% dos participantes do estudo citaram a falta de apoio institucional;
- 35,5% admitiram ter sofrido violência ou discriminação durante a pandemia. A maioria das agressões (36,2%) ocorreu no ambiente de trabalho, na vizinhança (32,4%) e no trajeto casa-trabalho-casa (31,5%);
- 23,9% dos profissionais já apresentam comorbidades como: hipertensão (32%); obesidade (15%); doenças pulmonares (13%); depressão (12%), e diabetes (10%);
- 85,5% disseram que, na pandemia, a jornada de trabalho chegou a até 60 horas semanais;
- 53%não se sentem protegidos contra a Covid-19 no trabalho;
- 23,1% têm medo de se contaminar;
- 22,4% citaram falta, escassez e inadequação do uso de EPIs;
- 12,7% falaram sobre a ausência de estruturas necessárias para efetuar o trabalho como um dos principais motivos de desproteção;
- 25,6% precisam fazer bicos para sobreviver porque ganham entre um e dois salários-mínimos.
De acordo com a socióloga Maria Helena Machado, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora da pesquisa, em entrevista à Folha de S. Paulo, esses trabalhadores vivem em situação de penúria, de sofrimento.
Dormem mal, comem mal. Falta salário, infraestrutura, condições mínimas de trabalho. Atuam em ambientes insalubres, muitos não têm acesso a EPIs [Equipamentos de Proteção Individual] recomendados ou, quando têm, são de baixa qualidade ou usados fora dos protocolos. Alguns afirmaram que já tiveram que comprar álcool, máscara, com recursos próprios. Outros nunca tinham usado uma máscara N95.Muitos não têm vínculos com as instituições de saúde que garantam direitos trabalhistas. “São considerados autônomos, mas não têm o lastro social dos médicos, dos enfermeiros, que os permitam trabalhar em um ou dois lugares da área da saúde”, complementou a socióloga.
Benedito Augusto, presidente da CNTSS, disse á reportagem da Folha que a pesquisa chama a atenção para o recorte raça e gênero dos trabalhadores. “Temos a senzala da saúde [com mulheres pretas sendo a maioria desse contingente]. Essa pesquisa mostra a cara e a alma das condições de trabalho da saúde no país.”
Para Valdirlei Castagna, presidente da CNTS, os gestores de saúde, os parlamentares e o setor empresarial precisam proteger os profissionais mais vulneráveis e olhar com mais sensibilidade para as reivindicações históricas da categoria.
Ele afirmou à Folha que a pesquisa apontou práticas, como a hierarquização no uso de EPIs, que são inconcebíveis. “Algumas categorias usam EPIs melhores que as outras. Não dá para ser dessa forma. É um direito de todos independentemente da função.”
Fonte: Rádio Peão, com CUT
Data original da publicação: 03/03/2022
DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/80-dos-tecnicos-e-auxiliares-da-saude-estao-esgotados-e-doentes/
por master | 08/03/22 | Ultimas Notícias
Prêmio | TRT
O gerente ganhou uma viagem para Dubai como prêmio de produtividade. Acontece que ele foi demitido três meses antes da data da viagem, sem justa causa. Para o TRT-18, a conduta da empresa foi maliciosa.
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A 1ª turma do TRT da 18ª região condenou uma empresa de telefonia por demitir gerente que havia ganhado um prêmio por produtividade: uma viagem para Dubai. O colaborador não chegou a usufruir do prêmio, pois foi dispensado antes. Para o Tribunal trabalhista, a demissão sem justa causa, nesse caso, se enquadrou em condição maliciosa prevista no Código Civil, tornando o ato ilícito.
Programa de vendas
Com o objetivo de estimular a venda de produtos, a empresa telefônica lançou em 2018 uma premiação para os gerentes e diretores. O bônus era um pacote de viagem para Dubai com direito a um acompanhante, que incluía passagens aéreas ida e volta, hospedagem para o período de 5 noites e todas as refeições.
No regulamento do concurso, havia uma cláusula que excluía automaticamente o concorrente que fosse desligado da empresa durante a validade do certame. Um gerente bateu as metas e conquistou o prêmio. A viagem seria realizada em setembro de 2019, mas ele foi dispensado em junho daquele ano, sem justa causa.
Pelo episódio, o trabalhador buscou a Justiça do Trabalho para receber a reparação por danos materiais. O juízo da 11ª vara do Trabalho de Goiânia negou o pedido.
