por master | 05/12/10 | Ultimas Notícias
Para atingir superávit primário proposto por Guido Mantega, corte no início do governo Dilma terá de ser maior que o de 2003
O governo federal terá de fazer um arrocho fiscal maior que o de 2003, primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, para que o superávit primário do setor público consolidado atinja 3,3% do PIB em 2011. Essa meta foi sinalizada recentemente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A estimativa foi feita por economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O superávit de 3,3% se justifica para auxiliar o Banco Central (BC), já que o risco inflacionário está em alta, como prova o recente aumento dos recolhimentos compulsórios, anunciado na sexta-feira. O controle dos gastos públicos segura a demanda da economia, e ajuda no combate à inflação. A presidente eleita, Dilma Rousseff, porém, já deixou claro que é contra ajustes fiscais drásticos como o de 2003.
Chefiada por Samuel Pessôa, uma equipe do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV no Rio, fez uma projeção detalhada das medidas fiscais necessárias para a obtenção do superávit primário de 3,3% em 2011, sem artifícios contábeis. Eles partem do princípio de que o salário mínimo será reajustado para apenas R$ 540,00, e que o PIB vai crescer 4,9% no próximo ano.
Ao contrário de uma expressiva corrente do mercado financeiro, Pessôa acha possível se chegar aos 3,3% de primário em 2011. Mas isso não significa que ele considere a meta politicamente fácil: “Vai ser muito duro, mas impossível não é”. Pessôa vê riscos, inclusive, para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a viga principal da plataforma eleitoral de Dilma.
Os economistas do Ibre compararam o esforço fiscal prometido para 2011 com aquele realizado pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em 2003. A conclusão é que a contenção de despesas em 2011 terá de ser maior, seja qual for o critério, para se atingir o primário de 3,3%.
Segundo os cálculos do Ibre, a parte do governo federal no superávit primário total do setor público, para que este atinja 3,3% em 2011, terá de ser de 2,28% do PIB. Isso significa um grande salto, de 1,12 ponto porcentual do PIB, ou R$ 43,8 bilhões, ante a economia realizada em 2010.
Para que essa economia seja alcançada, o governo federal terá de limitar a 0,7% o crescimento da sua despesa, em termos reais. É um desafio e tanto, dada a forma quase automática como os gastos federais aumentam, impulsionados pelo salário mínimo, pelo salário dos funcionários e pelas aposentadorias do setor público e privado. Para se ter uma medida de comparação, o crescimento real médio anual das despesas federais entre 2004 e 2010 foi de 9%. O aumento em 2010, projetado pelo Ibre, é de 11,6%.
A expansão da despesa real em 2011, na verdade, terá de ser ainda menor do que a de 2003, um ano de arrocho, quando o crescimento foi de apenas 1,3%. Pela ótica da comparação com o PIB, a coisa não melhora. As despesas federais terão de recuar de 19,04% do PIB, em 2010, para 18,25% em 2011 – um queda de 0,79 ponto porcentual. Em 2003, o corte de despesa federal foi menor, de 0,58 ponto porcentual do PIB.
Um dos problemas do ajuste fiscal em 2011 é que as despesas obrigatórias correspondem a 77% do total, e nelas o espaço para economia é limitadíssimo. A equipe do Ibre prevê – na comparação com 2010 – um leve recuo, de 0,19 ponto porcentual do PIB, na folha salarial de ativos e inativos do Executivo e no INSS, a aposentadoria do setor privado. Em ambos os casos, há crescimento vegetativo (em termos reais, não como proporção do PIB) mesmo na ausência de aumentos, por causa de contratações, promoções de planos de carreira, expansão do números de aposentadorias, etc.
No grosso das outras despesas obrigatórias, composto por benefícios assistenciais, abono salarial, seguro-desemprego, subsídios e subvenções, o Ibre projeta que o governo federal, na verdade, aumente os gastos em 0,28 ponto porcentual do PIB.
O restante dos gastos federais, que está projetado para atingir 5,36%% do PIB em 2010, inclui ainda algumas despesas obrigatórias, como sentenças judiciais, folhas do Legislativo e do Judiciário e créditos extraordinários, e um bloco de 4,57% de despesas discricionárias.
