por master | 01/08/11 | Ultimas Notícias
Cobrança, humilhação e falta de reconhecimento são as principais queixas.
Cinco caixas de antidepressivos por mês e uma tentativa de suicídio. Essa é a realidade do supervisor Wagner Araújo, 33, há dois anos, depois de sofrer ataque nervoso no banco em que trabalha. Desde 2009, ele está afastado pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Além da pressão por metas, Araújo conta que era chamado de Gardenal (remédio psiquiátrico) por colegas. “Os chefes gritavam comigo, e eu perdia o controle emocional.”
Na capital paulista e em Osasco, 42% dos bancários dizem ter sido vítimas de assédio moral, indica pesquisa do sindicato da categoria com 818 profissionais, obtida com exclusividade pela Folha.
Em nível nacional, o problema atinge 66% dos bancários, segundo consulta a 27.644 trabalhadores feita em 2011 pela Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). “As principais queixas são cobrança abusiva, humilhação e falta de reconhecimento”, lista Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Medidas
A entidade fechou parceria com bancos no início do ano para criar canal de denúncias de assédio moral. Segundo Magnus Apostólico, diretor da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), as queixas recebidas serão utilizadas para “melhorar as relações de trabalho”.
No TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho), o total de ações por assédio caiu 3,6% no primeiro semestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010. Uma razão é a capacitação de gestores. Até junho, 22.739 processos tramitavam em primeira instância.
A reportagem é de Patrícia Basilio
por master | 01/08/11 | Ultimas Notícias
Chegada da geração Y leva ao mercado diferentes formas de assédio, que incluem brincadeiras ofensivas e boicote
Receber medalhas na festa de confraternização da empresa é, na maioria das vezes, motivo de orgulho. Para Vivian Nascimento, 27, o prêmio significou o contrário. Nova em uma multinacional do setor de informática, a analista de suporte foi classificada pelos colegas como uma das piores funcionárias do departamento. Tudo com o aval dos chefes diretos.
Na festa de fim de ano de 2008 – na qual não foi porque estava de plantão -, recorda ela, foi organizada cerimônia com entrega de faixas e medalhas aos primeiros colocados em cada categoria. “Fui nomeada uma das funcionárias mais desesperadas, perdidas e sem noção da equipe”, conta ela. Nascimento foi demitida dois anos depois da “premiação”, em um corte de funcionários, e entrou com processo contra a empresa por assédio moral.
Com a chegada da geração Y (nascidos entre 1978 e 2000) nas empresas e a maior competitividade entre companhias, casos como o de Nascimento são cada vez mais comuns, apontam especialistas.
Contra o tempo
“Os jovens são intolerantes em relação a problemas no trabalho”, argumenta Roberto Heloani, professor de psicologia do trabalho da Fundação Getulio Vargas. “Além disso, são cada vez mais cobrados por resultados.”
A luta contra o tempo, afirma o professor, é um dos fatores responsáveis pelo assédio moral do chefe com seus funcionários. “Como muitos [desses gestores] são jovens, o assédio vem de formas diferentes, como brincadeiras ofensivas e boicote de trabalho [o empregado é excluído de projetos, por exemplo].”
Ser humilhado pelo chefe, no entanto, não é situação exclusiva no escopo do assédio moral no trabalho, destaca o advogado trabalhista Alexandre Lindoso. “Hoje os próprios colegas são responsáveis pela humilhação.” O motivo, explica, é o aquecimento do mercado, que aumenta a empregabilidade, mas incentiva o “espírito competitivo dos profissionais”.
Casos de assédio moral horizontal – quando o agressor não é chefe da vítima – já são reconhecidos pela Justiça. “Se o problema ocorreu embaixo do guarda-chuva da empresa, ela é a responsável”, esclarece Lindoso.
