NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Governo já admite mínimo de R$ 560

Governo já admite mínimo de R$ 560

Líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), negocia acordo com DEM e PSDB para garantir celeridade na apreciação da proposta, enviada ontem ao Congresso; Planalto vai insistir no valor de R$ 545, mas traça um plano B

BRASÍLIA – Sem ter certeza do apoio da base aliada para aprovar um valor de R$ 545 para o salário mínimo, o governo acertou nesta quinta um plano B com os partidos de oposição para evitar um prejuízo maior. Em reunião com PSDB e DEM, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), marcou a votação para a próxima quarta-feira. O governo vai insistir no valor mais baixo, mas se perceber que não terá apoio suficiente na base para bancar os R$ 545, acertou com a oposição que abraçará a emenda apresentada pelo PDT reajustando o mínimo para R$ 560, valor que DEM e PSDB aceitam votar.

Para garantir a votação, o governo aceitou a realização de uma comissão geral na Câmara, na terça-feira, com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como desejava a oposição, e concordou que outros partidos apresentassem suas próprias emendas propondo outros valores para o reajuste.

A vantagem do governo é que o acordo de procedimentos com a oposição garante o compromisso de que a votação não será obstruída, nem incluirá outras matérias espinhosas para o Palácio do Planalto, como o reajuste para aposentados. E, o principal de tudo, cria uma espécie de trava de segurança impedindo que o mínimo suba para valores considerados inaceitáveis pela equipe econômica, como os R$ 580 defendidos pelas centrais sindicais ou R$ 600 como a emenda apresentada pelo PSDB.

Apesar de insistir na aprovação de um mínimo de R$ 545, o governo sabe que o cenário dentro do Congresso hoje é extremamente instável para ter certeza que a base votará unida em torno da proposta.

Partidos como PMDB, PDT e PC do B têm se queixado do comportamento do governo na distribuição de postos nos escalões intermediários. Até mesmo o PT, partido da presidente Dilma, enfrenta problemas internos por conta da ocupação de espaços dentro do Congresso e reclama da omissão do governo em torno do assunto.

Esses grupos sinalizam com a possibilidade de votar um valor maior para o mínimo para exibir sua insatisfação com o governo.

Pacto surpresa. A negociação do governo com a oposição foi deflagrada ontem de manhã, com Vaccarezza se reunindo com o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA) e da minoria, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), na sala da liderança dos tucanos. A conversa convergiu rapidamente para um consenso. A velocidade no fechamento do acordo causou surpresa e provocou críticas feitas por oposicionistas contrários à negociação. Para ACM Neto, porém, a oposição não cedeu.

“Nós abrimos o diálogo com o governo, mas estamos trabalhando para aprovar um salário mínimo maior do que o valor apresentado pelo governo”, disse.

Defensor da emenda que aumenta o mínimo para R$ 600, Duarte Nogueira admite que o PSDB poderá apoiar um valor menor. “Combinamos nesse encontro um acordo de procedimentos. O objetivo do PSDB é garantir o aumento do mínimo. Já disse que não somos inflexíveis, embora o partido defenda os R$ 600”, afirmou o tucano.

Para o líder do governo, o importante é garantir que a votação aconteça já na próxima semana e sem obstruções ou manobras que incluam a apresentação de outros projetos fora do interesse do governo.

“Estamos construindo um acordo e eu prefiro sempre um bom acordo do que uma guerra”, disse Vaccarezza ao deixar o encontro.

Sem participar da negociação com o governo, o deputado Roberto Freire (PPS-SP), que também integra a oposição, criticou duramente a aceleração da votação do mínimo. Freire chamou de “molecagem” o fato de o projeto do mínimo “furar a fila”, passando a frente de outros projetos em pauta, apenas por conta do desejo do governo.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Governo já admite mínimo de R$ 560

Centrais pressionam para disputar rumos do governo

As centrais sindicais vivem um dilema no início do mandato da presidente Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo em que reivindicam o aumento real do salário mínimo para atender suas bases, descartam afastar-se do governo federal e evitam o confronto direto com a presidente. O movimento sindical pretende influenciar os rumos da política econômica da gestão Dilma, mas não quer perder conquistas dos últimos anos, como o caixa das centrais reforçado pelo repasse do imposto sindical e a participação no governo.