É um conjunto variado, em que constam o custeio e os investimentos dos ministérios e o PAC. Nesse conjunto, tem de haver um recuo de 0,68 ponto porcentual do PIB em 2011 para se chegar ao superávit primário de 2,28% do governo federal projetado pelo Ibre. Os economistas acham difícil fazer isso sem mexer nos investimentos, e talvez até no próprio PAC, que cresceu de R$ 8,6 bilhões, ou 0,28% do PIB em 2007 para R$ 24,7 bilhões, ou 0,7% do PIB em 2010.
Fonte: O Estado de S. Paulo
por master | 05/12/10 | Ultimas Notícias
O mais recente vazamento de informações secretas promovido pelo WikiLeaks.org levou o governo dos Estados Unidos a colocar em andamento um novo plano para restringir substancialmente a circulação de informações internas, numa reversão dos esforços realizados nos anos que se seguiram aos atentados de 11 de Setembro de 2001 para incentivar as autoridades norte-americanas a compartilharem documentos considerados sensíveis.
O Departamento de Defesa (Pentágono) já detalhou novos parâmetros de segurança para tentar dificultar ao máximo que alguém consiga copiar ou revelar tantos segredos quantos os vazados pelo WikiLeaks ao longo dos últimos meses. E os esforços se estenderão a diferentes agências do governo norte-americano.
Militarmente, isso representa um recuo das iniciativas adotadas para permitir que mais agências tivessem acesso à enorme quantidade de dados coletada pelo Pentágono. A nova atitude também pode fazer com que um menor número de informações importantes esteja disponível a soldados de patentes mais baixas, que servem nas frentes de batalha no Iraque e no Afeganistão.
A restrição à circulação de informações sensíveis ocorre em um momento no qual os Estados Unidos ainda assimilam o golpe do vazamento de mais de 250 mil telegramas diplomáticos. O episódio foi qualificado pelo governo como um ataque aos EUA e levou as autoridades norte-americanas a tentarem vislumbrar meios de levar o WikiLeaks à Justiça.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, alega que o WikiLeaks agiu ilegalmente ao divulgar os documentos, considerados secretos pelo governo norte-americano. Durante um giro pelo exterior nos dias que se seguiram ao vazamento, Hillary afirmou que o governo estava tomando “medidas agressivas para responsabilizar aqueles que roubaram essas informações”.
O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anunciou que o governo está investigando o vazamento como crime. As mais recentes revelações, as quais envolvem documentos secretos e sensíveis da chancelaria norte-americana, colocam em risco a segurança da nação, seus diplomatas, suas informações e suas relações com governos estrangeiros, argumentou Holder.
Advogados de diversas agências governamentais dos EUA investigam se é possível processar o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, e outras pessoas envolvidas no vazamento com base na Lei de Espionagem, avaliou uma fonte do setor de defesa.
Na Austrália, o governo considera possível que algumas leis tenham sido violadas e a Polícia Federal Australiana está analisando a situação. As autoridades locais, no entanto, têm feito questão de enfatizar que a investigação sobre o WikiLeaks está sendo realizada pelos EUA e que a Austrália desempenha meramente um papel de suporte.
Nos EUA, funcionários comentam que já é possível observar evidências de que os vazamentos levaram a uma postura de mais cautela na forma como as informações mais delicadas são manuseadas e disseminadas. Um funcionário do governo em contato com militares e diplomatas norte-americanos no Iraque disse que o Departamento de Estado e outras agências estão restringindo a partilha de informações e o acesso entre as Forças Armadas e as agências civis. A fonte pediu para não ser identificada.
O acesso a grande parte do material diplomático foi facilitado depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001 contra os Estados Unidos. O sucesso do complô da rede extremista Al-Qaeda foi em parte atribuído a evidências segundo as quais a comunidade dos serviços secretos norte-americanos tinha informações adequadas indicando a iminência dos atentados, mas não foram capazes de ligar os pontos a tempo porque essas informações não eram compartilhadas entre as diferentes agências do governo.
Depois dos atentados, diversas agências governamentais norte-americanas passaram a ter acesso mútuo a sistemas de dados de acesso restrito. Nos casos do Pentágono e do Departamento de Estado, as informações eram plenamente compartilhadas e podiam ser acessadas sem a necessidade de se desconectar de um sistema e conectar-se a outro.
Essa facilidade de acesso pode ter aberto caminho para que um simples soldado raso conseguisse acesso a documentos sensíveis. O militar Bradley Manning, apontado como responsável por entregar informações secretas do governo ao WikiLeaks, está preso em uma penitenciária de segurança máxima em Quantico, no estado norte-americano de Virginia. Apesar de ele não ter sido acusado do mais recente vazamento, o WikiLeaks o celebra como um herói.