Dose dupla
Terezinha Rodrigues, 53, foi alvo dos dois tipos de assédio moral: foi humilhada por superiores e colegas. Contratada para atuar como auxiliar de codificação em um órgão público – como comissionada- , foi obrigada a trabalhar com malote e como auxiliar de portaria. “Os funcionários falavam que iam me dar um par de patins para eu trabalhar mais rápido”, diz. Em 2010, após 30 anos na empresa, foi demitida e entrou com processo na Justiça.
por master | 01/08/11 | Ultimas Notícias
Falta de segurança provoca 30 mil ocorrências por ano apenas no RS
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No último dia 27, o Brasil comemorou o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho. No Rio Grande do Sul são cerca de 30 mil acidentes por ano. Entre os dias 15 e 23 deste mês, foram divulgadas três mortes por acidente: do operário Maurício Ernesto Dias, 39 anos, em uma construção de um prédio na zona Norte da Capital; do gari Carlos Alexandre de Souza Claudiano, 23 anos, em trabalho de recolhimento do lixo na zona Sul da Capital, e do técnico Eziel Rodrigues Betin, 19, em atividade numa torre de energia eólica, no Litoral Norte. Esses foram os dados trazidos a público porque, conforme especialistas e autoridades, muitos casos nem chegam a ser revelados.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os acidentes de trabalho resultam na morte de 2 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, matando mais do que álcool e drogas somados. Conforme Simone Realli, especialista em Segurança do Trabalho, as áreas mais críticas são a construção e aquelas que exigem menos tecnologia. “A construção civil é a área mais fiscalizada e, por isso, recebe uma atenção importante. A agricultura e a mineração são setores que geram grande preocupação pelo trabalho braçal e, por muitas vezes, ocorre em locais insalubres”, explicou. De acordo com dados da Previdência Social, são gastos anualmente R$ 57 bilhões com acidentes do trabalho. Só em março deste ano, foram pagos R$ 16,1 milhões em auxílio-doença para 17 mil trabalhadores.
Simone Realli destaca que as estatísticas escondem outro problema. “As subnotificações e a economia informal não entram nesses dados. Os números são mais graves”, alerta. Na opinião dela, falta às empresas uma cultura de prevenção. “Sem dúvida, o investimento para evitar os acidentes custa menos e dá mais retorno. Acontece que as empresas não têm uma noção exata dessa diferença e acabam não colocando em seu planejamento a questão da segurança no trabalho”, frisou. “Contratar um funcionário no lugar do que foi afastado tem uma série de implicações. A produtividade pode ser afetada, pois é necessário treiná-lo e capacitá-lo”, observou.
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por master | 01/08/11 | Ultimas Notícias
Curitiba – O Paraná registrou 5.486 acidentes de trabalho com óbitos nos últimos 20 anos. De acordo com dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR), na década de 1990 a média era de 32 óbitos para cada 100 mil trabalhadores. Em 2009, último levantamento, a taxa caiu para 8 óbitos. O Paraná é o quarto estado no ranking nacional de acidentes de trabalho.
Segundo o chefe do Setor de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego, Enio Bezerra Soares, a Previdência Social modificou, em 2007, a forma como são caracterizados os acidentes e as doenças ocupacionais. Com isso, ”não dá para olhar apenas se aumentou ou diminuiu o número total de acidentes e doenças relativas ao trabalho nos últimos anos”.
A partir dessa mudança, passou a ser utilizado um critério de avaliação denominado Nexo Técnico Epidemiológico (NTEP), que é a associação entre as doenças e as atividades de trabalho, que resultou em uma matriz de correspondências entre CNAE (atividade econômica) e o CID (a doença).
”Com todos estes critérios, as empresas estão mais preocupadas em cumprir a legislação em relação à segurança do trabalho”, afirmou, lembrando que há penalidades regressivas. ”Ao pagar a pensão por invalidez, se a Previdência Social constatar que foi por negligência da empresa, ela vai arcar com pagamentos retroativos”, explicou.