O resultado é uma pressão moderada das centrais contra a gestão Dilma. “Não vamos romper. Somos parceiros e apoiamos Dilma”, diz o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força Sindical e um dos principais críticos do valor de R$ 545 proposto pelo Executivo para o mínimo. “Nossa ideia é disputar com [os rumos de] a política econômica. Queremos mostrar que o arrocho é a política dos derrotados, de quem estava no governo lá atrás, antes de [Luiz Inácio] Lula [da Silva] assumir”, afirma, referindo-se ao PSDB. “Dilma disse que o governo seria de continuidade”.

Semelhante ao discurso de Paulinho, Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que o esforço das centrais é evitar que o governo aposte em medidas de arrocho fiscal e aposte no crescimento com distribuição de renda. “O debate que está por trás do salário mínimo é qual o rumo que o governo vai tomar. Um lado defende uma política mais “financista”, de arrocho, e o outro quer investimento em infraestrutura para crescer”, declara.

As centrais preparam uma manifestação no Congresso para pressionar o governo a aumentar o valor do mínimo para R$ 580, na quarta-feira, véspera da data prevista para a votação do projeto de lei enviado pelo Executivo. “Mas não vamos colocar a faca no pescoço de ninguém”, diz Ricardo Patah, da União Geral dos Trabalhadores (UGT). “Não temos interesse de confrontos. Queremos só que o governo opte pelo aumento do salário mínimo e não pelos juros”, afirma.

Pela regra acertada com os sindicalistas em 2007, o mínimo deve ser reajustado por uma fórmula que leva em conta a taxa de inflação do ano anterior e a variação do PIB de dois anos antes. O aumento do piso de R$ 510 para R$ 545 não proporciona ganho real, porque o PIB não cresceu em 2009 (retrocedeu 0,2%).

Para o professor livre-docente da Unicamp Ricardo Antunes, a proposta de aumento dos sindicalistas só não é maior porque as centrais são “prisioneiras do governo”. Especializado em sociologia do trabalho, Antunes aponta para a perda de autonomia das centrais nos últimos anos, ao longo do governo do ex-presidente Lula. “As centrais dependem do governo e estão cooptadas. Contestam o reajuste sem confrontar o governo, porque querem participar dele, aumentar o espaço do “trabalho” [no Planalto]”, diz.

Líderes sindicais, no entanto, tentam marcar uma postura de independência frente ao governo federal, apesar da proximidade com a máquina pública. “O fato de termos ficado ao lado da presidente não significa que vamos apoiar tudo”, diz João Carlos Gonçalves, o Juruna, da direção da Força Sindical. “Os movimentos sociais têm que estar atentos ao governo, que é de coligação, não é de esquerda”, diz, ressaltando que há descolamento entre as centrais e o governo. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), é ligado à Força Sindical.

Em comum, os dirigentes reclamam da falta de diálogo com Dilma. Apesar da interlocução com Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, presidentes das maiores centrais dizem que não foram recebidos pela presidente. Para o consultor sindical João Guilherme Vargas Neto, o movimento sindical ainda está “aprendendo a reagir” no novo governo. Se com Lula a relação era de proximidade, com Dilma ainda está sendo construída. “As centrais estão passando por uma nova relação com um governo que tem um outro estilo “, comenta.

O atrito entre governo e centrais é semelhante ao que ocorreu no começo do governo Lula. Naquela época, o governo só se aproximou novamente do movimento sindical com a crise política do mensalão, em 2005.

