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Motoristas do transporte de ração e aves vivas da Sadia de Dois Vizinhos paralisam atividades por 24 horas

Motoristas do transporte de ração e aves vivas da Sadia de Dois Vizinhos paralisam atividades por 24 horas

06-03-2011-Paralisacao-Sadia_internaOs motoristas que fazem o transporte de ração e aves vivas para a Sadia em Dois Vizinhos, no Sudoeste do Paraná, paralisaram suas atividades por 24 horas no último domingo, 6 de março, para protestar contra a falta de descanso semanal remunerado aos domingos para esses trabalhadores.

Na unidade de Dois Vizinhos, a Sadia exige trabalho em todos os domingos no transporte de aves e ração. “Nos últimos seis meses foram trabalhados quase todos os domingos, chegou-se a trabalhar por seis domingos seguidos sem nenhuma folga”, explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Dois Vizinhos (Sintrodov), Alcir Ganassini.

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Motoristas do transporte de ração e aves vivas da Sadia de Dois Vizinhos paralisam atividades por 24 horas

Protesto de funcionários da Cavo bloqueia parte da Av. Getúlio Vargas

Uma manifestação de coletores de lixo da empresa Cavo, responsável pela coleta de lixo e limpeza das ruas da capital, parou o trânsito na Avenida Presidente Getúlio Vargas, no bairro Rebouças, na manhã desta quinta-feira (10), por volta das 8 horas, em Curitiba. Segundo a Diretran, cerca de 500 trabalhadores protestam contra uma possível demissão em massa pela empresa, que acabou de ser vendida.

A manifestação ocorre na frente da sede da Cavo, na esquina com a Rua João Negrão. Por volta das 8h50, os manifestantes ainda estavam no local. A Avenida Getúlio Vargas funcionava em meia pista, mas o trânsito é lento na região.

Motoristas do transporte de ração e aves vivas da Sadia de Dois Vizinhos paralisam atividades por 24 horas

Inflação maior já contém ganhos salariais

Inflação mais alta e as previsões de desaquecimento da economia complicaram as primeiras negociações salariais de 2011 na indústria. Os 22,5 mil metalúrgicos de Jaraguá do Sul (SC), por exemplo, obtiveram reajuste real de 1,3% – em comparação com 1,9% no ano passado.

Inflação mais alta e perspectivas menos otimistas para o crescimento já complicaram as primeiras negociações salariais na indústria. Enquanto os 13 mil motoristas de ônibus de Curitiba conseguiram, no mês passado, um reajuste nominal de 10% nos salários – alta real de 3,3% -, os 22,5 mil metalúrgicos de Jaraguá do Sul (SC), cuja data-base ocorre em janeiro, obtiveram um reajuste real inferior ao de 2010. O sindicato obteve 1,3% de aumento real neste ano, diante de 1,9% no ano passado. “A não ser que o sindicato represente uma categoria industrial muito pressionada pela falta de mão de obra, os reajustes de 2011 tendem a ser menores que os de 2010”, diz Cid Cordeiro da Silva, coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Paraná.

Se nos primeiros meses do ano passado a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado nas negociações trabalhistas, era de 4,5%, nos primeiros meses de 2011 está em 6,5%. Assim, os acordos salariais nominais estão mais vistosos, mas o ganho real, menor. Como coloca José Milton Camargo, vice-presidente do Sindicato dos Comerciários de Curitiba, “se negociarmos um reajuste de 7% com inflação em 4,5%, o ganho real de 2,5% é aplaudido por todos. Mas se a inflação estiver em 6,5%, os mesmos 7% dão um ganho real de apenas 0,5%, e todo mundo reclama”.

Mesmo segmentos que registraram crescimento acelerado nos últimos anos, como construção civil, encontram neste começo de ano um cenário mais árido para negociações salariais.

O sindicato dos trabalhadores na construção civil de Salvador e região, que representa mais de 140 mil operários, registrou no ano passado um acréscimo salarial de 5,6%, além da inflação – um dos maiores do país. Neste ano, as negociações estão mais lentas (em 2010 foram só duas reuniões e este ano elas se arrastam desde o começo de janeiro), a categoria está em greve há 30 dias. Em Camaçari (BA), onde estão 20 mil trabalhadores na construção civil, o sindicato alterou a data-base, transferindo de janeiro para abril, de forma a estender as negociações. Em 2010, o reajuste real foi de 7,7%.

O Valor levantou oito categorias cuja data-base ocorre entre janeiro e fevereiro e verificou que as dificuldades encontradas na construção civil atingiram a indústria, segmento que completou em janeiro o décimo mês consecutivo de crescimento fraco da produção. “Quando começamos a preparar nossa pauta de reivindicações, achávamos que as negociações seriam mais fáceis neste ano, porque tínhamos fechado um ano de crescimento forte não só no setor, mas no país como um todo”, diz Vilmar Garcia, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jaraguá do Sul (SC). “Definitivamente, não foi o que aconteceu”, completa.

