por master | 29/09/10 | Ultimas Notícias
No último debate antes do primeiro turno das eleições, mais uma vez faltaram propostas e sobraram ataques entre os dois principais candidatos ao governo do Paraná – Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT). Acusações e trocas de farpas entre eles marcaram a maior parte dos cinco blocos do encontro, realizado ontem à noite pela RPC TV. Mesmo quando não podiam fazer perguntas entre si, Beto e Osmar procuraram se atacar, abordando diversos temas que pautaram os programas eleitorais nos últimos três meses. Em alguns momentos, o tucano e o pedetista chegaram a lamentar o fato de estarem impedidos, pelas regras do programa, de questionarem um ao outro. Os dois principais candidatos centraram foco em problemas de Curitiba e pouco falaram do interior do estado. Também participaram do debate os candidatos Paulo Salamuni (PV) e Luiz Felipe Bergmann (PSol).
O clima começou a esquentar logo na segunda pergunta do primeiro bloco, quando Beto questionou Osmar sobre propostas para a geração de emprego no estado. Na resposta, o pedetista afirmou que havia recebido uma ligação do presidente Lula, que foi responsável por gerar 15 milhões de empregos no país, lhe desejando boa sorte no debate. Beto replicou dizendo que “se apegar ao presidente é muito fácil” e que os paranaenses queriam saber as ideias próprias dos candidatos. O tucano também voltou a colocar Osmar como um político contra os trabalhadores por ter apresentado no Senado um projeto que pretendia acabar com a indenização de 40% do FGTS para os funcionários demitidos sem justa causa. “Meu Deus do céu, quanta lorota. Retirei o projeto a pedido das centrais sindicais, que hoje estão todas me apoiando em reconhecimento ao meu trabalho em favor do trabalhador”, disparou o pedetista.
Na sequência, quando tratava da região metropolitana de Curitiba com Bergmann, Osmar partiu para o ataque contra Beto. Afirmou que o tucano não resolveu o problema do aterro da Caximba enquanto foi prefeito da capital – o local está com a vida útil esgotada. Ao ter a possibilidade de perguntar a Beto, o pedetista o criticou por ter renunciado ao segundo mandato de prefeito para disputar o governo do Paraná, descumprindo o que tinha acordado com os curitibanos. “Atendi a um chamamento para ser candidato. Nunca fui candidato de mim mesmo. O senhor se esquece que, se vencesse a última eleição [para governador], iria renunciar a quatro anos de mandato de senador”, devolveu Beto. “Agora, quer conquistar os votos de Curitiba a qualquer custo, mas nunca trouxe nada para a capital como senador.”
O pedetista se defendeu das afirmações alegando que trouxe 7 mil vagas do ProJovem Trabalhador para Curitiba, mas, como a prefeitura não iniciou o programa dentro do prazo, a União exigiu a devolução dos R$ 5 milhões do projeto. Em resposta ao pedetista, que em detrminado momento do debate havia dito que conhece Beto há bastante tempo, o tucano afirmou que “não era esse [Osmar] que eu conhecia”. “Foi um secretário indicado pelo PDT [Jorge Bernardi] que cochilou e perdeu esse recurso”, defendeu-se. “Quando dá certo, é o prefeito que fez. Quando dá errado, põe a culpa nos outros. Bastou o senhor sair da prefeitura para o ProJovem funcionar”, rebateu Osmar já ao fim do debate, quando comentava outro assunto com Salamuni.
As acusações mútuas entre os dois principais candidatos ao governo do estado fizeram com que ambos chegassem a lamentar que, em determinados momentos, não pudessem fazer perguntas entre si. Isso, no entanto, não impediu que os ataques continuassem. Quando falava de saúde pública com Bergmann, Osmar criticou Beto por ter destacado que teve a aprovação de 80% dos curitibanos para deixar a prefeitura e disputar o governo. “Espero que essa não tenha sido uma daquelas pesquisas censuradas pela sua coligação”, disse o pedetista ao comentar as cinco pesquisas que tiveram a divulgação impugnada pela chapa tucana. Na sequência, ao ser questionado pelo candidato do PSol sobre doadores de campanha, Osmar afirmou que “na minha campanha não tem caixa 2”, em referência ao caso do Comitê Lealdade, de dissidentes do PRTB na campanha de Richa à prefeitura em 2008.