No TRT-18, o trabalhador insistiu no argumento de que a dispensa teria sido maliciosa, já que ocorreu três meses antes da fruição do prêmio.
Danos morais e materiais
O juiz convocado João Rodrigues, relator do caso, observou que a condição do recebimento do prêmio era o vínculo empregatício. Para ele, a demissão injustificada do gerente a poucos meses da concessão do bônus é circunstância maliciosa imposta pela empresa, conforme o art. 129 do Código Civil.
“Resta patente a nulidade da cláusula que previa a inelegibilidade do autor para recebimento do prêmio em decorrência da rescisão imotivada do contrato de trabalho.”
O relator considerou, ainda, que o fato de o gerente saber da referida cláusula de inelegibilidade não retira a ilegalidade do dispositivo. João Rodrigues entendeu estar claro o prejuízo do gerente, pois havia expectativa legítima de recebimento do prêmio.
O magistrado citou precedentes do TRT-1, TRT-3, TRT-9, assim como jurisprudência da 2ª turma do TRT-18 no mesmo sentido. Por fim, o relator deu provimento ao recurso do gerente e arbitrou a indenização em R$ 36 mil.
Processo: 0010493-45.2021.5.18.0011
Informações: TRT-18
Por: Redação do Migalhas
https://www.migalhas.com.br/quentes/360881/empregado-que-ganhou-viagem-para-dubai-e-foi-demitido-sera-indenizado
por master | 08/03/22 | Ultimas Notícias
A participação feminina no mundo dos negócios é agora a mesma de antes da pandemia, quando houve retração para 8,6 milhões.
por Cezar Xavier
Um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que o empreendedorismo feminino no Brasil apresentou sinais de recuperação no último trimestre do ano passado, depois de sofrer retração a partir dos primeiros meses da pandemia do novo coronavírus (covid-19).
O estudo, realizado com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), mostrou que após recuar para um total de 8,6 milhões, no segundo trimestre de 2020, o número de mulheres à frente de um negócio no país fechou o quarto trimestre de 2021 em 10,1 milhões, mesmo resultado registrado no último trimestre de 2019, antes da pandemia.
Levantamento de 2021 revelou que foram 1 milhão a mais de empresas fechadas, comandas por elas, quando analisado o fechamento de negócios por homens. Para superar os desafios, a especialista do Sebrae destaca a importância da formação de redes, formadas principalmente de mulheres, como o Sebrae Delas, programa voltado para atender o público feminino empreendedor.
Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, as mulheres empreendedoras sofreram mais que os homens as perdas causadas pela crise pandêmica.
“Empresas lideradas por mulheres tiveram um impacto maior em termos de redução de empreendedoras em atividade e uma recuperação mais lenta que a verificada entre os negócios dirigidos por homens. Uma das explicações para esse fato está na nossa cultura, onde elas acabam tendo de dividir seu tempo entre a gestão da empresa e os cuidados com a família. Com as medidas de isolamento social, muitas empresárias tiveram de encerrar suas atividades ou reduzir a operação do negócio para dedicarem mais horas aos filhos e idosos”, comenta
Apesar dessa evolução, a participação das mulheres empreendedoras no universo de donos de negócio no Brasil (34%) ainda está abaixo da melhor marca histórica, registrada no 4º trimestre de 2019, quando elas representavam 34,8% do total.
O estudo do Sebrae indica ainda que a participação feminina entre os donos de negócios empregadores também continua abaixo do período pré-crise. No final de 2019, havia 1,3 milhão de donas de empresas que contratavam empregados, o que representava 13,6% do total das donas de negócio. Já no final do ano passado, esse número havia recuado para 1,1 milhão (11,4% do universo).
Os dados mostram que 50% das proprietárias de negócios de estão no setor de serviços, enquanto 21% estão no setor de construção. Em relação aos homens, 35% dos donos de negócios se concentram no setor de serviços, enquanto 21% estão no setor de construção.
Ainda segundo a pesquisa, aumentou a proporção de mulheres que são chefes de domicílio. Em 2019, elas eram 47% e no último trimestre de 2021 as empreendedoras chefes de domicílio representaram 49% do total.
Por outro lado, diminuiu a participação das mulheres negras à frente dos negócios. Enquanto no último trimestre de 2019, antes da pandemia, elas eram 50,3% das donas de negócio, no último trimestre do ano passado, elas passaram a responder por 48,5%. Já as mulheres brancas passaram de 48,4% das donas de negócio para 49,9%.