Fonte: Valor Econômico

Governo já admite mínimo de R$ 560

Planalto acerta agenda para votação dos R$ 545 e da política salarial

O governo quer votar, na quarta-feira, à noite, o projeto de lei que estipula o valor do salário mínimo de R$ 545 e mantém a política de reajuste até 2014 com base na inflação do ano anterior mais o PIB de dois antes. De acordo com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), o acerto feito com os líderes, incluindo a oposição, é que não haja obstrução em plenário e ocorram apenas duas votações nominais. A primeira na emenda apresentada pelo PSDB com um mínimo de R$ 600 e outro para a proposta do DEM – que conta com o apoio do PDT – de um mínimo de R$ 560.

Para convencer os parlamentares sobre a necessidade de aprovar o mínimo de R$ 545, o governo vai municiar os deputados com informações sobre as contas públicas brasileiras. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, já assumiu o compromisso de reunir-se com o PSDB, o DEM e o PMDB – ontem ele conversou com a bancada do PV.

“Não seremos inflexíveis nos R$ 600, mas queremos a possibilidade de discutir esse valor”, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), que participou da reunião com Vaccarezza, com o líder do DEM, ACM Neto (BA), e da minoria, Paulo Abi-Ackel (MG). Se vingar, o acordo põe fim a uma queda-de-braço com a oposição.

O projeto de lei com o novo valor do piso salarial foi publicado ontem no “Diário Oficial da União”. De forma a “furar a fila” de dez medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta da Câmara, foi inserido no projeto de lei um artigo, sem qualquer relação com o mínimo, que “disciplina a representação fiscal para fins penais nos casos em que houve parcelamento de crédito tributário”. Por se tratar de matéria tributária, o projeto ganha prioridade sobre as medidas provisórias.

Na terça-feira à tarde, a Câmara será transformada em uma comissão geral para que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, relate a situação fiscal brasileira e as razões que levaram o Executivo a propor um reajuste do salário mínimo para R$ 545. Para Vaccarezza, a presença da equipe econômica no Congresso servirá para explicar as razões pelas quais o reajuste não pode ser maior do que o proposto no projeto.

No início do ano, quando o valor de R$ 545 foi confirmado pelo governo de Dilma Rousseff, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), pediu ao chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci e ao ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, uma audiência da bancada com Mantega para “convencer os parlamentares a aprovarem a proposta do Executivo”.

Vaccarezza acrescentou ainda que o acordo de procedimentos também atende às reivindicações da oposição, já que os destaques propondo um valor maior para o mínimo terão que ser votadas nominalmente. “Sem este acordo, poderíamos ter até 40 votações nominais, o que prejudicaria a votação da proposta. Agora teremos apenas duas, centradas no conteúdo”, acrescentou.

O PT aprovou ontem, durante reunião de seu diretório nacional, uma resolução defendendo a manutenção da atual política de reajuste do salário mínimo. O texto classifica a atual regra como “um acordo histórico com todas as centrais sindicais do país”.

O comando petista também defendeu o prosseguimento do diálogo com as centrais sindicais “para que, também nesta área, o país continue avançando, já que a valorização permanente do salário mínimo não só aumenta a renda dos trabalhadores como se constitui em poderoso estímulo à economia”.

Este foi o único ponto, na reunião do diretório nacional, que precisou ir à voto. Integrante da corrente “O Trabalho” Marcos Sokol defendeu a retomada do diálogo com as centrais antes que o projeto seja enviado ao Congresso. Para o secretário de Comunicação do PT, André Vargas (RS), o governo manterá as negociações com os sindicalistas durante a tramitação da proposta no Congresso.

Fonte: Valor Econômico

Governo já admite mínimo de R$ 560

Sindicatos: “Equívoco total”

Entre os sindicatos ligados ao funcionalismo, as reações contrárias ao enxugamento orçamentário foram imediatas. Para as entidades, ao não realizar seleções, represar as chamadas dos aprovados e reduzir espaços para possíveis reajustes salariais, o governo assume riscos que podem fazer com que a máquina estatal trave ou funcione mais lentamente.