Logo em seguida, foi Richa quem usou a troca de perguntas com Bergmann para devolver acusações feitas por Osmar ao longo do debate. O tucano destacou uma decisão do Ministério Público do Paraná cobrando do governo do estado a aplicação em saúde dos 12% do orçamento, conforme prevê a Constituição. “O governo atual, que apoia o meu adversário, desviou R$ 2 bilhões da saúde, disse o Ministério Público”, criticou. Para finalizar, Beto atacou a aliança de Osmar com o ex-governador Roberto Requião (PMDB). “Eu não mudo de lado, não pulo de galho em galho. Não vou na casa de um candidato à Presidência (José Serra. PSDB), aperto a mão dele e, no outro dia, passou para o outro lado.”
por master | 28/09/10 | Ultimas Notícias
Daqui a menos de uma semana 7 milhões de eleitores paranaenses deverão ir às urnas escolher seus representantes. A diferença da eleição do próximo domingo para a de 2006 – em que também se elegeram presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais – é que neste ano são dois votos para o Senado Federal.
Vale a lembrança de que é possível votar apenas uma vez em cada candidato a senador e que se o número do primeiro candidato for repetido na segunda opção, o eleitor anula o seu segundo sufrágio. Os votos são independentes e têm o mesmo valor e serão eleitos os dois candidatos mais votados.
Em alguns estados brasileiros candidatos a senador tem pedido aos eleitores os dois votos em seu próprio nome como estratégia para além de receber um voto, anular um voto do concorrente. A candidata ao Senado Heloísa Helena, do PSoL de Alagoas, por exemplo, prega o segundo voto nela mesma. No cenário paranaense a estratégia é outra. Quem está na disputa tem trabalhado em busca do primeiro voto de seus eleitores, mas também para conquistar a segunda opção de quem é simpático a outro candidato.
O dia D
De acordo com orientações do Tribunal Superior Eleitoral TSE, o eleitor deve em primeiro lugar confirmar o seu local de votação, o que pode ser feito por meio do site do TSE (www.tse.gov.br). No dia da votação serão exigidos dois documentos, um oficial com foto e o título de eleitor, cuja uma nova via pode ser retirada até o dia 30 de setembro em qualquer cartório eleitoral. O período de votação vai das 8 às 17 horas – sem interrupções – e quem não puder comparecer deve justificar a sua ausência em qualquer local de votação ou posto de justificativa no mesmo dia, também das 8 às 17 horas.
Para evitar que o eleitor esqueça os números de seus candidatos, o TSE aconselha que ele leve uma cola (um papel com o nome e o número dos candidatos anotados). É proibido entrar na cabine de votação com telefone celular, máquinas fotográficas, câmeras de vídeo, equipamento de radiocomunicação ou qualquer instrumento que possa comprometer o sigilo do voto. Esses aparelhos devem ficar retidos na mesa enquanto o eleitor estiver votando. Bandeiras, camisas e bottons dos candidatos são permitidos. As manifestações estão liberadas, desde que sejam feitas em silêncio, mas não a distribuição de material de campanha, que só pode ocorrer até as 22 h do dia anterior à eleição sob pena de crime eleitoral.
por master | 28/09/10 | Ultimas Notícias
Se as eleições fossem hoje, o destino de 19 estados brasileiros, além do Distrito Federal e a disputa para a Presidência da República, poderia ser decidido já no próximo domingo, sem a prorrogação da votação para o segundo turno. Em outros dois estados a disputa também está apertada podendo, ou não, terminar neste fim de semana. O quadro eleitoral é baseado no resultado de pesquisas de intenção de voto divulgadas até ontem, projetando um aumento da porcentagem de governadores eleitos no primeiro turno, já que em 2006 foram 17.
As eleições em dois turnos, nas quais o primeiro serviria para a apresentação da plataforma de cada partido e o segundo provocaria a união de forças que levaria o eleito a ter mais da metade dos votos úteis, parece ter virado uma ideia obsoleta. Ao menos na maior parte dos estados, o segundo turno, na prática, está sendo disputado nesse momento.