O Sebrae mostra que a escolaridade das mulheres que estão empreendendo aumentou e que a diferença do número de mulheres com pelo menos o nível médio aumentou em relação aos homens entre o último trimestre de 2019 e o mesmo período de 2021.
No quarto trimestre do ano passado, 68% das empreendedoras tinham pelo menos o ensino médio. Entre os homens, essa proporção era de 54%. A variação no período foi de 11 pontos percentuais entre as mulheres e 4 pontos entre os homens.
A pesquisa mostrou crescimento da participação feminina nos setores de informação/comunicação e educação/saúde. Entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período do ano passado, a presença das empreendedoras cresceu 3 pontos percentuais e 4 pontos, respectivamente.
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2022/03/07/mulheres-voltam-a-liderar-101-milhoes-34-de-negocios-no-brasil/
por master | 08/03/22 | Ultimas Notícias
É a oitava vez consecutiva em que as projeções do IPCA são elevadas, segundo as estimativas que constam do Boletim Focus, do Banco Central.
por Luciano Nascimento
O mercado financeiro aumentou novamente a previsão de inflação para este ano. Segundo projeção do Boletim Focus, divulgado hoje (2) pelo Banco Central, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 5,65%. É a oitava vez consecutiva que o mercado projeta uma elevação no IPCA. Há uma semana, a projeção do mercado era de que a inflação este ano ficasse em 5,6%. Há quatro semanas, a previsão era de 5,44%.
Divulgado semanalmente, o Boletim Focus reúne a projeção de mais de 100 instituições do mercado para os principais indicadores econômicos do país. Há algumas semanas as estimativas do mercado já estavam apontando para uma inflação este ano acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 3,5%, com variação de 1,5 ponto percentual.
Em fevereiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) também mostrou em ata que suas projeções para a inflação estavam acima da meta.
“As projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,4% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 12% a.a. no primeiro semestre de 2022, termina o ano em 11,75% a.a”, diz a ata do Copom.
Para 2023, o mercado manteve a meta da semana passada em relação à evolução do IPCA. Com isso, a projeção desta semana aponta uma inflação de 3,51%. Há quatro semanas, a projeção era de uma inflação de 3,5% no próximo ano.
Para 2024, o mercado também manteve a projeção da semana passada de 3,1%.
PIB
Na projeção dessa semana, o Focus também elevou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) registrada há sete dias. A nova projeção é de PIB de 0,42%, em 2022, ante o 0,3% previsto na semana passada. A elevação ocorre após a divulgação do PIB de 2021, que foi de 4,6%.
Para 2023, o boletim Focus também registrou a mesma expectativa de PIB da semana passada, de 1,5%. Há quatro semanas, a previsão era de que o PIB crescesse 1,53%. Para 2024, ficou estável, em 2%.
Taxa de juros e câmbio
O mercado manteve a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, para 2022. Na projeção divulgada nesta segunda-feira, a Selic deve ficar em 12,25%. Há quatro semanas, a projeção era de que os juros ficassem em 11,75%.
Em fevereiro, além de estimar uma inflação acima da meta, o Copom também aumentou a taxa de juros de 9,25% para 10,75% ao ano. Em comunicado, o comitê indicou que continuará a elevar os juros básicos até que a inflação esteja controlada no médio prazo.
Para o fim de 2023, a estimativa do mercado é que a taxa básica fique em 8,5% ao ano, ante os 8% da semana passada. E para 2024, a previsão também aumentou, passando de 7,25% na semana anterior para 7,38% ao ano.
A expectativa do mercado para a cotação do dólar em 2022 ficou em R$ 5,40, uma redução em relação ao projetado na semana passada, quando o mercado previa um câmbio R$ 5,50. Para o próximo ano, a previsão do mercado também diminuiu, passando de R$ 5,31 para R$ 5,30. Para 2024, a estimativa para a cotação da moeda americana ficou em R$ 5,30, mesmo valor projetado na semana passada.
Fonte: Portal da Agência Brasil
Disponível em: https://vermelho.org.br/2022/03/07/analistas-projetam-inflacao-de-565-para-este-ano/
por master | 07/03/22 | Notícias NCST/PR

Da assessoria/SETHFB
Os sete sindicatos que compõem o Fórum Sindical dos Trabalhadores do Sudoeste do Paraná realizaram a primeira reunião de 2022 no fim de fevereiro onde trataram vários temas. Estiveram presentes na reunião os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Francisco Beltrão e Região (Sintrasaúde), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico de Pato Branco e Região Sudoeste do Paraná (STIMMMEPBBSP), Sindicato dos Motoristas, Condutores de Veículos Rodoviários e Urbanos em Geral, Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Dois Vizinhos (Sintrodov), Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Francisco Beltrão (STIA) e Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade de Francisco Beltrão (SETHFB).