Autoridades norte-americanas consideram Manning o principal suspeito pelos vazamentos em parte por causa de seu próprio relato sobre o caso. “Ninguém suspeitou de nada”, gabou-se Manning a um confidente depois do roubo das informações. “Não precisei nem mesmo esconder”, prosseguiu ele, segundo um trecho de uma conversa via computador publicada no Wired.com.
Manning é acusado por um tribunal militar de ter roubado outros materiais sensíveis que posteriormente acabaram divulgados pelo WikiLeaks. Apesar disso, ainda não é possível afirmar se outras pessoas, inclusive executivos do WikiLeaks, poderão ser julgadas em separado por cortes civis.
Caçada
Procurado pela Interpol, Julian Assange não pode aparecer
Agência Estado
A lei está fechando o cerco em torno de Julian Assange, o homem que fundou o site WikiLeaks. Autoridades suecas têm o apoio da Justiça local em sua tentativa de prender o australiano para interrogá-lo em um caso no qual é considerado suspeito de estupro; nos Estados Unidos, políticos e estudiosos defendem que ele seja caçado implacavelmente, ou coisa pior.
O ex-hacker de computador que causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos e a líderes mundo afora com a divulgação de documentos secretos da diplomacia norte-americana sofreu um revés na justiça nesta semana, quando a Suprema Corte da Suécia manteve em vigor um mandado de prisão expedido contra ele – o que pode levar a sua extradição, caso seja encontrado.
Assange, de 39 anos, é acusado de estupro e coerção sexual em um caso que veio à tona em agosto na Suécia. Autoridades do país alertaram a Interpol e emitiram um mandado de busca válido em território europeu. O australiano nega as acusações (veja box ao lado).
Assange não faz nenhuma aparição pública há quase um mês, mas um de seus advogados insiste em que as autoridades sabem onde encontrá-lo. “Tanto as autoridades britânicas como as suecas sabem como contatá-lo, e os serviços de segurança sabem exatamente onde ele está”, assegura Mark Stephens.
A Suécia emitiu na sexta-feira um novo pedido de prisão internacional contra Assange, dessa vez com elementos processuais exigidos pela polícia britânica. “Enviamos as informações reclamadas pela polícia britânica”, declarou Karin Rosander. “Eles reclamvam informações suplementares relativas à pena máxima de cada um dos crimes e delitos do expediente. Habitualmente nós enviamos a pena correspondente ao crime mais grave”, explicou Rosander.
Em um comunicado, o advogado de Assange na Suécia, Bjorn Hurtig, sugeriu que seu cliente está sofrendo retaliações por causa do vazamento. “Eu realmente acho isso um pouco estranho e no mínimo uma ‘coincidência’ que a Interpol tenha tornado público o mandado de prisão simultaneamente à libertação das últimas revelações do WikiLeaks”, disse Hurtig.
Um porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, disse que a organização está tentando manter Assange em um local secreto, por razões de segurança.
Em Washington, o Comitê de Inteligência do Senado, que reúne graduados republicanos e democratas, pediu ao procurador-geral Eric Holder que processe Assange por espionagem. Advogados do governo norte-americano estão investigando se Assange pode ser processado por espionagem, disse um alto funcionário da Defesa, pedindo anonimato.
Caso complicado
Entenda o processo contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na Justiça da Suécia:
Quais são as acusações contra Julian Assange, o fundador do WikiLeaks?
– Segundo a Justiça sueca, ele cometeu estupro, assédio sexual e coerção ilegal contra duas mulheres. Os argumentos usados pela promotoria não estão claros, mas a prática de sexo desprotegido pode ser considerada uma categoria leve de estupro na Suécia. Assange manteve relações sexuais com duas mulheres, em datas distintas, enquanto dava palestras em Estocolmo.
Como ele se defende?
– Assange afirma que as relações foram consensuais. Segundo depoimentos das vítimas, o preservativo estourou com uma delas e com a outra Assange teria se recusado a usá-lo. A defesa de Assange alega que a ação da Suécia é uma retaliação em relação a vazamentos divulgados pelo WikiLeaks sobre o país.
Qual é a pena máxima?
– Quatro anos de prisão.
O que não está claro?