Para que um candidato ganhe no primeiro turno, basta que ele tenha mais votos do que os outros candidatos somados, já que os votos brancos e nulos não são considerados válidos. Nesses estados, incluindo o Paraná, a situação é parecida: dois concorrentes concentram as intenções de votos, com porcentagens que, somadas, ultrapassam 80%. Os outros candidatos não pontuam, ou ao menos não o suficiente para “despolarizar” a disputa. Assim, a porcentagem de votos válidos fica acumulada entre os dois principais candidatos e ganha já no primeiro turno o que tiver o maior número de votantes.
No Paraná, ainda que com a impugnação de pesquisas, o quadro não deve mudar e os dois principais candidatos, Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) disputam entre si. Mesmo com o “sobe” e “desce” em cada pesquisa de opinião, os dois iniciaram a campanha acumulando 81% das intenções de voto e pela última pesquisa, juntos, somam 85% da preferência dos eleitores. São sete candidatos, porém os outros cinco não pontuam. Se as eleições confirmarem o que as pesquisas apontam, mesmo que Richa ou Osmar consigam modificar os números entre si, ganhará quem fizer mais votos. A disputa parece estar mais apertada do que o segundo turno da eleição para o governo em 2006, quando Roberto Requião (PMDB) ganhou do próprio Osmar por 10.479 votos, ou 2% dos votos válidos.
Motivos
De acordo com o cientista político David Fleisher, da Universidade de Brasília, o número grande de estados em que a decisão será no primeiro turno não é fruto de decisão dos eleitores e sim dos partidos. “O eleitor não faz essa previsão certeira de que consegue votar de forma que não haja segundo turno. Isso é resultado das configurações de campanha”, diz Fleisher. Tanto nas eleições presidenciais quanto nas estaduais do Paraná, os maiores partidos trabalharam para que alguns candidatos que tinham potencial de levar a disputa para a segunda etapa não disputassem. Foi o caso do presidenciável Ciro Gomes (PSB) e do governador Orlando Pessuti (PMDB), que pretendia disputar o governo.
O cientista político Emerson Cervi, professor da Universidade Federal do Paraná, critica a “covardia” dos partidos políticos. “Partidos médios têm preferido não lançar candidato próprio para negociar coligações maiores e participar do governo eleito no futuro. É uma estratégia covarde e, a médio prazo burra, pois tende a reduzir a importância e a participação eleitoral desses partidos, reduzindo na prática as opções que os eleitores têm”, diz Cervi.
Outro fator que contribui para a polarização das campanhas é a possibilidade de reeleição. O chefe do Poder Executivo tem diversas vantagens sobre os demais, como a publicidade de seus atos oficiais, a maior facilidade de conseguir verbas para a campanha – por ter poder em mãos – e de fazer alianças partidárias. “A reeleição desequilibra a competição na medida que a figura do governante, que disputa o cargo que ocupa, tem uma série de vantagens. São vistos como candidatos naturais”, diz o cientista político Antônio Lavareda. Além disso, o segundo turno introduz uma lógica, de acordo com Lavareda, de um voto estratégico dos eleitores, que levam em conta as chances de cada candidato e usam seu voto para evitar, por exemplo, que concorrentes que eles rejeitam não sigam para o segundo turno.
por master | 28/09/10 | Ultimas Notícias
O Brasil foi uma das primeiras grandes economias a superar a crise global, deve crescer mais de 7% neste ano, vem reduzindo a pobreza e melhorando em vários indicadores sociais. Mas o país chegará algum dia a se tornar uma nação considerada desenvolvida? E o que falta para isso acontecer?
“O Brasil precisa melhorar a qualidade da educação pública”, diz o editor para as Américas da revista britânica The Economist, Michael Reid.
“É necessário que o Brasil amplie a sua classe média”, afirma o economista Jim O’Neill. “O Brasil precisa aumentar a taxa de poupança interna para acima de 30% do PIB”, sugere o comentarista econômico do jornal britânico Financial Times.
A poucos dias das eleições presidenciais, esses e outros especialistas estrangeiros, ouvidos pela BBC Brasil, listaram os desafios que o país ainda enfrenta para chegar à condição de nação desenvolvida.