Para o secretário-geral da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), Sebastião Soares, a medida é um “equívoco total e absoluto”. “O governo vai provocar um sucateamento de setores que já apresentam deficiências, como saúde e segurança”, ressaltou. As preocupações dos representantes dos servidores incluem ainda as negociações em torno do contracheque. “As conquistas obtidas em rodadas anteriores não serão implementadas”, resumiu Soares.

José Carlos Oliveira, secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), disse que o corte de R$ 50 bilhões prejudica a aprovação do projeto de lei que prevê aumento médio de 56% para os servidores da Justiça federal. “É mais um elemento que vai na contramão do que defendemos, que é a valorização do servidor”, explicou. Em 23 de março, os funcionários do Judiciário vão realizar um dia de mobilização para cobrar a aprovação da proposta. “Estamos sendo usados como bodes expiatórios”, completou Josemilton Costa, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

Fonte: Correio Braziliense

Governo já admite mínimo de R$ 560

Taxa de desemprego cresceu entre mais pobres, mostra Ipea

A redução do nível de desemprego registrada nos últimos cinco anos e o aumento da taxa de ocupação, com uma sensível melhora na renda obtida pelos trabalhadores, não só não foi suficiente para eliminar as desigualdades sociais, como as ampliou entre os desempregados das seis principais regiões metropolitanas do país.

Segundo técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), enquanto nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife a taxa de desemprego geral caiu 31,4% de dezembro de 2005 ao mesmo mês de 2010, entre os 10% mais pobres o desemprego cresceu 44,2%.

Além disso, cresceu também a desigualdade entre os 10% que ganham mais e os 10% que ganham menos. A partir dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os técnicos do Ipea constataram que a diferença nas taxas de desemprego dos dois grupos, que em 2005 era de 11 vezes, passou a ser de 37 vezes em 2010.

Valor Econômico

Governo já admite mínimo de R$ 560

A proteção jurídico-processual do exercício do direito de greve e da liberdade sindical

Histórico

O Sintracarp, entidade sindical filiada a Fetropar, foi instado pelos trabalhadores empregados de empresa do ramo de logística (Catlog), a assumir o processo negocial. Os referidos trabalhadores desenvolvem atividade de logística no recebimento, armazenamento e abastecimento de peças utilizadas na montagem de veículos, portanto, ordenando todo o suporte à linha de produção dos produtos produzidos no parque automobilístico da Renault/Nissan.

Após longo e frustrante processo negocial, iniciado em abril/2010, objetivando a melhoria das condições sócio-econômicas dos trabalhadores, por outro lado, dada naquele momento, a inércia patronal, nada mais restou ao sindicato, senão, aprovar em assembléia, deflagração do movimento paredista, com a finalidade de, legitimamente, pressionar o empregador a apreciar e incorporar a pauta de reivindicações dos trabalhadores.

Processo de greve

Na data de 25 de maio de 2010, após ultimadas as fases do processo negocial, por fim, o Sintracarp, notificou a empresa, informando que na data de 25 de maio de 2010, os trabalhadores decidiram, em assembléia, deflagrar o movimento paredista, a partir de 25 de maio de 2010, tendo em vista a rejeição da proposta da empresa.

Prática de atos antissindicais. Ato ilícito. Violação da lei de greve. Posição doutrinária e da OIT.

Deflagrado o movimento paredista em conformidade com a Lei de Greve 7.783/89, com a devida comunicação prévia – parág. único do art. 3.º da Lei 7783/89, tal processo resultou na paralisação das atividades de recebimento, armazenamento e abastecimento de peças utilizadas na montagem de veículos, portanto, ordenando todo o suporte à linha de produção dos produtos produzidos no parque automobilístico da Renault/Nissan.

