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Barril de pólvora em Jirau

Barril de pólvora em Jirau

Força Nacional é enviada para a usina. Obras estão paradas e não há previsão de retomada

Depois de uma rebelião de trabalhadores, com depredação de ônibus e destruição de instalações, e que levou à detenção de mais de 30 operários, a Camargo Corrêa paralisou ontem as obras de construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia. Um dos principais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o canteiro de obras de Jirau abrigava 22 mil trabalhadores e está em clima barril de pólvora desde quarta-feira. Truculência de encarregados, seguranças e motoristas é a principal queixa dos operários. E a agressão de um deles foi o estopim do protesto, que destruiu 60 veículos, praticamente todos os alojamentos da margem direita da obra, enquanto os operários da margem esquerda só conseguiram sair escoltados pela Polícia.

A pedido do governador de Rondônia, Confúcio Moura, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mandou ontem 600 homens da Força Nacional para tentar controlar a situação. O governador também pediu tropas de Exército, Marinha e Aeronáutica para proteger paióis de explosivos e fazer a vigilância do Rio Madeira e do espaço aéreo na região. Segundo o governo estadual, os manifestantes incendiaram 45 ônibus, 15 carros, 15 alojamentos e mais de 30 diferentes instalações. O incêndio teria deixado sem abrigo 12 mil peões.

Não há previsão para o retorno das obras e, ontem, o diretor-presidente do Energia Sustentável, consórcio responsável pelo empreendimento, Victor Paranhos, afirmou que a paralisação pode comprometer a entrega da usina no prazo previsto de março de 2012. O consórcio é formado por GDF Suez (50,1%), Eletrosul (20%), Chesf (20%) e pela empreiteira Camargo Corrêa (9,9%).

O conflito provocou um verdadeiro êxodo de 22 mil trabalhadores (19 mil da Camargo Correa e três mil terceirizados) fugindo do canteiro. Ao longo da BR 364, que chegou a ser fechada pelos trabalhadores, dezenas de operários com malas nas costas tentavam deixar o local. A situação piorou com a convocação de trabalhadores que, na véspera, haviam saído para voltarem ao trabalho:

– Saímos da margem esquerda, porque disseram que iriam incendiar os nossos alojamentos. Fomos alojados na margem direita e, no meio da noite, veio o fogo. Não deu tempo nem de pegar os documentos. Saí com a roupa do corpo. A polícia lançou spray de pimenta – contou um trabalhador, em Jaci-Paraná, próximo de Jirau.

Os trabalhadores reclamam que o pagamento de horas extras está sendo cortado pela Camargo Correa. E reivindicam também o aumento do valor da cesta básica dos atuais R$110 para R$350, igualando o montante ao de outras empresas que atuam na obra.

No fim da tarde de ontem, havia mais de 4 mil trabalhadores no município de Jaci-Paraná e cerca de 2 mil em Nova Mutum. Eles estavam sem comida desde a manhã, porque o refeitório foi destruído durante as manifestações, informação que foi negada pela Camargo Correa. Os operários andaram mais de 12 km tentando fugir de Jirau.

A empreiteira informou que providenciou 50 ônibus para levar os 19 mil trabalhadores do canteiro de obras para a capital de Rondônia, Porto Velho, que fica a 130 quilômetros de Jirau. Segundo a Camargo Corrêa, em Porto Velho, os trabalhadores ficarão alojados num local com capacidade para 10 mil pessoas. A empresa também liberou uma linha telefônica para dar informações aos trabalhadores e seus parentes: 0800 9400810.

Em Rondônia, o gerente de Relações Trabalhistas e Sindicais da empresa, Roberto Silva, disse que as queixas dos trabalhadores sobre a truculência de encarregados, seguranças e motoristas são questões pontuais:

Silva disse que a empresa não tinha conhecimento de nenhuma reivindicação dos trabalhadores. E afirmou que todos os direitos trabalhistas dos operários serão preservados. Ele informou que ainda não há data prevista para a retomada as obras.

Em nota, a Camargo Corrêa afirmou que “esses atos de violência foram provocados pela ação criminosa e isolada de um grupo de vândalos”. A empresa disse que é improcedente a informação de que reivindicações trabalhistas provocaram o incidente e que não recebeu dos trabalhadores qualquer solicitação dessa natureza.