– Se a polícia sabe onde Assange está escondido e o motivo de a Justiça sueca ter retomado a ação, mesmo depois de uma juíza ter concluído que não houve estupro.
Fonte: Folhapress
por master | 05/12/10 | Ultimas Notícias
A origem real de R$ 7,5 milhões arrecadados pela bancada do Paraná nunca será conhecida. O dinheiro foi doado pelos partidos, que podem ter recebido a verba de terceiros
De cada R$ 5 doados para as campanhas dos 30 deputados federais eleitos no Paraná, R$ 1 não teve a origem identificada. As chamadas “doações ocultas” foram feitas por diretórios partidários e comitês de campanha. Elas chegaram a R$ 7,3 milhões, ou seja, 20% do total de R$ 36,2 milhões arrecadados pelos eleitos.
Os recursos foram doados por pessoas ou empresas inicialmente para partidos e comitês, mas passaram por outros comitês até chegar aos candidatos. Nesse trajeto, podem ter percorrido até quatro intermediários. A manobra é legal, mas impede que os doadores sejam identificados.
A prática não é popular apenas entre os paranaenses. Dos R$ 318 milhões arrecadados por todos os governadores eleitos, R$ 120 milhões (38%) foram por meio de doações ocultas. Em 2008, a ONG Contas Abertas, que fiscaliza o poder público, chegou a enviar um ofício ao TSE cobrando providências para garantir transparência à divulgação das doações, mas não houve uma solução efetiva.
Para o secretário-geral da ONG, Gil Castello Branco, há vários interessados em manter a situação como está. “A doação oculta atende o interesse do político, que não identifica o seu patrocinador, e o das empresas privadas, que não ficam com seus nomes atrelados aos políticos. Só não interessam ao eleitor, que tem o direito de saber de onde veio o financiamento das campanhas.”
Entre os deputados paranaenses, 18 receberam doações dos diretórios nacionais e estaduais dos partidos, que totalizaram R$ 6 milhões. O diretório nacional do PT doou para os cinco eleitos da legenda.
Secretário nacional de Comunicação do PT, André Vargas o petista eleito que mais recebeu verbas por meio desse tipo de financiamento eleitoral, com R$ 806 mil. Zeca Dirceu ficou com R$ 665 mil; Dr. Rosinha, R$ 102 mil; Assis do Couto, R$ 97 mil; e Angelo Vanhoni, R$ 63 mil.
Já o diretório nacional do PSDB só auxiliou Luiz Carlos Hauly, a quem destinou R$ 1,2 milhão. Além disso, o tucano recebeu R$ 100 mil do diretório estadual do partido. Hauly, que não irá para a Câmara porque será secretário da Fazenda no Paraná a partir do ano que vem, foi o paranaense que mais recebeu dinheiro dessa forma.
Os dois reeleitos pelo DEM também tiveram apoio do diretório nacional. Abelardo Lupion recebeu R$ 370 mil e o vice-presidente nacional da legenda, Eduardo Sciarra, R$ 260 mil. Fernando Giacobo, único eleito pelo PR, foi ajudado com R$ 500 mil pelo partido.
O comitê de campanha do governador Beto Richa (PSDB) doou R$ 200 mil para Dilceu Sperafico (PP) e R$ 17,5 mil para Rubens Bueno (PPS). Também há colaborações abaixo de R$ 10 mil feitas pelos comitês dos senadores eleitos Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB).
Autodoação
21% da verba saiu do bolso dos deputados
Dezessete dos 30 deputados federais eleitos pelo Paraná declararam à Justiça Eleitoral ter usado dinheiro do próprio bolso nas campanhas. O volume total de autodoações de pessoas físicas foi de R$ 7,5 milhões, o que corresponde a 21% do total de R$ 36,2 milhões arrecadados. O mais generoso com a própria campanha foi o novato Edmar Arruda (PSC), que doou a si próprio R$ 2,9 milhões do total de R$ 3,1 milhões arrecadados.
Já Alfredo Kaeffer (PSDB) doou para sua própria campanha R$ 1,4 milhão como pessoa física e outros R$ 2,7 milhões por meio de suas empresas. Depois dele aparece André Zacharow (PMDB), que empenhou R$ 484 mil do patrimônio pessoal para se eleger. Eles são seguidos no ranking por Moacir Micheletto (PMDB), com R$ 436 mil; e Dr. Rosinha (PT), com R$ 294 mil. (AG)
Ratinho foi bancado pelo pai e Arruda, pelo sogro
Doações em família impulsionaram as arrecadações dos deputados federais eleitos Ratinho Júnior (PSC) e João Arruda (PMDB, foto). O primeiro contou com doações que totalizaram R$ 988,5 mil do pai, o apresentador de televisão Carlos Roberto Massa, o Ratinho. Já o peemedebista recebeu R$ 562 mil do sogro, o empresário Joel Malucelli.