Segundo Garcia, as negociações foram mais “complexas” porque, diferentemente do ano passado, a economia não aponta para um crescimento tão elevado, e também a inflação ronda em patamares mais elevados. “Se no começo de 2010 falávamos de um crescimento de 7% na economia e a inflação em 4,5%, hoje falamos de um crescimento econômico de 4,5% e uma inflação batendo em 7%”, diz Garcia. Os 14 mil metalúrgicos de Jaraguá do Sul conquistaram reajuste real de 1,3% nos salários – no ano passado, a alta fora de 1,9% acima da inflação.

Mesmo em categorias que fecharam um acordo melhor este ano que no ano passado, como os operários das fábricas têxteis de Joinville (SC), o reajuste conquistado foi inferior à média de 2% acima da inflação registrados na indústria em 2010. “No ano passado, muitos trabalhadores deixaram o nosso setor e foram frequentar cursos de especialização para outros setores, que pagam salários maiores. Isso foi levantado nas negociações deste ano”, diz Livino Steffemes, presidente do sindicato dos trabalhadores na indústria têxtil de Joinville, que conquistou reajuste real de 1,2% nos salários dos 6 mil operários do setor – no ano passado, o reajuste foi de apenas 0,8% acima da inflação.

Os 70 mil trabalhadores no segmento de tecnologia da informação (TI) e processamento de dados no Estado de São Paulo encontraram em 2011 um território mais “contrário” a benefícios trabalhistas, diz Antônio Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados (Sindpd) de São Paulo. No acordo do ano passado, não só o sindicato conquistou reajuste de 1,9% acima da inflação, como o compromisso de ter a carga semanal de trabalho reduzida a 40 horas a partir de 2011. “Agora, pelo visto, a ficha caiu para os empresários. Alguns não se prepararam para uma jornada menor, mesmo sabendo que isso iria acontecer com um ano de antecedência”, provoca o dirigente sindical. O sindicato patronal suspendeu as negociações – já atrasadas em dois meses. Neto convocou uma assembleia geral após o Carnaval, e fala em greve.

Fonte: Valor Econômico

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Sem mão de obra, setor calçadista paga reajuste de 11%

O cenário de reajustes salariais mais modestos devido à combinação de inflação mais alta e atividade mais moderada não chegou a Sapiranga, no Rio Grande do Sul, tradicional reduto da indústria de calçados femininos no Estado. Os mais de 22 mil trabalhadores do setor na cidade gaúcha tiveram seus salários reajustados em 11% no mês passado – uma alta de 4,5% acima da inflação.

O acordo é um dos maiores conquistados pelo Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga desde 1986, quando o grupo ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) venceu pela primeira vez as eleições. O reajuste, porém, não será facilmente absorvido por todas as companhias. Um empresário afirmou à reportagem que o reajuste terá impacto de 7% no custo da folha salarial de sua empresa.

Segundo Leandro dos Santos, secretário de formação do sindicato dos trabalhadores, o acordo e, principalmente, o salto entre os reajustes conquistados em 2010 e 2011, ocorreu porque os empresários não estão conseguindo encontrar trabalhadores na quantidade que precisam. “A produção está crescendo muito e está faltando trabalhador”, diz Santos. De acordo com o sindicalista, a cidade de Sapiranga e a região do Vale dos Sinos, famoso polo produtor de calçados femininos, está assistindo a um retorno “em massa” das pessoas que deixaram a região nos últimos anos.

Quando a valorização do real se aprofundou, a partir de 2005, ao mesmo tempo em que o desembarque de manufaturados chineses se acelerava, regiões como o Vale dos Sinos, famosos por concentrar fabricantes de bens tradicionais – como calçados e vestuário – sofreram com o fechamento de empresas e o “êxodo” de trabalhadores para outras cidades e serviços. “Isso começou a mudar no fim de 2009, mas se acelerou muito no ano passado”, diz Santos, “mas ainda não temos mão de obra para oferecer às empresas na quantidade que elas precisam”.

O Valor conversou com cinco empresas da cidade. Todos confirmaram o elevado reajuste salarial concedido, mas apenas um empresário aceitou falar sobre o assunto, sem, no entanto, se identificar. O empresário, diretor de uma grande indústria do setor em Sapiranga, afirmou que as empresas estão pressionadas. “O ritmo da demanda interna está muito acelerado, deixando as fábricas próximas do limite para atender os pedidos”, diz ele, que teme, no entanto, uma “leve reversão” na economia ao longo do ano. “O crescimento não virá mais na proporção de 2010, o próprio governo se esforça para reduzir o ímpeto. Se o ritmo cair mesmo, ainda que não drasticamente, ainda teremos de honrar uma folha de pagamentos inflada por esse enorme reajuste de 11%”, afirma.