Entre os temas abordados, discutiu-se sobre os reflexos da pandemia da Covid-19 nas atividades dos sindicatos locais, a retomada das atividades nos setores econômicos, as condições atuais das negociações coletivas e as dificuldades dos trabalhadores em meio às mudanças legislativas no direito do trabalho.
Segundo a presidente do Sintrasaúde, Olira de Fátima Dias, “os trabalhadores do setor simplesmente não pararam desde a pandemia e continuam se dedicando às suas funções dia e noite, desde o início, pois a profissão exige e os atendimentos ao público não pararam de crescer”.
Apesar disso, ela apontou que a classe profissional não recebeu o devido reconhecimento por seu trabalho, mesmo com a necessidade dos hospitais da região em contratarem, e entende que as negociações coletivas desse ano tendem a serem mais justas e equilibradas.
O presidente do Sintrodov, Alcir Ganassini, apurou que “o setor de transportes também não parou diante de tanta demanda e apesar de certas restrições no momento mais grave da pandemia as empresas estão contratando e a mão de obra também está em falta”. E salientou que as empresas terão de repensar o quanto remuneram os seus trabalhadores, pois há dificuldade de contratação.
Contratação de mão de obra
Nelson de Oliveira, diretor de finanças do Sitrial e vice-presidente do Fórum Sindical, afirmou que o sindicato tem observado as dificuldades das empresas em contratar pessoas, mesmo as empresas maiores do setor, pois a remuneração baixa e mesmo a falta de valorização dos trabalhadores que possuem vários anos de vínculo, desestimulam a busca por vagas no setor e até acaba por promover demissões. Nelson citou ainda o exemplo do setor da indústria de panificação, o qual não possui uma convenção coletiva de trabalho há três anos e há muita procura dos trabalhadores por assistência sindical.
Consenso
Dr. Allan Andreassa, advogado, secretário do Fórum e representante do Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade, comentou que “as entidades que estão reunidas no Fórum Sindical chegaram ao consenso que as melhorias salariais nas negociações serão melhor aplicadas através dos acordos coletivos e é por isso que alguns deles já estão dando maior importância a este tipo de instrumento legal do que às convenções coletivas, pois desta forma os problemas de cada empresa são discutidos e ajustados de uma maneira mais específica e mais próxima do ideal.”
Antônio Carlos Pires da Silva, diretor e secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos, ressaltou que as mudanças na legislação trabalhista foram muitas nesse período. Um exemplo é o afastamento das gestantes. “Com isso, os trabalhadores voltaram a procurar mais o sindicato, já que possuem muitas dúvidas e precisam da assistência nesse momento de dificuldade”, relata.
Ações conjuntas
Ao longo da reunião, os sindicatos aprovaram a proposição de uma medida junto ao Ministério Público do Trabalho – MPT contra práticas antissindicais que estão ocorrendo por empresas e até profissionais da região em que consistem no estímulo às desfiliações de trabalhadores.
por master | 04/01/22 | Ultimas Notícias
“O realismo capitalista brasileiro consegue ser tão aterrorizante quanto o novo filme da Netflix. Precisamos nos organizar, olhar para o lado e enfrentar, como ensina Mark Fisher e Ailton Krenak, a narrativa imobilizante do fim do mundo”, diz Mariana Bastos em artigo publicado pela Revista Jacobin.
por Mariana Bastos
“É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”
– Mark Fisher
Fiquei com essa frase na cabeça durante as longas 2h25min que gastei assistindo na Netflix a nova sensação do momento, o filme Não Olhe Para Cima, e sair com uma angústia horrorosa que tirou meu sono a noite. Não fui a única. Depois notei que no Twitter proliferam relatos de que o filme serviu de gatilho para crises de ansiedade em muita gente. Fiquei me perguntando exatamente onde estava a comédia. Não consegui rir de absolutamente nada. Até poderia ser cômico… se não fosse um espelho – glamouroso e suavizado – da nossa trágica realidade. Quão descolada da realidade ou privilegiada eu teria de ser para conseguir rir do desespero diante do negacionismo?
