Presidente da Nova Central participa do Seminário de Análise Conjuntural do Setor da Construção e do Mobiliário
O Presidente da NCST/PR – Denílson Pestana da Costa está participando do 1º SEMINÁRIO DE ANÁLISE CONJUNTURAL DO SETOR DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ. O evento realizado pela FETRACONSPAR teve início às 14:00 horas desta terça-feira (28) e encerramento às 12:00 horas do dia 29 de fevereiro de 2012, e ocorre nas dependências do CONDOR HOTEL em Curitiba/PR.
Participam deste seminário os 31 membros das comissões de negociação, além dos presidentes de sindicatos filiados que tenham sindicato patronal em sua base territorial.
A abertura do evento (terça, 28) teve como tema: Conjuntura Econômica internacional, Nacional e Paranaense – Palestra ministrada pelo Senhor Cid Cordeiro – Economista, Coordenador Regional do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PR).
Na manhã desta quarta (29), Cordeiro falou sobre a Conjuntura Setorial e Perspectivas das negociações para 2012, na palestra foram apresentados dados sobre emprego, produção e exportações.
Pagamentos em atraso chega a 7,6%
Em dezembro do ano passado, a taxa estava em 7,4% (número revisado). Em todo ano passado, a taxa de inadimplência das pessoas físicas avançou 1,7 ponto porcentual, visto que estava em 5,7% no fim de 2010.
Já a taxa geral de inadimplência, que engloba operações de pessoas físicas e de empresas, avançou de 5,5% em dezembro do ano passado para 5,6% em janeiro deste ano. Em todo ano passado, a taxa de inadimplência geral subiu um ponto percentual, visto que, em dezembro de 2010, estava em 4,5%, segundo números da autoridade monetária.
Brasil é o espelho do mundo
A desigualdade brasileira está entre as dez mais altas do mundo apesar de estar no piso das nossas séries históricas. Ela reflete como um espelho o nível e as mudanças das diferenças de renda entre países do mundo, em particular a queda da última década. Já a desigualdade interna de outros países segue movimento inverso. Sobe antes e depois da crise dos países desenvolvidos assim como no boom da China e da Índia, como fez aqui nos anos 1960. O crescimento econômico da China e Índia que abrigam metade dos pobres do mundo determina por si queda inédita da desigualdade mundial no último século. Antes de entrar nestes paralelos e paradoxos, vamos aos conceitos.
Primeiro, a função bem-estar social agrega o bem-estar individual de cada membro da sociedade. Ele sintetiza num único número o bem-estar geral da nação. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita é a medida de bem-estar social mais usada. Numa sociedade de dez pessoas, se um tem renda dez e os nove restantes têm renda zero; ou no extremo oposto se dez têm a renda igual a um; o PIB é o mesmo. O PIB é uma medida de bem-estar social que por construção não se importa com as diferenças entre pessoas, apenas com a soma das riquezas produzidas.
No extremo oposto há outra função bem-estar que dá mais peso aos que tem menos. Na sua construção ordenamos as pessoas pela sua renda, depois atribuímos peso à renda de cada um proporcional a respectiva colocação no ranking de renda. De forma que os mais rico dos ricos valem menos (peso 1) e o mais pobre dos pobres vale mais (peso 10 no exemplo). Nessa métrica cada um vale inversamente ao que ganha, invertendo a lógica de contabilidade social do PIB.
A desigualdade é derivada da função bem-estar. Tal mãe, tal filha. O Gini, o índice de desigualdade mais popular, herda no seu cálculo os pesos da função bem estar citada acima onde os mais pobres valem mais. O Gini varia de 0 a 1: no seu mínimo todos são iguais, e no seu ápice uma pessoa detém todos os recursos da economia. Não existe medida, certa ou errada, são apenas óticas diversas que enxergam aspectos diferentes das mesmas situações.
O livro de Branko Milotovic do Banco Mundial de 2011 calcula o Gini de renda mundial calculando as diferenças de renda média entre países ponderados pela respectiva população. O exercício assume desigualdade zero dentro de cada país.
Na visão de Roberto Martins, a trajetória da desigualdade de renda brasileira de 1970 a 2000, lembra o cardiograma de um morto. O único sinal de vida foi dado no movimento de concentração de renda ocorrida entre 1960 e 1970 quando o Gini chega próximo a 0,6 e se estabiliza neste patamar. A desigualdade mundial de renda entre países ilustrada no mesmo gráfico está sujeita a mesma analogia do morto entre 1964 e 1990. Há paralelas neste período entre as desigualdades brasileira e global e o eixo das abscissas.
A desigualdade de renda mundial começa a cair com o crescimento chinês, indo de 0,63 em 1990 para 0,61 em 2000. E sofre inflexão mais acentuada a partir de 2000 com a entrada do milagre indiano em cena. China e Índia abrigam mais de metade dos pobres da aldeia global. O fato é que depois do crescimento da ChÍndia na década passada, o Gini mundial cai para 0,54 em 2009 chegando ao piso da série iniciada em idos dos anos 1950.
Já a queda brasileira se dá nos anos 2000. Após 30 anos de alta desigualdade inercial, o Gini começa a cair em 2001 passando de 0,6 a 0,54 em 2009. Ambos valores são muito próximos dos níveis observados no mundo próximos daquelas datas. A escala das distâncias internas entre brasileiros é como uma maquete, similar àquelas observadas entre diferentes nações do mundo. Se o ponto de partida e o desfecho da desigualdade brasileira e mundial se equivalem, o Brasil não é apenas a foto mas o filme do mundo.
Ao estender as séries usando as variações compatibilizadas pela PME, a desigualdade continua em queda. Em 2010, cruza o piso de 1960 e entra no 12º ano de queda consecutiva. Em janeiro de 2012 o Gini atinge 0,519, caindo no ano passado a uma taxa quase duas vezes mais acelerada que dos primeiros anos da década passada. O descolamento entre emergentes e desenvolvidos se acentua com as crises recentes seja entre pessoas ou localidades brasileiras, seja entre países do globo.