Economistas, acadêmicos, representantes de organizações internacionais, think-tanks e organizações não-governamentais afirmam que o Brasil ainda tem muito a fazer em áreas que incluem redução da desigualdade, a melhoria da educação, reformas nas instituições públicas, combate à corrupção, combate à violência e até mesmo respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos.
“O Brasil está vivendo um momento excepcional, fruto de décadas de trabalho árduo. Porém nenhum desenvolvimento acontece sem obstáculos, e os desafios permanecem”, diz o economista senegalês Makhtar Diop, diretor do Banco Mundial para o Brasil.
Pobreza e desigualdade
A economia brasileira se consolidou como a 8ª maior do mundo neste ano, mas o país ainda é apenas o 72º do mundo em renda per capita, atrás de países como Argentina (50º), México (53º), Turquia (57º), Venezuela (66º) e Irã (68º), segundo dados do Banco Mundial.
Nos últimos oito anos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o crescimento econômico ajudou a tirar mais de 20 milhões de pessoas da pobreza. Mas dados do Banco Mundial mostram que o Brasil ainda tinha, em 2007, 12,7% de sua população vivendo abaixo da linha de pobreza, com menos de US$ 2 por dia. Há 30 anos, esse porcentual era de 31,1%.
Para efeito de comparação, a China, que em 1981 tinha 97,8% de sua população vivendo abaixo da linha de pobreza, chegou a 2005 com 36,3%. Segundo os critérios do Banco Mundial, o percentual de pobres nos principais países desenvolvidos é próximo de zero.
O Brasil também continua sendo um dos mais desiguais do mundo – de acordo com o coeficiente de Gini, calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil tem a 11ª maior desigualdade entre ricos e pobres no mundo.
“A desigualdade é o maior problema do Brasil. A desigualdade enfraquece o crescimento econômico e gera altos níveis de criminalidade e insegurança”, observa o americano Barry Ames, diretor do departamento de ciência política da Unievrsidade de Pittsburgh e especialista em Brasil do Centro de Estudos Latino-Americanos da instituição.
O coeficiente de Gini tem uma variação entre 0 (mais igual) e 1 (mais desigual). O coeficiente do Brasil é 0,550, melhor apenas do que Honduras, África do Sul, Bolívia, Colômbia, Angola, Haiti, Afeganistão, Botsuana, Guiné Equatorial e Namíbia.
Os países menos desiguais do mundo, segundo o PNUD, são Dinamarca e Japão, com coeficientes 0,247 e 0,249, respectivamente. Os Estados Unidos, país mais desigual entre os países desenvolvidos, está apenas em 89º no ranking global, com coeficiente 0,408.
País de classe média
O crescimento econômico e a redução da pobreza tiveram como efeito um fenômeno que para muitos analistas mostra o Brasil no caminho de ser um país predominantemente de classe média, característica da grande maioria dos países desenvolvidos.
Segundo um estudo publicado neste mês pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a classe C passou no ano passado a representar mais da metade da população brasileira (50,5%), com a incorporação de 29 milhões de pessoas entre 2003 e 2009, e ultrapassou as classes A e B em pode de compra.
“Se há uma única diferença entre uma economia tipicamente desenvolvida e uma em desenvolvimento, é talvez o tamanho de suas classes médias”, diz o britânico Jim O’Neill, que como economista-chefe do banco Goldman Sachs cunhou o acrônimo BRIC para identificar os quatro gigantes emergentes Brasil, Rússia, Índia e China.
Mas os sinais positivos da economia brasileira são seguidos por problemas persistentes identificados mais comumente como “problemas de terceiro mundo”, como é o caso da corrupção.
Em um ranking anual sobre percepção de corrupção divulgado pela ONG Transparência Internacional no fim do ano passado, o Brasil obteve uma avaliação levemente pior do que no ano anterior, apesar de ter subido cinco posições no ranking de 182 países, ocupando a 75ª posição.
O Brasil aparece à frente da China (79ª posição) e apenas algumas posições atrás da Itália (63ª), país que faz parte do G7, o grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo. Os Estados Unidos aparecem na 19ª posição, e a Nova Zelândia lidera o ranking.