Ratinho Júnior foi o mais votado no Paraná, com 357.815 votos. Sobrinho do ex-governador Roberto Requião (PMDB), Arruda ficou em sexto, com 124.750 votos. No total, Ratinho Júnior declarou ao TSE ter arrecadado R$ 2,387 milhões e Arruda, R$ 1,083 milhão. Do total de 53 doações individuais ao peemedebista, 11 foram de empresas ligadas ao grupo J. Malucelli e 18 de pessoas da família. (AG)
Campeão de gastos
Alfredo Kaefer teve a campanha mais cara
Pela segunda vez seguida, o deputado Alfredo Kaefer (PSDB, foto) teve a campanha mais cara entre os parlamentares federais eleitos pelo Paraná. O tucano declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 4,2 milhões – R$ 1,14 milhão a mais do que o segundo no ranking, o novato Edmar Arruda (PSC). Em 2006, campanha de Kaefer custou R$ 2,95 milhões e foi a mais cara entre todos os 513 deputados federais do Brasil.
O deputado, que chega ao segundo mandato, diz não saber se o investimento valeu a pena. “Não vejo isso como uma questão financeira.” Mas ele concorda que as campanhas estão cada vez mais caras. “A solução seria adotarmos o voto distrital misto ou o voto em lista partidária.” (AG)
Fonte: Gazeta do Povo
por master | 05/12/10 | Ultimas Notícias
Agronegócio e construção civil foram os principais setores produtivos que financiaram a campanha dos 30 deputados federais eleitos pelo Paraná
Empresas ligadas ao agronegócio foram as principais financiadoras de campanha dos 30 deputados federais eleitos pelo Paraná neste ano. Entre os R$ 16,3 milhões doados por pessoas jurídicas a integrantes da futura bancada estadual em Brasília, R$ 6,4 milhões (39,5%) vieram do setor (R$ 1,45 milhão apenas de cooperativas agrícolas). Em seguida, os principais colaboradores foram instituições ligadas à construção civil, com R$ 2,1 milhões (12,8%), e à produção de energia e combustíveis, com R$ 918 mil (5,6%).
Os números são uma compilação das prestações finais de contas apresentadas pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As doações das empresas foram agrupadas em 13 categorias, por ramo de atuação. Elas representaram 45% do total de R$ 36,2 milhões arrecadados pelos deputados eleitos – o restante é originário de autodoações (21%), de recursos de comitês de campanha e diretórios partidários (20%) e de repasses de pessoas físicas (14%).
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por master | 05/12/10 | Ultimas Notícias
A falta de controle no uso do dinheiro público abriu um verdadeiro “mercado dos institutos” atrás de convênios com o governo federal. As entidades compram estatutos de associações comunitárias de periferia, alteram seus artigos, trocam toda a diretoria e passam a atuar como empresas de eventos com recursos públicos sem licitação. Para esses institutos, o endereço é o de menos. Basta encontrar uma sala comercial, em uso por outra empresa ou fechada, para registrar a entidade com um nome politicamente correto e, depois, buscar contrato com os ministérios.
Presidente do Integração Brasileira de Educação, Saúde e Turismo (Inbraest), entidade que recebeu R$ 534 mil em emendas do senador Gim Argello (PTB-DF), Randerson de Oliveira não esconde a importância do instituto: “Agora eu ?tô? vagabundo. Trabalho com negócio de moda. Aí ?tô? na entidade aí”, disse ao Estado. “A gente manda as p… que tem que enviar pros negócios do governo. Nós mesmos somos os funcionários. A gente dá uma parte para a gente”, contou.
Aspirante a promotor de festas em Brasília, Carlos Henrique Pina, de 24 anos, se gaba de ter agora seu próprio instituto para conseguir dinheiro público: “Por que eu abri o Instituto Conhecer Brasil? Para o envolvimento social, simplesmente. Eu conheço gente que tinha estatuto. Quem? Não importa. O que importa é o que o instituto agora é meu e acabou.”