Violação da lei de greve. Nesse sentido, o que era suspeita do sindicato e dos trabalhadores, materializou-se, num ato antissindical do empregador, caracterizado na burla da lei de greve pelos empregadores, impondo a utilização de mão-de-obra substituta aos empregados que aderiram ao movimento paredista, diga-se de passagem de adesão massiva, para tanto, as empresas convocaram trabalhadores das empresas prestadoras de serviços e da própria Renault/Nissan, para executarem as tarefas dos empregados grevistas.

Tal prática revelou-se, flagrante ato ilegal e antissindical do empregador, mediante o descumprimento de obrigação de não fazer expresso na lei de greve – parágrafo único (in fine) do art. 7º. da Lei 7783/89 – no tocante a vedação do empregador proceder a substituição dos trabalhadores que aderiram a greve, in verbis:

Art. 7.º Observadas as condições previstas nesta Lei, a participação em greve suspende o contrato de trabalho, devendo as relações obrigacionais durante o período ser regidas pelo acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho.

Parágrafo único. É vedada a rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos, exceto na ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 9.º e 14;

 

Posição doutrinária sobre o tema. O fato é que há impedimento legal do empregador para promover a substituição de mão-de-obra, segundo as lições da Doutrinadora e Desembargadora do TRT 3ª Região, Alice Monteiro de Barros(1), dentre os direitos dos grevistas está:

“Por outro lado, o mesmo art. 6º., § 2º., proíbe que as empresas adotem meios para constranger o empregado a comparecer ao trabalho(…)

É bom lembrar, ainda, que a Lei 7783, de 1989, veda a dispensa de trabalhadores durante a greve, como também a contratação de substitutos(…)”

Violação da liberdade sindical segundo os diplomas internacionais da OIT e do comitê de liberdade sindical. Nesse sentido, o Comitê de Liberdade Sindical da OIT, órgão de controle de aplicação das Convenções 87 e 98 da OIT, no que concerne a liberdade sindical, nos precedentes normativos 570 e 571, versão 1997 em português, em sua Recopilação de decisões e princípios do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de Administração da OIT, analisando a substituição de trabalhadores em período de greve, assim pontificou:

570. A contratação de trabalhadores para desgastar a greve num setor, que não pudesse ser considerado com um setor essencial no sentido estrito do termo para justificar a proibição da greve, constitui grave violação da liberdade sindical.

571. Se uma greve é legal, o recurso à utilização de mão-de-obra não pertencente à empresa, com a finalidade de substituir os grevistas, por duração indeterminada, envolve risco de violação do direito de greve que pode afetar o livre exercício dos direitos sindicais

Assim, a prática empresarial revelou-se notadamente ilegal e antissindical, em ferimento aos princípios de liberdade e autonomia sindical preconizados pela OIT e os princípios da dignidade humana e da valorização do trabalho pontificados na Constituição Federal e a Carta Sócio-laboral do MERCOSUL.

Judicialização da greve

O conjunto de situações fático-jurídicas levou o Sintracarp a ingressar com medida judicial configurada numa Ação declaratória de ato ilícito e de ato antissindical cumulada com pedido de tutela inibitória em face da CATLOG e Renault/Nissan, distribuída perante a 2ª. Vara do Trabalho de São José dos Pinhais/Pr, autos 02463-2010-892-09-00-0, onde postulou-se o deferimento liminar para, inicialmente, proceder-se a Constatação Judicial, por meio de Oficial de Justiça, para que se fizesse a produção de Auto de Constatação, atestando-se as condições de recebimento, armazenamento e abastecimento de peças utilizadas na linha de produção de montagem dos veículos, no parque automobilístico da Renault/Nissan, sucessivamente, concessão de liminar, postulando Tutela Inibitória com imposição de Obrigação de não fazer para que se determinasse preventivamente e por fim a cessação, pelo empregador e o tomador de serviços, de todos e quaisquer atos antissindicais, nele compreendidos medidas do empregador tendentes a coagir os trabalhadores para desistirem do movimento paredista – art. 6.º. § 2.º. da Lei 7.783/89, ou, ainda, suprimir, limitar ou constranger o exercício do direito de greve, com interferências e/ou soluções de substituição/contratação/subcontração de mão-de-obra contrárias ao disposto na parte final do parág. único art. 7º. Lei 7783/89, tal pedido foi cumulado com pedido de dano moral coletivo.