Segundo a assessoria da Previdência Social no Paraná, em 2010, foram concedidos 22.301 benefícios relativos a auxilio doença por acidente de trabalho. Desse total, 837 foram aposentados por invalidez. Até o mês de junho deste ano já foram concedidos 11.540 benefícios, que resultaram em 493 aposentadorias.
por master | 01/08/11 | Mobilização
Os trabalhadores da empresa Viação Rocio aceitaram no último domingo (31) a nova proposta da empresa, suspendendo a possibilidade de greve a partir desta segunda-feira (01).
Após muita pressão do sindicato dos trabalhadores, Sindicap, a empresa que é a única concessionária do transporte coletivo urbano de Paranaguá voltou atrás da decisão de não aceitar a proposta de acordo mediada pelo Ministério Público do Trabalho na última sexta-feira e propôs um índice melhor de reajuste.
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por master | 01/08/11 | Ultimas Notícias
Documento estabelece requisitos mínimos de proteção para trabalhadores; população pode contribuir na elaboração das regras.
Está disponível para consulta pública o texto-base para criação da Norma Regulamentadora sobre trabalho em altura. O documento estabelece os requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho em altura, envolvendo o planejamento, a organização e a execução, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade.
Por conta disso, recentemente, no auditório da Copel, técnicos da Altiseg, empresa especializada em segurança em altura, de Curitiba, promoveram um evento preventivo com empresários e a comunidade local. O workshop ”Técnicas de segurança para trabalho em altura”, trouxe para discussão a importância da prevenção nesse setor. ”Até o momento a norma estava embutida em outras regras específicas para outras atividades como a construção civil, a eletricidade, telecomunicações, siderurgia, entre outras”, explica o técnico em segurança no trabalho Ibrahim Kleber. ”Essa norma tem o poder de lei e o objetivo maior é fazer com que todas as empresas estejam atentas e se adaptem a nova legislação que em breve entrará em vigor”, afirma.
Para o técnico em segurança Marcos Amazonas, instrutor do workshop, os acidentes de trabalho são a soma de vários fatores, como a insuficiência de treinamentos, falta ou inadequação de análise do risco da tarefa, tolerância da empresa ao descumprimento das normas de segurança, entre outros. ”Não é só o equipamento que determina a segurança, os treinamentos, o emocional do funcionário e sua valorização ajudam a evitar muito os acidentes. Uma tendência mundial que vem sendo adotada ultimamente em vários países, que têm dado resultados positivos, é dar destaque ao ser humano valorizando mais a ação do que os equipamentos”, afirma.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conforme Amazonas, considera trabalho em altura aquele executado em níveis diferentes e no qual haja risco de queda capaz de causar lesão ao trabalhador. De acordo com o MTE, as normas são importantes em todos os locais de trabalho e têm por objetivo estabelecer obrigações quanto à adoção de medidas que garantam trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes.
Durante as discussões foram apresentadas situações de risco e a importância da utilização correta dos equipamentos de segurança, como o cinto paraquedista, talabarte, trava quedas, o acesso por cordas e os tipos de resgates mais utilizados nos acidentes de trabalho. As dúvidas mais frequentes de trabalhadores de empresas estatais e privadas foram esclarecidas, além de abordar as soluções mais avançadas na área de prevenção de acidentes em altura e em locais confinados.
De acordo com Amazonas, a nova norma irá auxiliar na diminuição do índice de acidentes de trabalho em altura, que segundo ele, é alarmante se comparado a outros setores. ”Em 2010, foram registrados, 1944 acidentes de trabalho, nem todos causados por queda, porém, quando ocorrem em sua maioria são fatais”, afirma. A norma conforme ele, requer maior atenção para o trabalho em altura, pede que seja realizada análise de risco específica para a questão altura. ”A exigência, atualmente, ocorre de forma mais branda e resulta nesse número preocupante de acidentes. Agora a legislação irá cobrar de forma mais ativa para que as medidas de proteção sejam tomadas”, reitera.
As sugestões para a nova norma podem ser enviadas até o dia 12 de agosto para o e-mail normatizacao.sit@mte.gov.br. O documento foi elaborado em parceria pelo governo, trabalhadores e empregadores.
Kalinka Amorim
Reportagem Local