O presidente do Instituto Planalto Central, Divino Assis Júnior, confessa que pagou por um estatuto. Sua entidade, também de fachada, recebeu R$ 600 mil em 2010 do governo para realizar shows em Brasília. “As pessoas não queriam mais tocar (a associação), e a gente entrou para pegar o estatuto. Pagamos o simbólico e reformamos”, disse. Ele nega envolvimento em propinas, mas admite que isso é comum dentro desse “mundo” dos convênios. “Claro que tem (retorno para o parlamentar), porque senão não teria sentido o senador fazer o repasse dele”, disse.
Fraudes
Investigação feita pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que um esquema organizado por institutos fantasmas superfatura eventos culturais, frauda prestações de contas e repassa dinheiro para empresas de fachada. Parte desse esquema é sustentada por emendas e lobby explícito, por escrito aos ministérios, de quem hoje elabora o projeto do Orçamento da União de 2011: o senador Gim Argello).
O senador alega que, apesar de destinar emendas a institutos sob suspeita, não costuma conhecê-los de perto. “O que me move é o mérito do projeto, não a identidade do executor”, disse. O senador afirmou ainda que desconhece as empresas subcontratadas pelos institutos e admitiu que não acompanha a execução dos projetos que recebem suas emendas parlamentares. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
por master | 03/12/10 | Ultimas Notícias
O governador Orlando Pessutti (PMDB) entregou o comando do estado, ontem à tarde, ao presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus (DEM), afirmando que deixa o estado em “boas mãos” durante o período em que estará no México para participar da Conferência da ONU para o Clima (COP-16), em Cancún.
Em uma cerimônia marcada por manifestações de amizade, Justus respondeu dizendo que a oportunidade de exercer o curto mandato é uma homenagem e um voto de confiança à Casa que preside, exatamente no momento que ele mesmo definiu como “o mais conturbado da história da Assembleia”.
“Este ano foi difícil. Portanto a Casa sente-se homenageada em governar o estado, mesmo que por uma semana. Eu e meus 53 companheiros da Assembleia estamos orgulhosos.”
Pessuti, por sua vez, declarou-se tranquilo e feliz em transmitir o cargo ao amigo Justus. “Passar a administração para as mãos do Nelson [Justus] é uma certeza de que o Paraná estará em boas mãos nesta semana em que estaremos representando o estado no exterior.”
Diários Secretos
O “ano conturbado” a que se referiu o governador interino se deve à crise deflagrada na Assembleia pelas denúncias publicadas na série de reportagens Diários Secretos, produzida pela Gazeta do Povo e pela RPC TV, que mostrou um esquema de contratação de funcionários fantasmas e desvio de dinheiro público no Legislativo.
A crise na Assembleia, segundo Justus, já passou por seu pior momento e hoje a Casa segue “a passos fortes para a calmaria absoluta”. “Com o trabalho feito por toda a Casa e buscando a transparência definitiva”, afirmou.
Justus responde a um processo aberto pelo Ministério Público, acusado de improbidade administrativa e formação de quadrilha ao lado do primeiro-secretário da Assembleia, Alexandre Cury – um dos deputados presentes à posse do colega.
Desconforto
O fato de o deputado estar sendo processado pelo MP, entretanto, não causa “desconforto” ao governador Pessuti. “A mim não. Sei que o Nelson está sendo investigado como centenas de outras pessoas que foram eleitas, inclusive aqui no Paraná”, argumentou.
Em seguida, Pessuti comparou o caso das denúncias contra Justus ao suposto envolvimento com caixa 2 do governador eleito Beto Richa (PSDB), na campanha eleitoral para a prefeitura de Curitiba em 2008.
“Se eu não pudesse transferir o cargo ao Justus hoje, também não poderia transmitir o cargo ao governador Beto Richa, pois ele também tem processos de investigação ainda da eleição da prefeitura “, afirmou, completando que não cabe ao governador julgar seu sucessor.
“A investigação é feita pelo Judiciário. Cabia ao povo do Paraná no dia da eleição”, disse referindo-se à reeleição de Justus, com cerca de 43 mil votos.
O governador interino disse que também não ficou constrangido em assumir o governo em meio ao processo. “Em momento algum. Sinto-me muito honrado e orgulhoso em comandar o estado. Tenho certeza que faremos a lição de casa”, garantiu.
Fonte: Gazeta do Povo