Deferida a liminar atendendo o pedido de constatação judicial, o oficial de justiça, produziu Auto de Constatação, consignando a materialidade das alegações contidas na inicial, ou seja, relatando na diligência a efetiva substituição de mão-de-obra da CATLOG, por outras empresas de logística e por funcionários da própria Renault/Nissan.

 

Acordo judicial

Por fim, a greve acabou “sensibilizando” a empresa, que acatou a pauta reivindicatória dos trabalhadores, transformando-a em instrumento coletivo. Encerrando o sucesso da empreitada jurídica do Sintracarp, quando da ocorrência da audiência instrutória, ocorrida em 23 de novembro de 2010, na 2.ª. Vara do Trabalho de São José dos Pinhais/Pr, nesse ato, celebrou-se inédito e relevante precedente judicial, consubstanciado em acordo judicial preventivo contra eventuais e futuros atos antissindicais potencialmente violadores da lei de greve, configuradores de substituição de mão obra durante movimento paredista, vide ata de audiência:

Proposta conciliatória do sindicato autor: que as empresas se abstenham, doravante, de quaisquer práticas antissindicais caracterizadas pela substituição de mão de obra durante eventual movimento paredista, em violação ao disposto na lei de greve, sob pena de multa de R$ 50.000,00 reversíveis ao fundo de formação profissional do sindicato autor.

Tal acordo deverá ter ampla divulgação perante os trabalhadores da 1.ª ré (Catlog).

A 1.ª ré concorda com o acordo nos termos em que foi acima registrado, com exclusão das 2.ª e 3.ª reclamadas

Convencionam as partes que a divulgação do acordo será feita através de edital, pela 1.ª ré, sendo este afixado na entrada da empresa, em 10 dias, com comunicação ao autor.(Consultado em 10 de fevereiro de 2010 – http://www.trt9.jus.br/internet_base/publicacaoman.do?evento=Editar&chPlc=4058508&procR=AAAbqKAApAAOpVDAAW&ctl=2463

Conclusão

Em suma, o ativismo sindical e sua luta pela melhoria de condições de vida da classe trabalhadora importam, também, no enfrentamento incorporando estratégias jurídico-processuais, superadoras de atitudes meramente reativas dos sindicatos aos interditos proibitórios promovidos pelos patrões, que, na prática, limitam o exercício do efetivo direito de greve dos trabalhadores.

O presente caso nos ensina de que a assessoria jurídica das entidades sindicais, pode e deve, também, utilizar das ferramentas legais-processuais disponíveis para assegurar o exercício do direito fundamental de organização sindical, bem como do pleno exercício do direito de greve previsto no art. 9.º da CF/88 e da respectiva lei e regulamentadora pela 7783/89, sob a inspiração da normatizadora dos tratados internacionais da OIT (Convenção 98 e 135 da OIT).

Nota:

(1) Barros, Alice Monteiro de . CURSO DE DIREITO DO TRABALHO. São Paulo: LTr, 2009. p. 1311.

 

Sandro Lunard Nicoladeli é advogado trabalhista, mestre em direito pela UFPR, professor da UFPR e Faculdades OPET, conselheiro da Associação dos Advogados Trabalhistas e sócio do escritório Passos & Lunard – advogados associados.
_ _ _

André Passos é advogado trabalhista, especialista em direito coletivo do trabalho, assessor de entidades sindicais e sócio do escritório Passos & Lunard – advogados associados.

www.defesadetrabalhadores.com.br

Fonte: O Estado do Paraná