Fiquei pensando na montanha de dinheiro gasta para reunir um elenco estelar, para escrever um roteiro que parece meticulosamente produzido com o auxílio de Big Data e no fim das contas sairmos com uma profunda sensação de imobilismo, de apatia, de que não há absolutamente nada a ser feito diante da estupidez de uma minoria de bilionários e políticos poderosíssimos que nos conduzem ao apocalipse.
Fiquei pensando por que raios me dispus a assistir a um filme que se gaba de ser “baseado em eventos realmente possíveis”, quando a realidade denunciada nos telejornais de forma crua e bem menos glamourosa já nos ativa inúmeros gatilhos de desesperança, tristeza e angústia?
Foi então que me lembrei da crise de ansiedade bem similar que experimentei quando acompanhamos uma tenebrosa reunião ministerial conduzida no início da pandemia com Ricardo Salles falando em aproveitar a oportunidade para passar a boiada, Paulo Guedes reconhecendo a admiração por um ministro de Hitler e Bolsonaro demonstrando que sua prioridade não era enfrentar a pandemia, mas armar a população.
Ao lembrar disso, pensei que não há ficção que dê conta de retratar a gravidade do momento. Até os vilões do filme me parecem menos perversos do que os poderosos da nossa dura realidade. Por mais boa atriz que Meryll Streep seja, ela não conseguiu imprimir o terror diário imposto nos jornais por esses agentes do caos que são os líderes de extrema direita. As palavras da presidente ficcional são fichinha perto da perversidade que a gente tem que aguentar diariamente nas telas de TV e dos smartphones. (Aliás, é no mínimo curiosa a escolha do diretor por uma mulher na presidência, assim como ocorreu na série Years and Years. As mulheres também podem ser umas escrotas negacionistas e perversas, mas houve claras demonstrações de que as chefes de Estado conduziram seus países bem melhor do que seus pares masculinos durante a pandemia. E bem,todos os líderes eleitos de extrema direita no mundo são homens).
Até o bilionário do filme parece menos abjeto e imbecil do que o bilionário brasileiro, que autorizou o emprego de tratamentos comprovadamente ineficazes na própria mãe só para provar seu negacionismo – e vê-la falecer. É como se a realidade fosse uma caricatura da ficção. Eu deveria rir disso?
Até o cometa parece uma metáfora suavizada do fim do mundo. Se estivéssemos sob a ameaça de choque de algum cometa, haveria alguma justiça no fato de todos serem atingidos ao mesmo tempo, enquanto que no colapso ambiental quem enfrenta o fim do mundo primeiro é quem tem menos grana, vide as principais vitimas das enchentes no sul da Bahia. (Aliás, seria muito interessante comparar o engajamento proporcionado pelo filme nas redes sociais com o engajamento promovido pelos pedidos desesperados por socorro da população baiana, vítima direta da colapso ambiental que o filme diz denunciar).
Realismo capitalista brasileiro
Seria Hollywood capaz de empregar uma montanha de dinheiro similar em uma narrativa em que o poder popular se insurgisse coletivamente contra essa minoria que nos leva ao colapso e instituísse uma nova ordem política, social, ambiental e econômica mais justa que nos salvasse do cometa no filme e da crise climática na vida real? Provavelmente muitos dirão que não usando uma pretensa verossimilhança como argumento, justamente porque, com a nossa imaginação amputada pela mentalidade neoliberal, é muito mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo.
É sobre isso que discorre Mark Fisher em seu livro Realismo Capitalista, escrito em 2009. O filósofo britânico usa esse termo para descrever um tipo de ideologia que propaga a sensação generalizada de que não apenas o capitalismo é o único sistema político-econômico viável, como também é impossível imaginar uma alternativa coerente a ele. Na obra, o filósofo britânico cunhou inclusive o termo “impotência reflexiva”, que serve bem para descrever a sensação de apatia coletiva retratada no filme diante de um apocalipse iminente. Trata-se de um fenômeno no qual as pessoas até reconhecem a incapacidade do capitalismo de lidar com os graves problemas sistêmicos que enfrentamos, mesmo assim são incapazes de imaginar mudanças drásticas, apostando apenas em reformar o sistema. Segundo Fisher, essa inação leva a uma profecia autorrealizável, assim como a uma deterioração da saúde mental.