Para a diretora-executiva da Transparência Internacional, Huguette Labelle, se quiser chegar ao nível de nação desenvolvida o Brasil precisa avançar nessa área. “O desafio do Brasil agora é fortalecer suas instituições, fazê-las ainda mais transparentes e melhorar suas prestações de contas ao público em todos os níveis de governo”, afirma Labelle.
Educação e saúde
Indicadores sociais em áreas como educação e saúde também mostram o longo caminho que o país ainda precisa percorrer para atingir o status de país desenvolvido.
A taxa de analfabetismo no país, que em 1960 chegava a 40%, caiu a 9,7% no ano passado, segundo dados do IBGE, enquanto o acesso à educação básica foi praticamente universalizado no país, com uma elevação do acesso à escola de 86,6% em 1992 para 97,9% em 2008, entre as crianças de 7 a 14 anos.
Além disso, no período entre 1998 e 2008, o número de alunos matriculados no ensino superior no país mais que dobrou, passando de 2,1 milhões para 5,1 milhões, segundo o Ministério da Educação.
Mas se os números absolutos mostram uma evolução, a qualidade do ensino ainda deixa a desejar. Um estudo elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 2007 mostrou os alunos brasileiros entre os piores em conhecimentos de matemática, capacidade de leitura e ciências entre 57 países analisados.
“A melhoria da qualidade da educação pública é sem dúvida um dos pontos necessários para que o Brasil possa ser elevado à categoria de país desenvolvido”, observa o jornalista Michael Reid, editor para as Américas da revista britânica The Economist.
Para o brasilianista Gonzálo Gómez Dacal, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, na Espanha, somente com a melhoria da qualidade da educação pública em todos os níveis que o Brasil será capaz de aproveitar “os recursos intelectuais de toda a população, especialmente da capacidade de criação das pessoas inteligentes que formam parte das camadas mais desfavorecidas da população”.
Qualidade
Na área da saúde, mais uma vez, a universalização conseguida pelo Sistema Único de Saúde convive com questionamentos sobre a qualidade do atendimento e dos programas de prevenção.
A expectativa de vida do brasileiro subiu de 66 anos, em 1991, para 72,4 em 2010, segundo dados da ONU, deixando o país no 92º lugar do ranking mundial sobre esse indicador.
O país também conseguiu reduzir a mortalidade infantil em mais de 60% nos últimos anos, de 52,04 mortes por mil nascimentos em 1990 para 19,88 a cada mil em 2010.
Ainda assim, o Brasil ainda é o 90º do ranking nesse indicador, muito aquém de países como Grécia (6,7 mortes por mil nascimentos), Estados Unidos (6,3) ou Portugal (5) e mais longe ainda dos países com menos mortes – Islândia (2,9), Cingapura (3) ou Japão (3,2).
Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), pouco menos de um décimo da população brasileira ainda não tem acesso a água potável tratada, mas na área rural, essa proporção aumenta para 4 em cada 10 moradores. O acesso a esgoto chega a apenas 77% da população, e apenas 37% na área rural.
A condição brasileira é melhor do que a de outro gigante emergente, a China, que tem 88% da população com acesso a água tratada e 65% com acesso a esgoto, mas ainda está muito aquém de países desenvolvidos como Estados Unidos, (99% com acesso a água e 100% com acesso a esgoto) ou Portugal (99% e 99%).
Avanços e desafios
As estatísticas mostram que o Brasil vem avançando nos últimos anos, em algumas áreas a passos largos e em outras a passos curtos, mas que o caminho para chegar a ser um país desenvolvido ainda é longo.
“As condições de base estão dadas para que o país se torne uma potência”, afirma o representante no Brasil do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), José Luis Lupo, para quem a concretização desse potencial depende de ações do governo por reformas.
“O Brasil enfrenta desafios importantes para se transformar de um país ‘de renda média’ para uma economia inovadora e movida pelo conhecimento”, afirma a consultora suíço-americana Suzanne Rosselet-McCauley, vice-diretora do Centro Mundial de Competitividade da escola suíça de administração IMD, uma das cinco principais da Europa.
“Ainda está para ser visto se o país pode evitar a ‘armadilha do rendimento médio’ ao manter seus ganhos de estabilidade macroeconômica e política e se beneficiar de níveis mais altos de crescimento”, avalia.