Para Santos, as negociações deste ano foram “uma das mais fáceis em muitos anos”, uma vez que, segundo o sindicalista, os empresários ofereceram reajuste de 2,5% acima da inflação logo na primeira reunião. “Como falta mão de obra, não há inflação que atrapalhe os planos dos empresários”, diz ele.

Segundo Rogério Dreyer, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), o acordo em Sapiranga “será assunto” em todo o país. “Todas as negociações no setor falarão dele, mas a verdade é que cada região tem uma realidade salarial”, afirma Dreyer, para quem o reajuste salarial de 11% deve ser entendido sob a perspectiva regional. “Nem todas as empresas de Sapiranga conseguirão absorver os custos novos, então isso [o reajuste] pode não ser passado à frente em todo o país”, diz.

Fonte: Valor Econômico

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Dilma se reunirá com centrais, mas manterá correção do IR em 4,5%

Marco Maia defende que reajuste de tabela saia por projeto de lei e não por MP


BRASÍLIA E SÃO PAULO. Na reunião que fará amanhã com as centrais sindicais, a presidente Dilma Rousseff dirá que o governo não vai atendê-las na reivindicação de conceder um reajuste de 6,47% na tabela de Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF). Dilma baterá na tecla que o máximo que o Palácio do Planalto está disposto a oferecer são os 4,5% já anunciados, o que equivale ao centro da meta da inflação do ano passado. Não será uma conversa fácil. Além da tabela do IR, a pauta das centrais incluirá o fim do fator previdenciário e o reajuste para os aposentados que ganham acima do salário mínimo.

Ontem, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse preferir que a presidente envie um projeto sobre a correção da tabela do IR, e não opte por uma medida provisória, como está previsto. Ele argumentou que o projeto seria votado mais rapidamente, já que, com urgência (como aconteceu com o projeto de lei que reajustou o salário mínimo), poderia passar na frente das MPs que trancam a pauta.

Centrais chegam divididas ao encontro

Dilma, que não estava muito disposta a receber o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), acabou cedendo. Paulinho da Força, como é conhecido, fez campanha contra o salário mínimo de R$545 e aumentou o tom contra a presidente Dilma. Do encontro de amanhã, além da Força, participarão a CUT, UGT, CGTB, CTB e NCST.
Derrotadas e divididas, as centrais sindicais tentarão transformar a reunião com a presidente em um misto de desagravo e demonstração de unidade. As centrais sindicais querem registrar com Dilma a mágoa com a decisão dela de não negociar com os sindicalistas sobre o prometido aumento real no salário mínimo de 2011. Reafirmarão sua posição contrária à política econômica atual, que será o alvo de uma grande mobilização no mês de julho, ao lado de movimentos sociais.

Porém, o tom será de discordância amiga – daí o escanteamento promovido pelas centrais contra Paulinho, que chegou a dizer que está de “saco cheio” do PT.

Em seu blog, Artur Henrique, presidente da CUT, afirma que Paulinho “não tem moral para falar em independência e direitos dos trabalhadores”. “Paulinho está louco para cair no colo do PSDB. Ele anuncia leilão dele mesmo”, escreveu Henrique.

O presidente da CTB, Wagner Gomes, disse que a presidente será respeitada, mas ouvirá as reclamações das centrais.

– Defendemos o mesmo modelo de Brasil que ela, mas achamos que começou mal do ponto de vista macroeconômico. Não somos adesistas. Se ela não alterar, teremos em julho uma jornada de luta com os movimentos sociais – disse Gomes.

Já o presidente da CGTB, Antonio Neto, sustenta a postura de superação das divergências:
– Achamos que o governo errou e vou dizer isso pessoalmente à presidente. Sempre fica um pouco de mal-estar. Mas sou um negociador e sei que não é possível ganhar tudo.

Em relação ao reajuste da tabela do IR, há uma dúvida dentro do governo: se a correção será só por este ano ou por quatro anos, como foi a política de reajuste do salário mínimo.

O Ministério da Fazenda, apesar dos discursos alarmistas do ministro Guido Mantega, quer a correção por quatro anos. Na semana passada, Mantega disse que, caso haja a correção da tabela, o governo terá de encontrar meios para tapar o buraco. Ele chegou a admitir que poderá haver aumento de impostos ou novos cortes orçamentários.

No Congresso, o senador Paulo Paim (PT-RS) lembrou que, quando esteve com Dilma, ela mencionou 4,5%. Para ele, a fala de Mantega nada mais é do que o recado que o governo não aceita correção maior, como querem as centrais.

– A presidente Dilma falou em 4,5%. Mas até entendo que o Mantega tem que endurecer: a melhor tática é o ataque. Quando ele diz isso (que tem que criar novos tributos), é que o máximo é 4,5%. Acho que o governo vai endurecer nos 4,5% – disse Paim.
Na semana passada, os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disseram que a correção seria de 4,5% e apenas por um ano.

Fonte: O Globo