O Palácio do Planalto mobilizou ontem três órgãos para manter conversas com trabalhadores, movimentos sociais, empresas e governos locais. A ordem é acompanhar de perto a situação em Jirau. O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, conversou com o governador Moura e representantes da construtora Camargo Corrêa e da Tractebel, sócias da hidrelétrica. O Gabinete de Segurança Institucional passou a monitorar as ocorrências e o Exército entrou em prontidão. O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, discutiu o assunto com prefeitos, sindicato regional da construção civil, Movimento dos Atingidos por Barragens e Via Campesina.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que não tem como interferir no conflito em Jirau. A autarquia argumenta que trata-se de um problema trabalhista e sua competência restringe-se a fiscalizar as obras. O Ministério do Trabalho não respondeu ao pedido de informação do GLOBO.

Barril de pólvora em Jirau

89% dos salários tiveram reajuste acima da inflação

As negociações salariais com aumento real de salários atingiram, em 2010, a maior proporção desde 1996. Conforme o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 88,7% de um total de 700 negociações salariais conseguiram reajuste acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em 2009, a proporção havia sido de 78,9%.

Segundo o Dieese, 7% das negociações conseguiram repor a inflação e 4,3% não chegaram a este patamar. Em 2009, os índices dos acordos que conseguiram repor as perdas da inflação e dos que ficaram abaixo do INPC ficaram em 12,3% e 8,8%.

O comércio foi o setor com maior proporção de negociações salariais com ganho real. Foram 96% de acordos com aumento superior ao INPC, ante 91% na indústria e 83% nos serviços. O coordenador da pesquisa, José Silvestre, diz que o comércio teve desempenho superior ao da economia brasileira em 2010.

Segundo ele, até novembro o comércio cresceu 11% na comparação com 2009. “A renda e a oferta de crédito estiveram em alta em 2010 e estas variáveis são os termômetros do comércio. O bom desempenho delas explica o resultado do setor.”

O ano de 2010 se destacou pelo aumento das negociações que conquistaram faixas mais altas de ganho real. De 700 acordos analisados, 106, ou 15%, tiveram aumento real acima de 3%. Em 2008, essa faixa correspondeu a 4% das negociações e, em 2009, a 5%. Os ganhos acima de 5% também foram maiores em 2010: 4% do total, ante 0,28% em 2008 e 1,4% em 2009. Grande parte das negociações (74%) resultou em aumento real na faixa entre 0,01% e 3%. O porcentual de acordos que não repôs o INPC foi de 4%, ante 11% em 2008 e 9% em 2009. Na análise do triênio 2008 a 2010, o Dieese aponta que 89% das negociações tiveram ganho real, 2% igualaram a inflação e 10% tiveram perda.

O balanço destaca que só 2% dos acordos conseguiram incorporar ganhos equivalentes ao crescimento do PIB nos últimos três anos que, acumulado, foi de 12,4% (5,1% em 2008, -0,2% em 2009 e 7,5% em 2010).

Por regiões, o Centro-Oeste e o Sul tiveram 94% e 92% de acordos acima da inflação. O Sudeste teve 87%, o Nordeste 87,6% e o Norte 86,4%. Nas negociações de caráter nacional, 83,3% obtiveram ganho real. O Dieese projeta para 2011 manutenção do cenário virtuoso observado em 2010.

Barril de pólvora em Jirau

Dieese diz que 88,7% das categorias conseguiram reajuste real

As negociações salariais com aumento real de salários atingiram, em 2010, a maior proporção em relação ao total desde 1996. Segundo dados divulgados hoje pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 88,7% de um total de 700 negociações salariais obtiveram reajuste acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – indicador de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2009, a proporção havia sido de 78,9%.

Segundo informações do Dieese, 7% das negociações conseguiram, ao menos, repor a inflação em 2010 e 4,3% não chegaram a este patamar. No levantamento de 2009, os índices dos acordos que conseguiram repor as perdas da inflação e dos que ficaram abaixo do INPC foram de 12,3% e 8,8%, respectivamente.

Barril de pólvora em Jirau

Sintracarp distribui 7,5 mil litros de água a motoristas na BR 277

Ação sindical de solidariedade além de levar água aos trabalhadores, levou informação sobre a campanha salarial 2011 e os direitos trabalhistas dos motoristas

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Motoristas estavam dependendo da água vendida a preços abusivos de até R$ 70. Na foto, o diretor do Sintracarp e Fetropar, Gilberto Amorim, distribui galão de água a motorista parado na fila da BR 277.


Nesta quarta-feira, 16, diretores do Sindicato dos Trabalhadores Motoristas e Ajudantes em Empresas de Transportes de Cargas do Estado do Paraná (Sintracarp) distribuíram 7,5 mil litros de água mineral aos motoristas que estão presos nas filas pra descer pro porto de Paranaguá na BR 277 e aos motoristas que estavam nas filas da ligação do contorno sul (que faz ligação entre as BRs 277, 376 e 116). A água foi custeada pelo Sintracarp e pela Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná (Fetropar).