No Brasil, um país que ao longo das últimas décadas tem sido colonizado pelo soft power de Hollywood, o realismo capitalista tem sido especialmente eficiente em criar um espantalho comunista que é evocado sempre que a direita e a extrema direita querem abocanhar o poder. Em recente pesquisa, o Datafolha perguntou sobre o medo da população em relação a uma fantasiosa ameaça comunista após a próxima eleição. 44% dos entrevistados disseram que temem que isso aconteça, mas eu duvido muito que, antes de serem questionados sobre isso, uma parcela grande tenha tido alguma reflexão mais profunda a esse respeito. Curiosamente, o mesmo instituto não se deu ao trabalho de perguntar se a população brasileira teme que o Estado seja amplamente dominado pela milícia, uma realidade bem mais palpável.
Capitalizando o anticapitalismo
Ainda de acordo com Fisher, o realismo capitalista capturou tanto o pensamento da população que a ideia de anticapitalismo não atua mais como antítese do capitalismo. Em vez disso, é propagado como forma de reforçá-lo. E isso é feito por meio da cultura de massa, que visa fornecer um meio seguro de consumo de ideias anticapitalistas sem realmente desafiar o sistema. Pensei muito nisso quando soube que Leonardo di Caprio e Jennifer Lawrence arremataram juntos a incrível bolada de US$ 55 milhões (R$ 310 milhões). Para se ter uma ideia, isso corresponde a 73% do orçamento empregado na produção do filme descontados os salários das superestrelas.
Muito provavelmente o filme arrebatará alguns Oscars. Na entrega da premiação, haverá discursos inflamados contra a emergência climática por parte de atores-diretores-produtores que chegarão de jatinhos particulares para o evento multimilionário. Nós compartilharemos seus discursos na esperança de que o andar de cima se sensibilize e promova mudanças. Enquanto isso, o sistema permanecerá intacto. E tal como agora na Bahia, tomada por enchentes, haverá algum fim do mundo ocorrendo em alguma parte do globo, fazendo vitimas sobretudo no Sul Global. Mas vamos estar entretidos demais na esperança de que o astro de Titanic com suas palavras bonitas consiga comover os bilionários e políticos das superpotências a reduzir drasticamente as emissões de carbono. Mas nem Di Caprio deve acreditar nisso. Senão, teria usado a bolada de 30 milhões que ganhou com o filme para investir numa fábrica de guilhotinas ou em movimentos revolucionários anticapitalistas né? Mas preferiu botar a grana numa nova mansão em Beverly Hills.
Muitos provavelmente argumentarão que o filme é importante para uma tomada de consciência coletiva. Mas eu me pergunto se, depois de enfrentarmos na pandemia uma realidade tão ou mais dura que a apresentada no filme, negacionistas podem vir a mudar de ideia. Alias, umas conversas em grupos bolsonaristas atestam que muitos inclusive estão gostando um bocado do filme pois sentem que seria o espelho de uma cultura antivacina que é negligenciada pela mídia mainstream. Veja você onde o delírio interpretativo chegou.
Acho curiosa também a escolha pelo título do filme ter sido “não olhe para cima’’, uma vez que havia uma contra-narrativa popular que advogava “olhe para cima’’. Só por essa escolha já dava para antecipar que o lado negacionista sairia vencedor na disputa.
Contra o fim do mundo
Eu aqui, tentando humildemente compartilhar o pouco que tenho com as vítimas das chuvas na Bahia, arrisco dizer que a saída para o colapso definitivamente não virá de quem fecha os olhos para a realidade, nem de quem só olha para o andar de cima buscando salvadores. Talvez a saída seja olhar para o lado, buscando ser solidários com quem enfrenta os fins do mundo todos os dias.
E quando eu olho para o lado, felizmente vejo gente como o Ailton Krenak, que ao longo dos últimos anos tem feito um esforço imenso para nos ajudar a imaginar novos mundos possíveis. Destaco abaixo, inclusive, um trecho de uma fala muito importante sua extraída do vídeo “Cartografias para adiar o fim do mundo” que merecia ter mais visibilidade do que esse filme besta.
“Nós não podemos nos render a essa narrativa de fim de mundo. Essa narrativa é para nos fazer desistir de nossos sonhos.”
Existem muitas formas de olhar para o lado, seja doando dinheiro para os atingidos pelas chuvas na Bahia ou para alguma iniciativa que ajude a alimentar a metade da populacao brasileira atingida pela inseguranca alimentar. Mas uma forma mais contundente de enfrentar o colapso é doar tempo para se organizar de forma coletiva. Todo tempo doado para a organização coletiva é um tempo roubado do capitalismo. Pense nisso.
Fonte: Portal da Revista Jacobin Brasil
https://vermelho.org.br/2022/01/02/nao-olhe-para-cima-olhe-para-o-lado/