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Evaldo Baron distribui água e boletim da Fetropar a motoristas
que chegavam ao pátio de triagem do Porto de Paranaguá

Como a situação era mais crítica na BR 277 sentido Paranaguá, onde diversas pontes foram destruídas, os dirigentes direcionaram maior quantidade de galões de água para esta região, entregando por toda extensão da rodovia até o pátio de triagem do porto de Paranaguá. Durante a manhã a fila iniciava-se na altura da Renault, em São José dos Pinhais.

Além da água, os dirigentes entregaram boletim informativo da Fetropar contendo a pauta de reivindicações da campanha salarial unificada 2011 dos trabalhadores do setor do transporte de cargas do Paraná e informações relevantes sobre direitos trabalhistas e prevenções de saúde.

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Barril de pólvora em Jirau

Galão de cinco litros de água chega a custar R$ 70 na BR-277

Na fila dos caminhoneiros que descem e retornam pela BR-277, que liga Curitiba ao litoral do Paraná, vindos do Porto de Paranaguá, a reclamação é geral. Eles enfrentaram este ano problemas a mais: a falta de água potável para beber e preços abusivos oferecidos pelo produto ao longo da rodovia.

O caminhoneiro de Ponta Grossa, José Lourival de Oliveira, há 22 anos na estrada, denunciou que um vendedor lhe ofereceu cinco litros de água por R$ 70 reais. Ele está indignado com a longa espera para chegar e voltar do Porto de Paranaguá. “É uma vergonha. O pedágio é caro e não temos nenhum benefício”, disse Oliveira, que ficou quatro dias na fila.

O caminhoneiro de Três Arroios (Rio Grande do Sul), Volnei Varotto, está há três anos na estrada e ficou dois dias na fila para chegar ao porto. “Não temos apoio nenhum na estrada. Ninguém traz uma água e ainda temos que pagar pedágio, sem contar que a gente deixa de faturar e fica gastando dinheiro do bolso para se manter”, dispara Varotto.

O caminhoneiro Paulo Ronsoni, também de Ponta Grossa, ficou quatro dias na fila para chegar ao Porto de Paranaguá. Segundo ele, “não é fácil ficar longe da família. Ronsoni disse que a demora este ano foi uma fatalidade devido às chuvas e desabamentos de pontes.

Édson Bueno dos Santos, também de Ponta Grossa, caminhoneiro há 17 anos, acha que a maior dificuldade é a falta de banheiro e de água. Ele ficou três dias parados na estrada. “É complicado. A fila dá muito sono. A gente não trabalha, não dorme, nem descansa”, afirma Santos.

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Motoristas Ajudantes de Caminhos de Cargas do Estado do Paraná (Sintracarp), e da Federação dos Trabalhadores Rodoviários do Estado do Paraná (Fetropar) estiveram distribuindo 4,5 mil litros de água mineral para os caminhoneiros na BR-277, nesta quarta-feira (16). Eles distribuíram mais três mil litros quinta-feira (17).

O diretor do Sintracarp e membro da Fetropar, Evaldo Baron, denunciou que os caminhoneiros estão com dificuldades de entrar no final da fila e enfrentam falta de segurança na BR-277. Baron denunciou ainda que alguns caminhoneiros demoraram oito dias na fila para chegar ao Porto de Paranaguá.

Fonte: O Estado do Paraná

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Novo mínimo regional fica para terça

A decisão sobre o reajuste do salário mínimo regional foi adiada para a próxima terça-feira, após uma reunião ocorrida ontem entre empresários, trabalhadores e representantes do governo. O adiamento ocorreu a pedido das principais entidades patronais do estado, que não aceitaram a proposta das centrais sindicais, que pedem 14,84% de aumento. A contraproposta patronal é de reajuste de 4,5%, sob a justificativa de que uma alta maior poderia prejudicar a competitividade das empresas paranaenses. O governo estadual propõe uma correção pelo INPC, de 6,46%.

O piso regional vale para profissionais que não têm base salarial estabelecida por acordos ou convenções trabalhistas. No estado, são cerca de 350 mil trabalhadores, como jardineiros, zeladores e açougueiros. Mesmo afetando diretamente poucos trabalhadores, o salário mínimo regional serve como referência para as categorias organizadas. A medida precisa ser sancionada pelo governador até 1.º de maio. Caso se chegue a um acordo no dia 22, a proposta será enviada à Assembleia Legislativa; do contrário, o governo decidirá o valor do reajuste a ser apreciado pelos deputados.

Fonte: Gazeta do Povo